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domingo, 18 de setembro de 2011

Esqueci de Te Esquecer...


Capitulo 6

Sem olhar pra trás, a rua estava tão parada, talvez fosse apenas impressão minha. Passei perto do vídeo-game meus amigos estavam sentados lá na porta.

- Oi povo. – Cumprimentei como sempre, só que desta vez não parei pra conversar.
- Onde você vai com tanta pressa? – Perguntou um deles.
- To indo na Graziiy.
- A ta bom, sei.
- Iiiih, começa não povo. – Despedi de todos, seguindo o meu caminho pela rua deserta da mini cidade.

            Caminhei olhando a rua com alguns buracos, minha mente estava longe, não sabia se o que estava pronta pra fazer era o certo, mas acordei disposta pra isso, eu estava fazendo o melhor sem duvida nenhuma, nada iria me fazer mudar de idéia, não agora.

            Cheguei de mansinho na entrada do beco, olhei aquelas casas, umas novinhas, outras antigas, tantas lembranças me vieram em mente, vivi a maior parte da minha infância ali, correndo com meus amigos, e minha prima, eu morava na casa da minha avó paterna, e minha avó materna morava na casa de frente, éramos muito unidos, depois de um tempo meu avô paterno morreu, aí nos mudamos de casa e viemos morar longe do beco, depois de mais alguns anos minha avó paterna também nos deixou meu pai muito abalado nem no beco não vem mais, minha tia, mãe da Graziiy ocupou a casa de meus avôs paternos. Minha avó materna saiu do beco também, veio morar ao lado de nossa casa, a única que pisa nas ruas de pedra do beco sou eu, raramente minha avó vem olhar a casa dela, colher algumas acerola do pé, mas muito pouco.

Depois de relembrar minha vida naquele pedaço de rua cheguei à casa de minha prima.
Graziiy estava deitada no sofá com o João Pedro no colo. Comendo como sempre e vendo TV.

- Oi! – Cumprimentei meio tristonha.
- Oi Pami.  
- Oi coisa fofa da Pam. – Brinquei com o João Pedro que mal me deu importância.
- E ai como você ta? – Perguntou Graziiy, sentando-se direito no sofá.
- To bem – Disse levando uma mão a minha barriga – Quer dizer nós estamos bem. Graziiy preciso falar com você amor, preciso de sua ajuda.
- Pode falar. – Graziiy colocou o João no chão pra ele ir brincar, o assunto era serio precisávamos conversar sem interrupções.
- Bom, eu to grávida né – Ri por que ainda não acreditava nisso – Ta, então eu preciso ir embora dessa cidade, minha mãe ta sofrendo muito com minha gravidez, poxa, são gêmeos, eu mal consigo cuidar de mim, ela acha que vou jogar tudo em cima dela, então preciso de sua ajuda pra sair do país.
- Do país Pam? Você não acha que isso é muito radical?
- Não Graziiy, pensei muito antes de chegar a essa conclusão, não posso mais morar no Brasil, tem o pai dos bebês, que não quero que ele saiba da existência deles, por que os gêmeos são apenas MEUS filhos, e de mais ninguém.
- Pami, bom eu posso te ajudar, mas me conta quem é o pai, não entendo, ele não vai te achar tão fácil se você apenas mudar de cidade.
- Mas ele esta em toda parte do Brasil, ele me segue aonde eu estou. –Abaixei minha cabeça, teria que ter certeza, eu não o veria mais, teria que ter certeza que não o encontraria em qualquer cidade que eu fosse, meus olhos se encheram d’água, a TV que ainda estava ligada, começou um comercial que eu já via milhares de vezes, comercial do DVD do Luan, uma lágrima traiu-me e escorreu pelo meu rosto.
- Ei Pam, não me diz que o pai é o... – Fez silêncio, Graziiy não continuou a falar.

