Leia também

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Esqueci de Te Esquecer...



                              Capitulo 10       

            Na entrada do consultório uma moça nos esperava, uma menina novinha, uns 20 anos mais ou menos, cabelos longos e ruivos, pele branquinha igual algodão, ela sorria pra Caio, fiquei com ciúmes, ele virou olhou pra mim e sorriu, ignorando a menina.
- M. Caio, Jayne est em attente s’il vous plaît me suivre (Sr. Caio a Dra. Jayne está a sua espera por favor me acompanhe).
- Vamos amor – Chamou-me Caio segurando minha cintura.
           
            Passamos por um corredor branquinho, todo iluminado e cheio de quadros, alguns estranhos outros bonitos. Entramos em uma sala ampla, bem arejada com uma mesa à frente, uma mulher de cabelos longos, lisos e castanho escuro, um sorriso branquinho.
- Oi meu amigo, como estas? – Perguntou a Doutora falando nossa língua, eles pareciam bem íntimos, não gostei muito.
- Oi Jayne, estou muito bem e você? Melhorou? Fiquei sabendo que estava com problemas com sua família.
- É melhorei, foi só uma discussão.
- Que bom que esta tudo bem, boom, eu quero lhe apresentar minha namorada – namorada? Ele me chamou de namorada? Uai, agente ta namorando e eu não to sabendo? – Pamela essa é a Dra. Jayne que te falei, uma velha amiga minha.
- Amiga, sei – Disse entre dentes – Oi prazer Dra. Jayne – Encarei a mulher que estava a minha frente.
- Oi prazer é todo meu, sente-se – Cumprimentou-me mostrando umas cadeiras super confortáveis para nos sentarmos. – Então vamos lá, o Caio me disse que você esta grávida de gêmeos...
- Sim, - Respirei fundo – Estou...                  
- Olha que coisa maravilhosa, parabéns pra vocês dois – Nós dois? Ta bom, preciso ter uma conversa com o Caio quando chegar em casa, como assim “parabéns pra vocês dois”? O que será que ele anda dizendo, que eu estou grávida dele? Ain... – Por favor me diga o seu nome inteiro – Perguntou Dra. Jayne esperando minha resposta pra começar a digitar meus dados.
- Bom, meu nome é Pamela Gonçalves, tenho 19 anos, nasci dia 04/11/1992...
- Você fazia acompanhamento medico no Brasil?
- Sim, comecei a fazer mais aconteceu algumas coisas que me impossibilitaram de continuar.
- Quantos meses que você está?
- 3 meses e 20 dias.
- Humrum, e aí ta sentindo algum desconforto? Alguma dor?
- Bom, ontem a noite eu senti umas fincadas muito fortes no meu ventre, pensei que fosse contrações, mas logo passaram.
- Sei – Ela digitou mais algumas coisas, se levantou de sua cadeira, pegou seu estetro e seu esfigno para aferir minha pressão – Bom, sua pressão esta um pouco alta, você tem casos na família de hipertensão?
- Sim, alguns parentes meus tem hipertensão, mas minha pressão sempre é normal.
- Ok, bom vou ficar de olho em você, temos que fazer acompanhamento, vou marca um ultrassom pra ti no final de semana, lá pra sexta-feira ok? Seus bebês parecem fortes, mas tu tem anemia e sua pressão esta alta.
- Sim Doutora eu não vou faltar.
- Caio vai cuidar muito bem de você.
- É eu sei que vai. – Disse olhando meu novo amor, eu devia cair na real e deixá-lo, caramba era errado isso né, ficar com um, grávida de outro.
 Ele sorri, meu mundo desaba, deito meu rosto em seu ombro, sua mão livre me envolve, esquecemos da Doutora, ela tossiu.

- Obrigado Dra. Jayne – Agradeceu Caio ainda me envolvendo no seu abraço.
- Obrigada! – também agradecei.
- Por nada queridos.

