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domingo, 26 de agosto de 2012

Único


Capitulo 36
Deza  on:
Foi difícil pra mim não olhar pra trás, eu sabia que se eu a olhasse indo embora, minhas lagrimas cairiam, eu queria parecer forte, queria demonstrar raiva mesmo não sentindo com tanta intensidade. Meu ódio era mesmo pra Luan, aquele idiota que quis brincar com nossos sentimentos. E como eu fui burra de não perceber nada!
Dani não gostava dele e eu sentia isso, algo a incomodava, mas não tinha ideia do que podia ser, hoje eu sei, ele a enganou e continuava a me enganar. Mas em certo momento Dani também me enganara, ela tinha que ser punida também, mesmo que por pouco tempo. Luan, esse sim merece minha rejeição, minha distancia. Ainda mais agora com essa carreira de cantor dele, estava muito ocupado viajando direto, vários shows pelo interior do estado e de estados vizinhos, que nesses havia um pouco mais de sucesso digamos, sertanejo aqui no Rio não cola muito não.
Eu não queria sair daquela praia, o vento me confortava, com frio eu me encolhi o Maximo que pude. Mas a noite já havia chegado, eu já havia chorado, tentado entender tudo o que estava acontecendo, o que deu na cabeça do Luan fazer tudo aquilo com a gente. Cansada de tentar achar resposta resolvi me levantar, passei por um quiosque, comprei uma água de coco e resolvi voltar pra casa caminhando, já se passava da oito da noite, eu não queria chegar em casa e ver Dani, não agora, enrolaria o Maximo pra chegar em casa, talvez ela tivesse dormindo e eu não precisasse olhar pra ela.
No meio do caminho percebi que estava próxima da casa de Luan, na verdade, eu já estava na rua da casa dele. Apressei meus passos e dei de cara com a Irma dele em frente sua casa.
- Oi! – Ela veio falar comigo e eu fiz a melhor cara de tudo bem pra ela.
- Oi. Tudo bem? – Perguntei por educação.
- Ta tudo bem, você veio falar com o Luan?
- Não, so to passando por aqui mesmo,  é caminho pra minha casa.
- Vocês brigaram? Ele ta com uma cara de bunda. – impossível não ri com a cara que ela fez.
- A gente discutiu sim, mas vai ficar tudo bem. – menti, ela não precisava saber da cachorrada que o irmão fez. Bom, deixa eu ir antes que ele me veja e venha fazer as pazes, eu não quero, não por hoje. – menti de novo.
- Tudo bem, Luan merece as vezes um castigo desses, pode deixar que não vou contar que te vi ta?
- Obrigada. – sai quase que correndo da frente dela, não queria mesmo que Luan me visse, mas acho que não adiantou muito, foi eu virar a esquina e dei de cara com ele. Na verdade esbarrei nele.

- Ah, me desc... Deza?
- Não, aqui é o que restou dela. – fui grossa.
- Deza, eu... Me deixa explicar?
- Você já me explicou mais cedo Luan, eu não entendi e não quero entender, quero distancia, você podia colaborar né?
- Deza, por favor – Luan segurou em meus braços me trazendo pra mais perto, aquela voz manhosa dele, me fez amolecer, mas eu não podia deixar as coisas assim e simplesmente esquecer, eles mereciam o castigo. – Eu to muito confuso, eu gosto de você, eu gosto da Dani, mas não sei bem o que fazer, vocês são diferentes uma da outra e cada uma me conquistou de um jeito diferente. Me ajuda! – Eu ri sarcástica.
- Te ajudar como Luan, pedindo pra Dani te aceitar e eu sair do caminho de vocês pra vocês serem felizes? Eu também gosto de você caramba! Acha que é fácil abrir mão de você? – despejei tudo de uma vez, burra. Não era pra dizer nada disso. Lagrimas caíram dos meu olhos, idiotas.
- Ela já fez isso por você deza!
- Como assim? – Perguntei, Luan me soltou finalmente, eu não queria, seu corpo era como um ima pro meu, doía quando eu tinha que ficar longe.