            Limpei minhas lágrimas, levantei do sofá a fim de desligar a TV, pois o comercial ainda não havia acabado.
- Sim Graziiy, o Luan é o pai dos gêmeos.
- Mas Pam, como? Você ficou com o Luan quando? Por que não contou antes? Ele tem que saber que vai ser pai, você não pode esconder isso dele.
- Posso e vou esconder – Disse voltando a me sentar – Por favor, não conte a ninguém sobre isso, só estou lhe contando por que preciso de sua ajuda, preciso que você me ajude a sumir do país.
- Ta bom Pam, mesmo sabendo que é errado eu vou te ajudar ta, e me diz pra onde vamos?
- Como assim vamos?
- Uai você ta achando que vou deixar você ir embora pra um país desconhecido grávida de gêmeos?
- Você ta falando serio? – Perguntei sem acreditar no que minha prima estava falando, mordi o canto do lábio e abri um sorriso chorão, a abracei, que alivio estava mesmo com medo de ir embora sozinha. – Obrigada.
- Por nada, agora me diz pra onde você ta querendo ir?
- Pra Bélgica. – Falei com firmeza me livrando de seus braços.
- Bélgica? Com que dinheiro você vai pra Bélgica Pamela?
- Minhas economias Graziiy, acho que dá pra nos duas e ainda sobra.
- Desde quando você junta dinheiro?
- Desde uns meses muié, tava guardando pra minha Faculdade de Medicina né, caso eu tivesse que comprar algo muito caro eu teria o dinheiro, mas esse momento ele vai ser mais útil.
- Você tem certeza? E seus pais?
- Eles estão sofrendo muito, vai ser melhor assim, eu os desapontei quando engravidei.
- Você que sabe né Pam.
- É... Eu já arrumei tudo, depois você arruma seus documentos, que eu vou dá andamento no seu passaporte, junto com o meu.
- Ta bom, e que dia agente vai?
- Assim que tudo ficar pronto. – Sorri de alivio.

            Ir com minha prima pra Bélgica seria bom, pelo menos companhia eu teria lá. Alguns dias se passaram, tudo estava arrumado, consegui ajeitar tudo sem ninguém desconfiar, minha mãe ainda ficava pensativa nos cantos, sempre com um olhar triste, de desapontada, aquilo realmente cortava meu coração, dando mais incentivo pra cometer a tal loucura de ir embora pra um país desconhecido, grávida de gêmeos.

            Chega o tão esperado dia. Eu e a Graziiy já tinha planejado todo o esquema, ninguém além de nós duas e um amigo nosso que também estava indo pra Bélgica sabia.
            Acordei com uma forte dor de cabeça, eu estava preocupada não consegui dormi direito. Levantei zonza da cama, quase três meses de gestação minha barriga já apontava, ou melhor, ela já tava bem grande. Segurei na cômoda a fim de ganhar sustentação, uma auxiliou minhas pernas doíam também.
            Cheguei à cozinha, minha mãe estava sentada com a mão apoiada no rosto, isso estava ficando freqüente.

- Oi, bom dia mãe! – Cumprimentei indo em direção ao banheiro.
- Bom dia! – Cumprimentou tristonha minha mãe.

            Meu coração? Em pedaços, claro, não gosto de vê-la sofrer, eu e minha mãe nunca tivemos tanta aproximação, estava acostumada a nem olhar no rosto dela de manhã, mas naquela situação era como se uma faca bem afiada estivesse passando por toda a extremidade de meu corpo.
            A manhã foi conturbada, arrumei escondida, minhas roupas em uma pequena mala que havia em meu quarto, não as dobrei com cuidado, fui jogando tudo lá dentro. Peguei também as roupinhas dos meus bebês, que já tinha ganhado de amigos, vizinhos e parentes.
            Minha mãe saiu cedo pra trabalhar na creche, meu irmão caçula ainda dormia, e meu outro irmão estava pra escola, meu pai ficava a semana inteira no posto onde trabalha pra não poder olhar minha cara quando estivesse em casa. Ele tava com muita raiva de mim, na verdade eu também estava.

            Já de malas prontas liguei pra Graziiy.

- Ou já arrumei, vem aqui buscar, por favor, chama o Moises também.
- Ta bom Pam, você ta levando tudo?
- Sim, não quero deixar nada pra trás, vai ser como se eu nunca tivesse existido.
- Você tem certeza que é isso que você quer?
- Sim, tenho certeza Graziiy. Ou vou desligar me deu fome.
- Ta bom, daqui 10 minutos to aí.
- Ta bom. Xau.
- Xau.
            Desliguei rapidamente o telefone, estava com fome, muita fome por sinal. Na cozinha agarrei um pacote de bolachas. Sentei na sala com as pernas pra cima, liguei a TV estava passando Bob Esponja.
- Rafaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaael! – Gritei pra acordar meu irmão caçula.
- Você é feia! – Gritou do quarto. Não sei a graça que tem mais ele sempre fala isso comigo, talvez ele tenha mesmo razão.
- Ta passando Bob Esponja amor, vem ver.