            Não demorou muito para sairmos do consultório, a Dra. Jayne era bem legal, parecia que eu estava em mãos de dois médicos muito bons.
            Passamos pela recepção, a garota ainda estava por lá, ela nos olhou e sorriu, retribui o sorriso e Caio fez o mesmo.
            Já dentro do carro fez silêncio. Eu observa as ruas, estava na época de Natal, pensei na minha família no Brasil, pensei nos meus amigos que havia deixado pra trás, pensei na minha vida que eu tinha lá, e no Luan. Ain o Luan, não sei por que ainda penso nele, foi só uma noite nada mais, jurei a mim mesma que os filhos que eu carrego é só meu, que não tinha nada a ver com ele, mas o Caio não é o pai, ele estava fazendo o papel de pai mais isso é injusto, ele tem que ter os filhos dele um dia, uma família.

            Pensei por longos minutos no que fazer de minha vida quando meus pequenos nascerem, até que Caio chamou minha atenção.

- Amor! – Cutucou-me Caio.
- Oi...
- Olha lá que linda. – Espiei pela janela, era uma arvore imensa estavam todos preparados pro Natal.
- Ela é realmente muito linda amore. – Falei encostando meu rosto em seu ombro novamente.
- Você quer ir pra casa?
- Sim, por favor. – Disse com uma voz chorona.

            Não demorou muito e já estava lá em casa, estranho falar em casa, mais era isso que aquele lugar era pra mim, a minha casa, a minha nova casa.
            Caio abriu a porta e eu estava atrás igual a uma múmia, eu mal andava, ele que me puxava. Não havia ninguém na sala, estranhei.

- Eu vou na cozinha comer alguma coisa ta?! – Falei dando um beijo no rosto de Caio.
- Ta bom amor, vou procurar o Moises.

            Quando cheguei na cozinha Chickity estava com o João Pedro brincando de aviãozinho, ele deve que não queria Jantar né. Entrei de mansinho, peguei algo na geladeira pra comer, um pedaço de torta. Sentei ao lado de Chickity e fiquei a observando da comida pro meu pequeno.

- Vous ne pouvez pas manger très sucré Pami (Você não pode ficar comendo muito doce Pami! ) – Disse Chickity me fazendo sorrir, ela sabia que eu não entendia absolutamente nada.
- Quando eu entender eu te respondo ta?
- Vous devez apprendre à parler français (Você precisa aprender a falar Francês)
- Chickity eu não entendendo nada, vou dormi ta bom.               

Não a esperei responder, deixei o prato que comi a torta na pia, e sai da cozinha determinada ir pro meu quarto. Mais fui parada ao chegar ao corredor, Graziiy estava com uma pressa e mal falou algo apenas segurou em minha mão e saiu me arrastando até que estivéssemos fora do apartamento.

- Eí, dá pra me dizer alguma coisa? Eu preciso de uma explicação né, aonde vamos?
- Vamos ali comigo eu preciso conversar com você.
- Ta bom.

            Entramos no elevador.

- Bom aqui ta seguro. Eu passei em frente ao quarto do Moises e ouvi-o com Caio conversando.
- Hum, sei o Caio me disse que iria falar com o Moises, o que tem isso?
- Eu ouvi ele perguntando ao Moises, se ele ajudava ele num negocio.
- Que negocio?
- Ele ta querendo te levar pra ver seus pais no Brasil no Natal.
- Como assim ver meus pais no Natal? Ir pro Brasil? – Alterei a voz – Ele ta doido? Eu não posso ir ao Brasil, não posso e o Luan? Ai meu Deus eu não posso.
- Eu só queria te contar isso por que sabia da sua reação, e provavelmente ele irá te contar a noite, acho que antes ele queria saber a opinião do Moises.
- E o que foi que aquele trem disse?
- Ele contou tudo, disse que você estava aqui escondida dos seus pais, ele só não contou como que chama o pai dos bebês, graças a Deus que ele não sabe, por que se não ele contaria isso também.
- Eu preciso conversar com o Caio, tenho que contar a verdade há ele.
- Você vai falar sobre o Luan com ele?
- Não, sobre o Luan não, eu só vou terminar o que não devia ter começado.
- Você vai terminar com o Caio, Pam?
- Sim amor, eu não devia ter ficado com ele, vou agradecer por tudo e amanhã sairemos desta casa.
- Que droga Pam, eu tava gostando daqui.
- Eu também, mais não há outra maneira a não ser irmos embora.
- Você tem certeza?
- Sim tenho!