- Ela saiu de casa.
- Como você sabe?
- Eu liguei pra ela pra...
- Eu sabia, você não me quer, você quer que eu te ajude com ela, você so merece meu desprezo mesmo.
- Calma, eu queria saber se vocês estavam bem, então ela me disse que tinha saído de casa. Imaginei que as coisas entre vocês não estavam bem e resolvi te procurar, mas você também não estava em casa. Então voltei pra cá e te encontrei.
- Dani sempre na minha frente. Eu que ia sair de casa Luan.
- Porque?
- Porque eu não ia aguentar te ver no braços dela, sendo feliz com ela. Eu sei que você gosta dela e ela.. Ah é apaixonada por você, caso contrario não faria nada do que fez. Eu tenho que ir pra casa, saber pra onde ela foi. Me deixa em paz Luan, por algum tempo. Por favor.
- Eu vou viajar, já te falei. Dois meses viajando pelo interior do Brasil, divulgando meu trabalho, eu não quero me esquecer de você, você me incentivou quando eu precisei, eu tenho um carinho enorme por você Deza.
- Pra mim não é o suficiente Luan, mas agora também não me interessa seu sentimento por mim, eu não o quero. – fui fria. Luan apenas segurou meu rosto me olhou nos olhos sorrindo e me roubou um beijo, apenas um encostar de lábios, uma despedida enfim, fechei meus olhos com força.
- Me desculpe por tudo, sei que não será agora, mas sei que vai me perdoar, e que a gente possa se ver mais na frente e quem saber rir de tudo isso, vamos estar mais velhos e ver que tudo isso o que aconteceu foi algo pra no fazer ficar maduros pra vida, obrigada por aparecer na minha. Eu gostei muito do nosso envolvimento, aprendi algumas coisas e acredito que você também.
- A não me entregar tão fácil? É aprendi mesmo. – Fui rude.
- Serio, Andreza, quero poder te ver mais pra frente, quando tudo isso acabar, quero olhar pra essa situação e ver que tudo foi um engano, um erro meu de adolescente.
- Você não é um adolescente Luan!
- Mas vai parecer coisa de um, você vai ver. Quando tudo tiver mais calmo, eu quero estar com você outra vez. – Me segurou pelas mãos e puxando-me me abraçou e me beijou outra vez, dessa vez mais demorado, atreveu-se a pedir passagem com a língua, mas não a dei. Sorriu sem graça entendendo que de minha parte não estava tudo tão bem assim, eu precisaria de mais tempo.

Continua... 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Único


         Capitulo 35


         Liguei minha moto super barulhenta, sempre gostei deste estilo meia rockeira, desleixada da vida, sem ligar pra nada, família, amigos, amor, sem nada. Apenas no mundo, eu era assim no mundo.
         Rapidamente cheguei em casa. Vish, minha casa. O que era aquilo?! Tão fria, tão silenciosa, o ar era de velório. Fui ao meu quarto aquilo não era mais meu recanto feliz, não tinha nem vida naquele lugar. Olhei o som, pensei em ligar uma musica algo pra passar o tempo e esquecer tudo. Não consegui, passei a mão sob as caixinhas de som ao redor da estante, cada pedaço do meu corpo se arrumou para jogá-las longe.
         Controlei-me.
         Fui ao banheiro, tomei aquele banho, descarregador de energias ruins. Só que elas não saíram, não queriam me deixar, me senti cada vez mais suja, mais porca, mais nojenta.
         Sai enrolada na toalha, meus pés molhados faziam pegadas pelo quarto. Andava de um lado pra outros, a procura do nada. Ao longe, atrás do guarda roupa, vi uma bolsa, a minha bolsa não muito pequena, minha bolsa de caveirinha que mamãe me dera quando estava no México.
- Aí... Saudades da minha família.
         Sem nem mesmo vestir uma roupa, sem nem se quer pensar direito, peguei aquela mala, de repente minha única vontade era sumir, desaparecer. E desejava nunca ter saído do México.