            Sem demorar nem um segundo a mais ele saiu correndo do quarto, e se jogou no sofá. Ficamos em silêncio, ou melhor, eu estava em silêncio meu irmão que não.

- Paaaam... – Escuto alguém me chamar ao longe.
- Too indo... – Sabia que era a Graziiy, conheço a voz dela de longe. Peguei minha mala que estava escondida no guarda-roupa e a levei até minha prima.
- Pronto ta tudo aqui – Disse fechando a porta do carro – Acho que não ficou nada pra trás, assim que minha mãe chegar da creche eu vou pra sua casa viu Graziiy.
- Ta bom Pam, agente vai ta te esperando lá.
- Ok! Agora eu vou entrar por que o Rafa já ta acordado.
- Ta bom, xau.
- Xau gente.

            Caminhei em direção a porta do fundo, uma tristeza me abateu, deixar minha família era difícil pra mim, necessário, mas difícil.

- To com fome! – Reclamou meu irmão ao me ver na porta da sala.
- Ta bom, já to indo arrumar algo pra você comer, trem. Pode ser rosca com Nescau?
- Rosca de açúcar, com Nescau e café.
- Ta bom.

            Procurei na ponta dos pés uma sacolinha com as roscas que minha mãe havia comprado antes de sair, peguei o Nescau no armário. Sentei na mesa e com muita preguiça cortei a rosca antes de tacar Nescau dentro delas. Fiquei enjoada ao ver aquela rosca no prato. Sai correndo pro banheiro.

            Que droga, odeio quando acontece isso. Lavei minha boca, escovei meus dentes novamente, e levei o lanche pro meu irmão impaciente na sala.
- Pronto, come rápido, tenho que te dar a vitamina antes do 12:00 hrs.
            Sentei no outro sofá, estava passando Os pingüins de Madagascar, eu adoro esse desenho, sinceramente aqueles pingüins são doidões.
            O resto da manhã foi chato, tomei banho, arrumei meu cabelo, dei a vitamina por Rafa, quando minha mãe chegou, ela preparou o almoço com calma, após ter comido fui ao meu quarto, precisa dormi, queria ter um momento em que não tivesse que me preocupar com nada, que eu pudesse viver o que eu queria viver, e não o que fosse melhor pros outros.

Acordei enjoada, por causa do cheiro de alho fritando que vinha da casa de minha avó que é ao lado da minha.
            Quando deu aproximadamente 14:00 hrs disse a minha mãe que iria na Graziiy, eu estava de chinela havaiana, de short e bata branca, com florzinhas na borda.
            Minha mãe não disse nada. Parei em frente ao portão, olhei pela ultima vez minha casa, a partir de agora eu era apenas uma mera lembrança pra eles. Andei com rapidez pelas ruas pouco movimentadas. Percorri o mesmo trajeto até a casa de minha prima, o carro de nosso amigo já estava estacionado em frente ao beco.
            Entrei na casa, minha tia não estava lá, nem ela sabia que estávamos indo embora. Moises segurava uma mala em uma de suas mãos e a Graziiy acabava de fechar a mala do João Pedro.
- Oi... – Cumprimentei.
- Oi Pam, nossa você vai assim?
- Uai, como você queria que eu saísse de casa? De salto alto? Minha mãe iria achar estranho, eu vou trocar de roupa aqui, não pira ta.
- Hahaha, então vai de pressa por que minha mãe daqui a pouco chega e ela não pode nos ver saindo.
- Ain, não grita já to indo.

            Entrei no outro quarto, peguei minha bolsa que estava no sofá, eu já tinha colocado nelas as roupas da viajem então a Graziiy não a jogou no carro junto com as malas. Coloquei uma sapatilha rosa, uma calça preta e uma bata branca de laço rosa.
- Ta bom assim. –Disse saindo do quarto. – Vamos?
- Onde vocês estão indo com essas malas? – Perguntou minha tia, nos surpreendendo ao chegar à porta da sala.
- Mãe, deixa eu te explicar, boom... – A Graziiy contou toda história pra minha tia, menos é claro o nome do pai dos meus bebês, a reação da minha tia foi completamente estranha da reação que eu esperava.
            Ela sorriu.
- Bom vocês são maiores de idade, sabem o que vão fazer – Ela falava olhando pra mim – Mas Pami, você tem certeza que vai para um lugar desconhecido, grávida de gêmeo? Ta certo que você vai estar com a Grazielle e com o Moises, mas sua mãe e seu pai não vão estar por perto, e você também ta ciente que a Grazielle não tem nenhum juízo né...
- Mãe! –Reclamou Graziiy.
- Você sabe que é verdade, só estou alertando, por que depois vocês voltam aí chorando, e reclamando que ninguém avisou que seria difícil.
- Eu sei que não vai ser nada fácil Tia, mais eu não posso ficar aqui no Brasil, não posso – Falei colocando uma mão sobre minha barriga – Nós ficaremos bem. – caminhei para dar um beijo em minha tia, ela nos acompanhou e nos ajudou a colocar o resto de malas que faltava no carro.