            Saímos do elevador Graziiy foi da uma volta pela cidade, a fim de apreciar talvez o último dia morando num lugar tão lindo como esse bairro, e eu subi novamente ao apartamento, agora era só eu e o Caio.
            Tombei com Moises no corredor quando sai do elevador, ele disse que estava indo atrás da Graziiy, perguntei se Caio estava em casa, ele disse que sim, que só estava ele, a Chickity e o João Pedro também havia saído há alguns minutos.

            Despedimos.

            Caminhei mais lentamente do que o normal estava com medo, na verdade estava com raiva de mim por não conseguir ser mais dura e fazer o que tem que ser feito. Quase dei pra trás ao abrir a porta e ver Caio deitado no sofá da sala de visita. Ele sorriu pra mim, minhas pernas tremiam mais que vara verde. Respirei fundo.

- Pam, amor você ta bem?
- Eu preciso falar com você Caio.
- Hãn vem cá, senta aqui vamos conversar, eu também quero falar com você.
- Você começa. – Falei logo após ter sentado no sofá.
- Ta bom, - Ele parou antes mesmo de começar, me olhou atentamente fiquei com vergonha, não gosto quando me olham daquele jeito – Você tem certeza que esta bem? Parece meio pálida.
- Eu to bem, pode falar.
- Eu conversei com o Moises e ele me contou que você saiu fugida de casa né.
- É eu sai.
- Por quê?
- Bom... Eu não tava conseguindo olhar pros meus pais, eles estavam tão arrasados, tão magoados, acabados, sabe, nossa meu coração doía tanto, ver os olhos deles cheios de lágrimas, eu cheguei a pensar em desistir de tudo, de me matar e não causar mais dor aos meus pais, que sinceramente não merecem o que eu fiz com eles.
- Pami... Você só estava grávida.
- Só, só estou grávida, e acabei decepcionando eles, poxa eu tinha uma vida inteira pela frente, eu só tinha 18 anos quando tudo aconteceu, quando fiz o meu primeiro ultrassom e vi que estava carregando comigo duas crianças ai sim meu mundo caiu, minha mãe mal olhava pra minha cara, ela não falava nada comigo, não comia direito, não dormia direito, não estudava direito, não vivia, tive que tomar uma decisão, se eu não podia me matar, então eu sumiria da vida de meus pais como se eu nunca tivesse conhecido eles. Por isso não quero ir ao Brasil neste Natal, eu não quero voltar ao Brasil nunca mais Caio, sei que você quer me levar pra lá, ouvi a conversa sua e do Moises quando estava passando em frente à porta do seu quarto...

 Tive que mentir não podia falar que foi a Graziiy que ouviu a conversa e me contou depois

- Eu não quero lhe prender aqui, não quero que você se responsabilize por uma coisa que você não fez, os filhos são meus, eu os fiz e eu que vou arcar com tudo, desculpa mais não posso mais continuar aqui, não posso mais viver sobre seu teto, você é novo e tem uma vida inteira pela frente, você pode criar uma família, ter filhos, uma esposa que te ama. Obrigada por tudo que você fez por mim, pelos seus carinhos, pelo seu amor, pela sua casa que você nos emprestou durante esses dias que estive aqui, mais amanhã sairei cedo com meus amigos, e vamos procurar uma casa, não queremos mais estragar tua vida. Não me arrependo de nada que fizemos, você só me fez bem, mais isso já foi longe de mais...
- Pam... Posso falar?
- Não você não tem nada que falar, eu já decidi e nada que você dizer vai mudar minha opi... – Fui parada, nossos lábios se encontrar com uma força absurda, não tive como o parar, estava perdida e envolvida por ele.
- Não vá embora, por favor? – Pediu-me Caio desgrudando nossa boca, para me abraçar.
- Caio, eu... – Não consegui segurar, desabei no choro – ...Eu to tão sozinha sabe, meus pais me odeiam por ta grávida, meus amigos tem dó de mim e por isso me acompanharam, o pai dos meus bebês não pode ficar comigo, eu não sei com quem contar, não sei o que fazer to mais perdida que cego no tiroteio, eu sou nova mal consigo cuidar de mim, imagina eu cuidando de duas crianças meu Deus, não posso te prender a mim Caio, não posso te dizer EU TE AMO sendo que meu coração pertence a outro.
- Pam, eu não to pedindo que você me ame, sei que amor é com o tempo, agente agora que ta se conhecendo, eu me sinto tão ligado a você, eu não vou te abandonar guria, nem que me matem. Você jamais estará sozinha. – Falava Caio olhando em meus olhos cheios de lágrimas. A minha consciência doía, sei que Caio é gente boa e tal, mais prende-lo a mim não é certo.
- Isso não é certo Caio.
- Eu não me importo Pam.
- Caio... Eu não posso ficar com você.
- Pam, olha é difícil você se apaixonar por mim, sei que você gosta do pai dos seus filhos, mais então fica aqui em casa, fica perto de mim, como amigos.
- Como amigos?
- Sim, amigos – Ele estendeu a mão pra que eu pudesse pega-la, como se tivéssemos fazendo um acordo, sorri.
- Obrigada – Não peguei em sua mão, avancei e lhe dei um abraço forte.
- Estou fazendo isso por que eu amo você, não sei como mais eu amo, e sei que você também pode me amar, é questão de tempo.