         Já se passava das 20 horas. Andreza ainda não tinha voltado, provavelmente se acertou com Luan, e eu? Eu iria sobrar nessa historia. Hora de desaparecer.
- Dani? Dani... O que você ta fazendo? – perguntou Duda espantada.
- To indo embora Duda, pra mim essa historia já foi longe demais.
         Ainda parada na porta Eduarda olhou para os lados, como se estivesse procurando alguém, e na verdade estava.
- Cadê Deza? Você falou com ela? – não respondi – Dani – gritou – Fala comigo pelo amor de Deus.
         Parei, sentei na cama, continuando dobrando as roupas meio que por cima.
- Eu a vi, mas ta tudo terminado, tudo resolvido, ela me quer longe, é isso que vou fazer, ficar longe.
- Como assim? Pra onde você vai? – disse se aproximando e começando a tirar as roupas da sacola.
- Não... Para, larga isso Duda – briguei colocando-as de volta. – Eu não sei pra onde eu vou... Na verdade não faço a mínima ideia, só sei que não quero ficar aqui, me deixa...
- Você é muito cabeça dura, Dani... Como pode.
         Acabei de juntar minhas coisas em silencio, de mim só ouvia o coração batendo, respirar? Eu não sabia se estava respirando ou fungando de raiva. Raiva, ódio, nojo, de mim... De mim, por ser fraca, e besta eternamente besta.
         Tudo arrumado, acabado. Minhas coisas que não eram tantas assim couberam numa pequena mala. A mala de mamãe. Eduarda já estava mais que desesperada, sentada na poltrona perto de minha cama, só observando.
- Preciso que você mande os restos das minhas coisas assim que conseguir arrumar um lugar pra ficar. Tipo, não sei quando vai ser, vou ver se fico num hotel até achar sei lá, pensão... Algo assim, não se preocupe amiga – me aproximei de Eduarda – Eu vou ficar bem, mas pro bem de vocês também, é preciso fazer isso... Deixa o fogo aqui abaixar, deixa colocarmos tudo em ordem. Não se preocupe ta? – a abracei, fazendo aquela pititinha sumir no meio dos meus braços – Te vejo na aula segunda.
         Dei um beijo em sua testa. Logo, peguei minha mala e meu capacete. “Ir de moto com essa mala não vai da muito certo”. – pensei.
- Toma Dani... – Duda ao me ver na porta da sala, joga sua chave. – Pelo menos leva meu carro, se você não encontrar onde ficar durma dentro dele né, e segunda vou de moto pra aula, e te devolvo ela.
- Obrigada Duda! – disse enfim. Mal joguei minha chave na estante e logo virei novamente pra porta. Odeio despedidas.
         O carro de Dudinha era bem pequeno, a cara dela rsrsrs... Duvido que consiga dormi por aqui. Liguei o som, Away From The Sun – 3 Doors Down.
- É pra acabar o mundo – disse a mim mesma.
         Rodei a cidade quase tuda, afim de achar um lugarzinho pra dormi, não tinha muito dinheiro no bolso. Hotéis caros, pensões cheias, véspera de fim de ano essa merda sempre é assim.
         Falando em final de ano, meu aniversario já ta quase chegando, é... ô aniversario bom viu, sem família, sem amigos, sem ninguém pra comemorar. É a vida né. Um dia a gente tem muito outro dia, temos nada.
         Parei num estacionamento perto da praia. Gosto muito daquele lugar, pensei em sair do carro. Mas tava frio abaixei o som, quase no mudo. E assim, os olhos pesados pelas lagrimas escondidas, foram se fechando.
         Ao som de Just a Dream meu telefone toca.
- Merda não posso nem dormi em paz – xinguei em silencio. Procurei passando a mão no banco ao lado, a fim de achar o inferno do telefone. Rapidamente o encontrei. Nem identifiquei quem era. Apenas queria acabar com aquilo logo, e voltar a dormir.