            Nos despedimos...


Continua...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Esqueci de Te Esquecer...


Capitulo 5


            Passou um mês e comecei a ficar estranha, estava com raiva de tudo, pensei que era TPM, não falava com ninguém sobre o Luan, ninguém exatamente ninguém, soube o que ouve naquela noite, o segredo estava guardado a sete chaves.

            Dois meses e as coisas ficaram mais estranhas ainda, eu dormia de mais, ficava enjoada de mais, minha menstruação não vinha, fiquei desesperada, completamente desesperada. Obviamente eu estava doente, e muito doente, nunca me senti assim, eu tinha que ir ao médico, mas com a correria do dia deixei de lado, resolvi ir outro dia.

            Era numa sexta feira estava na escola, estudando anatomia, minha professora passou exercícios em grupo e eu como sempre levantei agitada pra poder juntar com minhas amigas de costume, não vi mais nada, simplesmente minhas vistas escureceu e desabei no chão.

            Acordei no hospital, coberta com um lençol mais ou menos na altura da cintura, numa sala completamente clara, com soro ligado. Não ouvi muita coisa, o corredor estava movimentado gente indo e vindo, pisquei pra ver se não estava tendo algum tipo de pesadelo. Mas vi alguém se aproximar da cama.

- Pami? – Hamanda que estava sentada com olhos preocupados veio ao meu alcance quando viu que havia acordado.
- O qu... – Não consegui mencionar nada, minha cabeça doía achei que tinha batido-a por que estava dando fincadas fortes, levei uma de minhas mãos para me certificar que estava tudo em ordem.
- Pam, sua pressão caiu e você desmaiou na sala. Ta todo mundo preocupado, não liguei pra sua mãe não quero desesperá-la, e prefiro conversar com você antes.
- Conversar? O que aconteceu, cara que dor de cabeça.
-  Pam, me responde, você ta grávida?
- Quem? Minha mãe ta grávida?
- Não Pam, acorda! Você está grávida? Por que não me disse antes? Por que escondeu?
- O que? Eu grávida você ta doida... Eu não tive... – Parei, fiquei completamente gelada, completamente imóvel, olhei pra Hamanda com olhos cheios de lágrimas, não podia ser verdade, não podia ser, aaaaaaí meu Deus.
-  Pam? Você ta bem Pami?
- Eu... Não posso estar grávida Mandinha. Deve ter algo errado... – Comecei a me desesperar, olhei pro soro que caia gota por gota, e esforcei um pouco pra ficar sentada na cama, tinha que analisar o que aconteceu, não podia estar... Grávida.
-  Pam... Pelo amor de Deus fala comigo.
- Aín... – As lágrimas não me obedeceram, e involuntariamente levei uma de minhas mãos ao meu ventre. Eu estava grávida? A meu Deus, eu estava grávida.

            Em certo momento me senti feliz por estar levando comigo algo do amor de minha vida, mas em outro lado fiquei preocupada. O que fazer agora? Não posso tirar, mas não posso ficar com o... Bebê.
-  Pam, fica calma amiga eu to com você ta?!
__Ai Hamanda... – Mais lagrimas escorreram pelo meu rosto, uma tristeza misturada com felicidade me invadiu, abracei minha amiga que estendeu os braços pra me acolher.
__Eí calma me conta, com quem você ficou nos últimos dias? Ou melhor, nos últimos meses?
__Bom... – Me afastei pra pensar um pouco.

            Eu não havia ficado com ninguém depois do Luan, não havia chance nenhuma deste filho que agora eu carregava no ventre for de outra pessoa, mas o Luan não pediu isso, ele tem o trabalho, e ninguém precisa saber de quem esse bebê é. Não, definitivamente não, esse filho é meu, só meu.