            Fizemos silêncio, me senti mais segura do que nunca.                   



Continua...

domingo, 25 de setembro de 2011

Esqueci de Te Esquecer...



Capitulo 9

            Acordei com uma dor muito forte no ventre.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAin – Gritei com as mãos na barriga.
- Pami? O que aconteceu o que você ta sentindo? – Perguntou Caio preocupado sentando-se na cama.
- Eu to com dooooooooor, aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa ta doendo, Caio me ajuda.
- Ta acalma, respira. – Ele levantou o lençol – Você não tem sangramento, Pam, deve ser uma contração – Ele se levantou pegou o estetoscópio e o esfignomanometro que estavam na minha bolsa, pra aferir minha pressão, não demorou muito, a dor já havia passado, meus bebês estão crescendo, deve ta apertadinho de mais pra eles – Bom sua pressão esta um pouco alta amor, isso não é muito bom, eu sou cardiologista não cuido dessas coisas mais tenho uma amiga que é obstetra e ginecologista, vou marca uma consulta pra você.
- Humrum – Concordei, envolvendo Caio em um abraço forte. – Obrigada, a dor passou, eu vou tomar um banho agora, e depois agente conversa. – Falei por fim, segurando no colchão pra ter impulso e me levantar, fui direto pro banheiro.
            Tudo bem que Caio é um amor, com ele me sinto segura, e esqueço-me daquele rapaiz que canta, mais não posso ficar com ele grávida, meus bebês já reconhecem isso, ooown tão novinhos e já sabem o que querem.

            Tomei um banho rápido, vesti um pijama. Minha intenção era ir pra sala encontrar meus amigos, e deitar no peito do Caio quando conversávamos. Mas, não consegui sair do quarto. Estava sozinha, Caio tinha ido ver como estava meus amigos, e me deixou descansar, eu queria pular do prédio, sumir e não mais viver, pensei em meus filhos, pensei que agora teria um motivo pra continuar vivendo, no meu ventre estavam dois bebês que vieram do homem que eu mais amei na minha vida, o homem que me ensinou a não desistir dos meus sonhos, mesmo eles sendo impossíveis.

            Deitei na cama, peguei o travesseiro e o coloquei no rosto – Pensa sua idiota – Gritei, sufocando o grito no travesseiro.