- Oi... – disse um pouco seca.
- Dani... Onde você está? Ta tudo bem? – perguntou Luan quase sem voz.
- Você ainda pergunta Luan? Como você acha que eu to? Briguei com minha melhor amiga, sai de casa... Eu to bem obrigada. – o ódio por Luan era grande, mas acho que em mim a raiva, era estendida a uma única pessoa. A mim mesma.
- Você conversou com a Deza? Como assim saiu de casa? Dani, onde você está?
- Luan... Pelo amor de Deus, me deixa em paz por favor. Nós dois juntos, já destruímos vidas de muita gente, deixa... Deixa eu sozinha.
- Mas Dani...
         Desliguei.
Minha mão pegava fogo com vontade de estraçalhar cada pedacinho do meu cérebro, e do coração idiota que carregava. Meus olhos não conseguiram mais segurar as lagrimas, e assim elas caíram.
Em meio a tristeza, e o silencio do estacionamento. O choro e a dor eram o único barulho, até que todo silencio foi abafado pela chamada do meu celular.
- Mas que droga... Eu já disse que não era pra você me ligar novamente – falei sem ouvir, sem até mesmo pensar.
- Ei Dani, que violência é essa? Te fiz nada não! - com um tom assustado, reconheci quem era ao telefone, desta vez não era Luan, era Tony, meu Doutor... Meu anjo da guarda.
- Aí meu Deus... desculpa Tony, pensei que você outra pessoa.
- Uma pessoa que você não quer ver nem pintado de ouro né Dani.
- Se possível, nem ouro nem prata... Quero mais é aquele menino longe de mim.
- Nossa. Pra te deixar com tanto ódio assim, tem que haver um bom motivo né.
- Esse é um bom motivo Tony. – sorri de lado, tentando esconder as lembranças, e as cenas que vinham fortemente na memória.
- Onde você está? Posso passar aí na sua casa, to aqui perto, aí resolvi te ligar...
- Não to em casa Tony.
- Hã? – sua voz mudou completamente, ficou um pouco decepcionado.
- Eu estou num estacionamento – sorri com o fato – Tive que sair de casa, aconteceu probleminhas lá.
- Num estacionamento, Dani? O que você está fazendo num estacionamento? São quase meia noite.
- Minha intenção é fazer este estacionamento minha casinha por hoje.
- Você ficou doida? – se alterou – Ah... Esqueci com quem estou falando, você “é doida” né.
- Ha-Há-Há... – fingi risada, super falsa. Abaixei um pouco mais o banco. Ah, ele não abaixa mais. Que droga!
- Você vai dormi aí?
- Uai, sim... A Duda me emprestou o carro dela, vou dormi nele.
- Dani, você vai acorda toda amassada amanhã, esqueceu que o carro da Duda, é pra formiga?
- kkkkkk... essa vou ter que contar a ela.
- Vem pra cá. Digo, você pode ficar aqui em casa, até achar um lugar, ou voltar pra sua casa, eu fico aqui sozinho mesmo, vai ser bom ter sua companhia aqui Dani.
- Serio? – parei pra pensar, nas possibilidades, será? Será? Aí meu Deus, é muita tentação pra uma pessoa só, não contei a vocês, mas eu tenho uma queda pelo Tony hih shiiiu, não conta pra ele. – Não vai ter problema? Tipo, eu sou sua aluna e tudo né Tony.
- Dani, acima de minha aluna você é minha amiga, você acha que eu morando sozinho deixaria você dormi na rua? Nunca né. Vem pra cá. To indo pra casa, te espero lá, não demore. Beijos – Tony desligou o telefone. Filho da mãe desligou na minha cara.
         Bom, não podia perder essa oportunidade. Aín, eu precisava de um banho e de uma cama bem quentinha. Liguei o carro de Duda, e imediatamente segui em direção a casa de Tony, já fui la varias vezes pra gente ver filme, meu amigo de longos anos né. Ele sempre me ajudou, anem... olha só, ta ali novamente me acolhendo.