- De ninguém Mandinha, esse bebê é só meu.
-  Pam!
- Desculpa Hamanda, mais eu não vou contar, nem se me amarrarem e me ameaçarem jogar facas pelo meu corpo, eu não conto e ponto final.
- E pro seus pais? O que você vai fazer?
- Eu não sei, mas não vou contar a eles também, essa criança é minha então eu vou cuidá-la.
- Ain amiga por que você não tem juízo?

            Dei de ombros, e logo as portas do quarto foram abertas.

- Podemos entrar? – Perguntou minhas amigas doidinhas.
- Oi gente. – Falei um pouco rouca, limpando as lagrimas.
            Ficamos conversando por um longo tempo, já era tarde e no mesmo dia eu tinha que voltar pra minha cidade, tive alta, os médicos que estavam de plantão me avaliaram e pediram uma serie de exames.

            Eu e Hamanda fomos levadas de carro pro ponto de ônibus.
            Tive que explicar tudo pras minhas amigas dentro do carro, e pra minhas outras amigas no ponto, não contei de quem era o filho, e prometi a mim mesma que ninguém nesta vida saberia de quem era essa criança.
            Em casa foi uma discussão, deixei pra contar no Domingo quando todos estavam em casa, obviamente não contei quem era o pai. Foi difícil pros meus pais aceitarem, mas depois de muita conversa eles não tiveram outra escolha a não ser me ajudar.
            Pedi que não perguntassem sobre o pai da criança, por que aquilo era assunto meu.

            Mas um mês se passou e minha barriga já começava a aparece.
Era o dia do primeiro ultrassom, estava nervosa, minha mãe e a Hamanda quiseram me acompanhar, deixei né fazer o que?

Dentro da sala a Doutora me ajudou a deitar estava com dor na coluna, com cuidado fui posicionada para o exame. Duraram alguns minutos, ain meu bebê pude enxergar pouca coisa, mas vi algo estranho.
- Doutora, o que é aquilo ali?
- Bom você quer que seja menina ou menino?
- A Doutora, pra mim tanto faz.
- E se você tiver a possibilidade de ter um casalzinho?
- Casal? Como assim casal? – Alterei o tom de voz, ela estava estranha, melosa, chorona, eu estava perdida, não sabia se chorava, ou se corria.
- Acalme-se Pamela, sim você esta grávida de gêmeos. O sexo não esta visível porque ainda não se formou... – Sua voz era como eco na minha cabeça, sinceramente não entendia nada, bom, eu entendia, mas não queria aceitar.

            Grávida, tudo bem, mas gêmeos? Por que comigo? Meu Deus eu mal consigo cuidar de mim, e agora tenho que cuidar de DUAS crianças, alguém me belisque to tendo um pesadelo. Minha mãe que estava ao meu lado, mal conseguia respirar, Hamanda colocou uma das mãos no ombro dela, como se estive a apoiando. Para ai! Eu que preciso de apoio, eu que vou dar a luz duas crianças de uma vez só. Eu que tinha que ter carinho nesse momento, aaaaah eu quero o Luan.

            Parei com esse pensamento, o filho... Os filhos são meus, nada dele. Não temos nada a vê mais.
            A Doutora, falou mais uma serie de coisas, que mal entraram na minha mente, depois com mais cuidado do que antes, fomos embora pra casa. Não queria ver ninguém, precisava do meu cantinho feliz, eu tinha que pensar desta vez eu estava realmente encrencada.
            Deitei em minha cama, com um de meus ursos ao meu lado. A foto do Luan no meu criado ficava me observando, a olhei querendo chorar, as lágrimas escorriam sem dó pelo meu rosto.
- Ain Luan, e agora meu amor? O que eu vou fazer? – Queria ter a resposta, queria que ele estivesse ali e me abraçasse, que me desse força, mas ele não estava, eu estava sozinha, completamente sozinha.
Fechei meus olhos e dormi um soninho gostoso. Precisava dormi, precisava sonhar, nos meus sonhos é o único lugar que eu posso ser feliz, que eu posso viver sem medo de errar.
            Meu celular toca. Abro devagar meus olhos a fim de achar o bendito telefone, que estava jogado no chão do quarto.