- Assim você morre! – Disse Caio na porta do quarto.
- Não morro não. –Falei retirando o travesseiro de meu rosto e o jogando novamente em seu lugar.
- E ai como você ta? – Perguntou sentando-se ao meu lado novamente.
- Uai, to bem amor, a dor passou era só meus bebês com ciúmes.
- Ciúmes? É deve ser mesmo, mas de qualquer forma já liguei para a Dra. Jayne ela te atenderá hoje à tarde.
- Hum, ta bom eu preciso mesmo consultar, sai do Brasil sem nem ver minha médica.
- Vai dá tudo certo ta meu amor?! – Consolou-me Caio sentando ao meu lado – Você acredita em amor a primeira vista? – Perguntou sem mais nem menos, deixando-me boquiaberta.
- Acredito, por quê?
- Por que eu estou completamente apaixonado por você Pam, desde o primeiro segundo que te vi, desde o primeiro momento que ouvi tua voz, eu não consigo mais parar de pensar em você, ontem a noite foi o momento mais feliz de toda minha vida...
- Caio – Disse parando-o – Você sabe muito bem que isso é errado né?
- Errado? É errado amar você Pami?
- Sim, presta atenção Caio, olha pra mim poxa, ta vendo essa barriga? Você sabe que eu to grávida, sabe que eu to grávida de gêmeos, sabe que os filhos não são seus não tem como ficarmos juntos comigo deste jeito.
- Ei, eu não ligo de quem esses meninos são, eu não ligo pra nada, eu quero você Pamela, entende isso muié – Caio se aproximava ainda mais de meu rosto, estávamos tão próximos que seu hálito fresco me fazia arrepiar, eu o queria mais não podia tê-lo, isso era errado de mais né.
- Caio... por favor não faça isso, não faça isso comigo – Falei olhando fixamente pra sua boca, que me chamava.
- Eu sei que você me quer, sei que você me ama, no fundo você me ama também. Diz pra mim que você me quer, fale a verdade Pam, diz pra mim?
- Eu... – Respirei fundo – Eu te quero ma... –Não consegui continuar, nossos lábios se encontraram novamente, eu estava entregue novamente aos braços de Caio.

            Minha consciência doía, eu amava o Luan, mas o Caio me deixava feliz, ele estava me fazendo feliz, por mais que eu não queira ficar com ele, talvez esse seria o melhor caminho a tomar, preciso de um pai pros meus bebês, preciso esquece o Luan, e com certeza eu aprenderia a amar o Caio, isso era só questão de tempo.

            Acordei com a mão de Caio em minha cintura, não estava sentindo dor, meus pequenos estavam quietinhos, já eram mais de 14:00 hrs eu tinha que tomar outro banho, havia uma médica pra visitar.
            Levantei devagar, estava com medo de sentir contrações, andei com mais cuidado até o banheiro, lá pude relaxar, não senti nada. Depois do banho arrumei meu cabelo, peguei uma meia calça, um vestido, uma boina, uma bota, tava bom assim, o Caio tinha ido ver meus amigos, quando voltou no quarto me surpreendeu pegando minha cintura.

- Você está linda!
- Não to não. To gorda!
- Você ta grávida, tu quer ficar magra?
- Certo, mas já ta na hora?
- Sim, vamos?
- Hum... – Respirei fundo, virei pra ele, sorri – Vamos.

            Fomos até a sala de mãos dadas, os meninos que estavam vendo TV olharam e sorriram.

- Onde o casal ta indo? – Perguntou Graziiy deitada no ombro de Moises.
- A gente ta indo no médico, preciso consultar né flor?
- Ain é mesmo Pam, a gente nem pensou nisso quando saímos do Brasil.
- Coisa que nois pensa né Graziiy.
- Verdade. – Rimos.
- Xau, a gente se vê mais tarde.
- Xau amores. – Falei dando xau pro João Pedro que brincava com Chickity no chão da sala.

            Saímos do apartamento, no elevador encontramos um casal de idosos de mãos dadas, sorri quando eles olharam pra mim.

- bonne après-midi (Boa Tarde) – Disse o casal quando se despediram de nós no elevador.
- Ooown o que eles disseram?
- Hahaha Boa Tarde, vai se acostumando, tenho que dá umas aulas pra você e pros seus amigos.
- É também acho. – Falei sorrindo, ao sair de mãos dadas do elevador com Caio.


            Entramos no carro de Caio, as ruas de Bruxelas estavam calmas, um frio do cão, os prédios altos me chamavam atenção, mas não havia nada mais bonito do que os campos de girassóis, os imensos jardins, que tinham em cada canto daquela cidade. Pronto, estava apaixonada pela minha nova casa.
            Caio me mostrou alguns pontos turísticos da pequena Bruxelas, eu observava as pessoas andando, comendo, sorrindo, povo tão diferente do que estava acostumada a ver.
            O carro parou em frente ao um imenso prédio, outro prédio grande, saímos do carro, olhei pra Caio ele sorriu.

- É aqui amor, o consultório de minha amiga Dra. Jayne.
- Ta certo, amiga né.
- Iiiih, que lindo, crise de ciúmes?
- Não só to querendo saber mesmo.
- Sei. – Disse abraçando-me com um sorriso enorme. – Je t’aime (Eu Te Amo)
- Eu também amo você. – Falei sorrindo.
- Você entendeu?
- Tem umas coisinhas que já to arranhando.
- Ooooown, Je t’aime. – Nos beijamos no meio da rua algumas pessoas passavam e olhavam eu nem tava ligando – Amor, vamos entrar já estávamos um pouco atrasados.
- Sim, vamos lá né, seja o que Deus quiser.