         Tony morava sozinho, vivia só pra estudar e trabalhar trabalhava no hospital central, e tinha sua própria clinica de neurologia, alem de tudo aquilo aguentava os alunos chatos da faculdade.
         Meu grande amigo.
         Rapidamente já estava na casa de Tony, parei com medo de me aproximar. Por que estava com medo? Aff, até parece que nunca estive ali, sozinha com ele.
         Mas agora seria diferente, eu não iria ali ver filme, eu iria ali morar. Morar com ele. Ai meu Deus, nós dois sozinhos nessa enorme casa. Isso não vai prestar – pensei ainda dentro do carro.
         Respirei fundo. Apanhei minha bolsa que me acompanhava no banco da frente.
- Vamos lá – caminhei sobre a grama. A casa de Tony era tão linda, gramado super aparado e cuidado pelo Jardineiro Sebastião seu grande amigo dizia Tony, por viver sozinho os empregados começaram a ser sua família. A mãe de Tony morreu quando era bem novo, e seu pai sumiu no mundo quando tinha 3 anos, vida difícil né. Ele foi morar com a avó e assim seguiu até agora, faz nem 1 ano que ela morreu. Velhice. Morreu dormindo, contou-me.
         Toquei a campainha, quis dar meia volta e ir embora, queria tanto meu quartinho de volta. Mas já era tarde demais, a porta estava se abrindo e por trás dela, ali estava meu loirinho lindo. Usando uma bermuda super trapo, e uma camiseta cavada.
- Oi... – disse um pouco tímida.
- Oi amor. – cumprimentou Tony se jogando em meu corpo. Seus braços acolhedores apertavam-me.
- Tony... Eu... Eu não sou de ferro. – brinquei.
- Tava com saudades de você.
- Você me viu ontem – lembrei.
- Mas foi muito tempo. – sorriu – Vem entra. – com um solavanco pegou rapidamente minha pequena mala.
- So isso?
- Você acha o quê? Sou estudante de medicina, não sou rica não meu filho. – fui entrando, já estava mais calma.
- Sei como é essa vida, passei por isso por um longo tempo. – Tony foi subindo as escadas – Vem vou te mostrar seu quarto.
         O segui. A casa era enorme, nunca tinha visitado a parte de cima, so a sala e a cozinha, e seu quarto. Quando resolvíamos ver TV lá. – não pensem besteira.
         Nunca fiquei com Tony, oportunidade nunca faltou, mas não sei. Sempre fui fiel ao Danilo, besteira minha né. Acabei levando chifre. Droga de amor!
- Aqui! – disse Tony, parando de uma vez no meio do corredor, fazendo-me tombar nas suas costas. Estava muito distraída em meus pensamentos. – Calma Dani, isso aí é meu. – sorriu.
- Desculpa... Mas você também fica parando de uma vez no meio do caminho né... não tenho culpa.
- Olha... calma aí menina.
         Tony empurrou com facilidade a porta. O quarto era pequeno, pequeno para os que já to acostumada a ver, o quarto dele, por exemplo, daria dois daquele. Mas fiquei feliz, não gosto nada grande, fico perdida e com uma sensação estranha de abandono.
         Uma cama de casal no centro, um guarda roupa do lado direito embutido com a parede, diz ele que havia um banheiro também, não vi.
A casa era antiga, só foi restaurada, mas seu projeto antigo continua ali. Bem que os quartos, os azulejos do banheiro todos estavam bem conservados, nada foi mudado por inteiro, apenas a fachada, Tony é enjoado com a aparência.
         Enfim, entrei calmamente observando cada pedaço do meu novo cantinho feliz. Estava com um cheirinho tão bom de lugar limpo, de casa de família, casa de mamãe tinha esse cheiro. Olhei Tony, ainda parado na porta segurando minha mala. Ele sorriu.
- Eu amei. Obrigada! – agradeci correndo pros seus braços.
- Por nada minha linda, agora vai descansar, se precisar de alguma coisa vou estar no meu quarto estudando.