- Alô? – Atendi sem olhar o identificador.
- Oi moça, tudo bem?
- Hã... Tudo bem sim, quem ta falando? – Perguntei dando uma olhada no identificador, que apareceu numero desconhecido.
- Sou eu Pam, ta reconhecendo minha voz não?
- To não, quem ta falando por favor?
- Poxa é a Graziiy.
- A Graziiy por que você não disse antes, e fica me ligando no confidencial a muié.
- A ta no confidencial? Sabia não.
- Não né, sei.
- Ou onde você ta? Como foi o ultrassom?
- Foi ótimo, sabia que não daria pra ver os sexos, por que ainda não estão formados.
- Sexos? Você ta mesmo falando no plural Pam?
- Sim, amor no plural, adivinha?
- Não!!!  – Fez silêncio por alguns minutos – Não me diz que...
- Sim, são gêmeos.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA... Serio? Meu Deus Pamela, e agora, e o pai do... Ou melhor, dos bebes?
- O que tem ele?
- Você não pode criar gêmeos sozinha Pam.
- Posso e vou.
-  Pami...
- Espera ai, onde você tá?
- To aqui em casa por quê?
- Espera ai tenho que conversar com você.
- Ta bom.
- Daqui a pouco to ai, só vou trocar de roupa.
- Ta bom, xau Pam.
- Xau muié.

            Desliguei o telefone. Abri meu guarda-roupa a fim de achar algo mais solto pra vestir, na minha cidade estava quente, peguei um short, uma bata e minha chinelinha Havaiana.
- Onde você vai? – Perguntou minha mãe, com cara de preocupação.

            Nossa vê-la daquela forma estava me torturando, eu não devia ter ficado com o Luan, agora minha mãe esta sofrendo por que vai ser avó.
- Vou na casa da Graziiy.
- Atah, cuidado, não demora.
- Ta bom mãe.


Continua...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Esqueci de Te Esquecer...

Capitulo 4

            Um frio tomou conta de mim, quando imaginei o que faria depois. A porta do elevador se abriu, caminhei devagar pelo saguão quando fui parada.
- Pam! O que você esta fazendo aqui?
- Oi Rober, boom... – Pensei por alguns minutos numa resposta, como eu iria dizer ao Rober uma coisa que nem eu sei bem o que estava fazendo? Que droga, pensa sua anta, respirei fundo – Hã, Rober eu não posso ficar aqui, me desculpa diz pro Luan que eu o amo muito, e que não quis me despedir dele, por que isso doeria de mais.
- Ele ta dormindo?
- Sim, o deixei no quarto dormindo, você diz a ele que eu o amo e que nunca o deixarei, que mesmo distantes nossos corações nunca estarão longe.
- Eu digo Pam. Mas você vai embora sozinha?
- Sim eu preciso pensar, preciso de um tempo sozinha.
- Eu vou pedir que te levem embora.
- Não Rober, não precisa. – dei-lhe um beijo no rosto – Xau fica com Deus, manda beijo pra banda.
- Tchau Pam, te cuida menina.
- Pode deixar. – Disse dando uma ultima olhada no hotel, onde meus sonhos se realizaram, onde o amor da minha vida estava dormindo.

Sai caminhando devagar, de cabeça baixa segurando o começo de meu choro, aprecei um pouco o passo com medo de me arrepender.
            A rua estava mais fria do que pensei, meu coração doía tanto, não segurei desabei a chorar, não queria mais nada na vida, não queria mais viver, doía por dentro ficar sem o Luan, e o pior eu não podia ficar com ele.
            Andei devagar pelas ruas de Uberaba, precisava ligar pros meus amigos, alguém tinha que me buscar estava sem forças pra andar, sentei-me no banco de uma praça meio movimentada. Eram quase duas da manhã e tinha muita gente na rua.
            Peguei meu celular no bolso, e pra minha surpresa alguém estava me ligando, número desconhecido, nesta hora só podia ser meus amigos, preocupados comigo, atendi com pressa.

- Oi, tava indo ligar pra vocês agora, dá pra vir me buscar?
- Por que você saiu sem despedir de mim?
- Hã... –Fiquei em estado de choque, eu sabia quem tava falando, mas mesmo assim quis perguntar. – Hum, quem ta falando?
- Pam, é o Luan. Eu acordei e você não estava aqui, por que saiu assim?
- Por que eu não gosto de despedida, o Rober não te falou?
- Sim ele falou, mas queria ouvir da sua boca.
- Desculpa ter saído daquele jeito, mas é melhor assim.
- Melhor pra quem? Pra você? Por que pra mim não é.
- Luan, acabou eu nunca mais vou ver você, acabou despedida sempre me machucam ainda mais me despedir da pessoa que eu mais amo nesta vida.
- Pam...
- Não, não diga mais nada, vou ligar pros meus amigos, preciso ir pra casa, tchau  Luan, fica com Deus, te cuida guri, bjux. – Não o deixei dizer mais nada, apenas desliguei o telefone.