- Ta bom... – peguei minha mala de sua mão. Tony deu um beijo em minha testa e voltou para o corredor. – Tony – gritei – Você é um bom amigo, obrigada.
- Não tem que agradecer – sorriu. Abaixou a cabeça e continuou seu caminho.
         Respirei fundo. Seu perfume continuava no ar. Aí Deus, me ajuda. – pedi em silencio.
         Fechei a porta. Coloquei a mala numa pequena poltrona perto do guarda roupa. Olhei pela janela, a casa era bem alta estávamos no segundo andar e mesmo assim parecia que tinha uns 2 abaixo de nós.
         Peguei um pijama na mala bagunçada. Agora era achar um banheiro. Havia um neste quarto, Tony disse, mas cadê?
         Olhei, por entre os cantos, perto da janela. Parei. O guarda roupa, lembrei que nas velhas casas em minha cidade, o povo dos casarões tinham em seus quartos banheiros embutidos nos guarda roupas. Estranho né? Mas é. E foi tiro e queda. Achei. Na porta do meio, dava entrada ao banheiro. Pequeno e confortável. Azulejos azuis celeste, havia banheira ali. Tony era muito conservador deixou tudo como se estivesse na época que a casa foi construída.
         Liguei a torneira, dourada. Uma água tão quentinha. Aí é hoje que durmo nesta banheira.
         Joguei minha toalha por cima do ferro de apoio. E assim me joguei na banheira. Estava tão gostoso que devo ter cochilado. Enxuguei e fui pro quarto. Enfiei debaixo do edredom macio. Precisava sumir por alguns anos.

Continua...

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Único


Capitulo 34
 

Dani on

Eu não sabia se ia pro meu quarto chorar por tudo o que havia acabado de acontecer, ou se ficava escondida ouvindo os dois conversarem. Mas como eu sou burra meu Deus! Como pude deixar isso acontecer? Eu pedi, implorei pro Luan me deixar em paz, mas não, ele revolve vir me procurar. Isso ia acabar acontecendo...
E agora? Será que Deza vai me perdoar? Seria ruim demais perder uma amiga e perder o... Amor da minha vida? Não resisti e fui ouvir um pouco a conversa dos dois... Andreza parecia calma, mas eu a conheço. Estava sendo fria. Ou tentando, sua voz transparecia toda a raiva que estava sentindo dele e de mim com certeza. Ela já estava pedindo pra ele a deixar sozinha. Ele disse que iria viajar a trabalho, é a carreira dele ta indo muito bem, logo ficará famoso.
Ai, logo ela vem conversar comigo, o que eu faço? Corri pro meu quarto e me deitei a espera dela pra conversarmos.  Não mereço o perdão dela. Eu a trai. Certo eu não sabia que ela e Luan estavam juntos quando ficamos, mas hoje... Eu sabia e mesmo assim não resisti àqueles lábios macios, aqueles olhos me implorando por um beijo. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA ele é um safado mesmo!
Ouvi a porta da sala bater e fiquei sem saber o que pensar, será que era Duda saindo? Ou o Luan? Fui ao quarto da Duda e a encontrei lendo um livro.
- Duda posso entrar?
- Claro Dani, como que você esta? E a Deza ainda ta conversando com o Luan? Não ouvi gritos.. – ela disse séria.
- Acho que ele já foi, ouvi a porta batendo. Ain Duda, não sei o que fazer. Logo ela deve vir conversar comigo e não to com cabeça pra isso.
- Amiga, uma hora ou outra vocês vão ter que conversar, se acertar.
- Ela tá com muita raiva Duda, eu vi nos olhos dela, e quando ela disse que nem sabe se vai falar comigo, eu gelei. Eu posso ter perdido a amizade dela. E tudo isso por causa de uma noite que cai na lábia desse Luan ai.
- Agora não adianta chorar a burrada feita, e você não sabia que eles estavam juntos. Errado ta ele de fazer isso com vocês. Ele se aproveitou de vocês, e tá aproveitando agora a “carreira de cantor” dele pra deixar vocês nessa situação. – ouvimos a porta bater outra vez.
- É a Deza! Eu preciso falar com ela, Duda!
- Vá ate ela então Dani, mas acho que você deve esperar o tempo dela.
- Não consigo, vou dar uma volta e se eu não a achar eu venho pra casa ok?
- Ok. Você quem sabe.
Dei um beijo na Duda e voltei em meu quarto pegando minha bolsa e saindo logo em seguida. Moramos perto da praia e aposto que Andreza estaria por lá. Eu estaria se fosse ela, o barulho do mar me acalma, o cheiro da brisa me faz bem, e acredito que nela também há esse efeito. Quando fomos alugar o apartamento, isso foi um dos fatores pra escolher “nossa casa” tinha que ser  próximo a praia. Nossa dizer nossa casa, nem sei mais se será. Não posso mais morar com ela, não agora depois de tudo.
O vento batia em meu rosto fazendo meus cabelos voarem e o vento que batia em meu pescoço me arrepiava, mas não sabia se era o vento ou nervosismo. Eu a vi sentada na areia, com os cabelos da mesma forma que os meus, voando a favor do vento.
Caminhei até ela, e quando ela percebeu minha presença, seus olhos encheram de lagrimas e um sorriso atravessado se formou em seu rosto. Não consegui decifrá-lo, mas resolvi continuar caminhando ate ela.
- Oi. – disse me sentando ao seu lado e olhando o horizonte.
- Oi. – foi seca.
Continuei ali ao seu lado olhando o mar, sentindo o vento me arrepiar por completo. Então decidi falar alguma coisa.
- Eu não sabia Deza. Me deixei envolver. A culpa é minha. – Deza nada disse, apenas suas lagrimas caíram de seus olhos. Apertando-me o coração
- Ninguém sabia de nada pelo visto. – disse com raiva, limpando as lagrimas que caiam em silencio em seu rosto.
- Quando eu descobri, que foi no dia que vi vocês se pegando no sofá, eu logo dei um basta em tudo, não quis mais saber. Eu mantive distancia. Não queria nem o ver.
- É por isso que você o odiava? Pra eu não desconfiar de nada? De que vocês dois estavam me fazendo de boba.
- Eu queria te contar, Deza, juro!
- E devia mesmo ter me contado, eu também não ia continuar com ele, terminaria tudo e não ia dar tempo de... – parou para respirar fundo, mas eu já sabia qual a palavra que ia ser dita. – me apaixonar por ele. Bom eu acho. Agora já não sei o que sentir.
- Eu também fiquei confusa, eu pedi pra ele te contar, se não eu contaria.
- Mas não contou. Dani – Disse me olhando finalmente – Eu não quero perder sua amizade, e pra isso não acontecer, eu preciso de um tempo pra mim, eu vou sair de casa.
- Você o que?
- Isso, vou sair por ai, meu curso entra em recesso essa semana e eu posso trancar minha matricula. Eu vou viajar ficar longe de você e do Luan. Eu me envolvi muito com ele enquanto você viajava.
- Pra esquecer ele. – a interrompi.
- Mas não deu certo, ou então não estariam se beijando tempos atrás.
- Foi ele quem me agarrou Deza, eu não queria, juro que não queria.
- Não quero falar disso. Eu vou sair e pronto.
- Não! Quem tem que sair sou eu.
- Já esta decido. Só preciso decidir pra onde vou e eu saio. E depois quando me sentir melhor eu volto ao Rio e ai sim podemos ter outra conversa. Agora por favor, me deixa sozinha?
- É o que você quer? Ficar sozinha agora?
- É. – e voltou a olhar o mar, me ignorando por completo.
- Tudo bem, eu vou dar uma volta então... Me perdoa Deza?
Ela continuou a me ignorar, me levantei  com lagrimas nos olhos, eu estava perdendo minha amiga. Fiz meu caminho de volta pra casa e acabei tomando uma decisão.

Continua...