            As lágrimas caíram em meu rosto, o que ele queria? Foi só uma transa né?! Não foi nada de mais pra ele. Esperei mais alguns minutos para recuperar da dor, tinha que ligar pros meus amigos, já estava tarde de mais, não podia ficar andando sozinha na rua como um zumbi.

            Disquei o primeiro numero que vi. Eduarda Cristina.

            O celular toca 1, 2, 3, e ninguém atende. Desliguei tentei outro. Tais. O celular toca 1, 2, 3, e ninguém atende, já estava ficando com raiva, o ultimo o Tass, disquei e o celular toca novamente 1, 2... Antes de chamar pela terceira vez uma voz rouca atende.

- Tass, é você?                              
-  Pam?
- Oi sou eu, você ta no apartamento?
- Caramba, estávamos morrendo de preocupação aqui, onde você ta?
- Eu to numa praça aqui no centro, vem me buscar, eu to muito mal.
- Claro, me diz onde é a praça que eu vou te buscar. – Olhei pro lados, a fim de achar alguma referência, depois de dizer tudo que eu achava ser uma referência, despedi do Tass, pra que ele pudesse vir me buscar.

            O silêncio voltou a me perturbar, o cheiro do Luan veio com o vento que batia na minha roupa, não consegui e comecei a chorar novamente.

- Moça você esta bem? –Perguntou alguém se aproximando de mim, levantei a cabeça pra ver quem era não o conhecia era um rapaz, alto, forte, loiro, bonito até.
- To bem sim.
- Você não pode ficar sozinha por aí não em, ta muito tarde, você estava no show do Luan Santana? – Ah que ótimo, tinha que tocar no nome do Luan né.
- Sim, eu estava. – Disse enxugando as lágrimas que caiam sem dó.
- Por que você esta chorando?
- Por nada não, meu dia foi um pouco difícil hoje.
- Hum... Você ta esperando alguém?
- Sim, meus amigos.
- Posso te fazer companhia?
- Uai, pode sim, claro.

            O moço ficou comigo ate o Tass chegar. Entrei no taxi dando adeus ao moço bonito que me fez companhia.
            Tass não me perguntou nada, apenas deu-me seu ombro pra que pudesse deitar. Não demorou muito e já estávamos no apartamento. Duda e Tais estavam na sala sentadas olhando a porta, imaginei que estavam me esperando, me preparei, sabia que seria interrogada, em 3,2,1...

-  Pami, onde você estava? O que aconteceu? Você quase nos matou de preocupação. – Começou Duda.
- Desculpa. – Abaixei minha cabeça, sentando-me no sofá. – Eu preciso descansar, preciso ficar sozinha. – Levantei sem demoras, passei em frente ao Tass e o olhei com lágrimas nos olhos – Obrigada.
- Por nada. – Ele sorriu.

            Não houve mais nada, meus amigos ficaram pra sala e eu fui pro quarto, fechei meus olhos, nos meus sonhos eu estava protegida, ali eu podia ficar com quem eu queria, sem ter medo de nada, sem me assustar, sem me machucar.
            No dia seguinte acordei com uma dor de cabeça imensa, estava zonza, levantei devagar, descalça caminhei até a sala. Não vi ninguém. Fui à cozinha, só o Tass e a Tais estavam presente.
- Bom dia!
- Bom dia Pam, melhorou? – Perguntou Tais pegando uma xícara no armário.
- Sim, só to um pouco zonza, mas daqui a pouco passa. Cadê a Duda?
- Ela foi à banca ali na esquina comprar o jornal, diz ela que queria ver se tinha alguma revista também.
- Hum. – Disse saindo da cozinha.
            O resto da manhã foi tranqüilo, logo à tarde despedimos da Duda e seguimos caminho de volta pra minha cidade.
            Quando chegamos fui direto pra minha casa, não quis tocar no assunto do show com ninguém, quando me perguntaram disse que estava bom. 


Continua...