Continua...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Esqueci de Te Esquecer...

Capitulo 8

O voou foi longo. Um pouco cansativo, dormi no ombro do Caio ele me fazia cafuné, a gente parecia bem intimo já, não sei de onde vinha essa nossa aproximação, parecia que nos conhecíamos há anos.
            Vimos o filme pelo Notebook dele, cara, o filme tinha mesmo muito sangue, fiquei enjoada de ver.
            Algumas horas depois pousamos. Agora sim, estava ciente era o começo de uma nova vida.
            Olhei Caio e sorri, ele fez o mesmo. A aeromoça falou umas paradinhas que não prestei atenção, fiquei atenta na janela olhando o meu novo mundo.
            Desembarcamos, Caio me ajudou a pegar minhas malas, Graziiy e João ficaram só olhando, Moises pegou as deles.
- Vocês já têm onde ficar? – Perguntou Caio, quando estávamos andando até a saída do aeroporto.
- Pensamos em ficar em um hotel e depois procurar uma casa, resolvemos tudo na correria, não planejamos direitinho. – Disse Graziiy colocando o João Pedro no chão.
- Bom, eu moro sozinho, minha casa é bem grande, ainda me pergunto por que comprei uma casa tão grande só pra mim – Disse Caio sorrindo – Mas enfim, se vocês não se importarem, podem ficar lá em casa, seria bom ter companhia.
- Aceitamos... – Gritou Graziiy correndo atrás do João que desempestou na nossa frente.
- Espera Graziiy, Caio, foi muito bom te conhecer, você é muito educado, e tal mais não podemos aceitar, tipo a Graziiy tem criança pequena dá um trabalho do cão, faz bagunça de mais, eu to grávida, de gêmeos ainda, e toda hora to passando mal, tenho que ir no méd... – Parei e lembrei que ele é medico – Tenho que consultar, eu vou ter que trabalhar, e com certeza vai ter que ser de babá, por que não vão aceitar Tec. Em Enfermagem aqui eu estou com visto de turista vai dá um trabalhão pra você aqui.
- Uma, eu amo crianças, duas não vou me importar de você estar grávida na minha casa, eu sou médico esqueceu? E tipo, tenho uma clinica e você pode trabalhar comigo, não tem problema, arrumamos seus documentos depois.
- Caio...
- Não, sem mais nem menos, vamos? Fica comigo? – Cara não sei o que me deu, me subiu uma corrente elétrica pela minha espinha, Caio segurou minha mão e olhou dentro de meus olhos, meu Deus do céu, é hoje que esquecia o Luan, mas por frações de segundo a corrente elétrica acabou, as lembranças retornam a minha mente, Caio segurou meu queixo – Como amigos – Ele sorriu, sorri também.
- Ta bom, eu aceito, vai ser bom ter um médico por perto – Sorri e o abracei – Obrigada. - Respirei fundo. A mão de Caio subia e descia em minhas costas fazendo carinho nela.
- Dá nada não, vai ser um prazer ter vocês por perto.

            Soltei de seu abraço, ele segurou minha mão.

            Eu, Caio e meus amigos entramos num Taxi, caio falava muito bem o idioma do pais, eu o olhava ele sorria com vergonha.
            Demos algumas voltas pela cidade, cara aquilo era mesmo muito lindo, prédios altos, arvores nas ruas, pessoas chiques andando de um lado pro outro com saltos enormes enroladas em casacos gigantes, era época de frio na Bélgica, as pessoas ficavam todas enroladinhas.

- É lindo – Falei olhando através do vidro do carro, um enorme prédio, que estava um pouco a nossa frente.
- Você gostou da sua nova casa? – Perguntou Caio, me fazendo ficar boquiaberta.
- É lá? – Perguntou Graziiy também espantada.
- Cara você mora naquele prédio? – Moises perguntou subindo em cima de mim pra ter uma visão melhor do prédio que o taxi parou em frente.
- Sim, essa é a nova casa de vocês.
- Ain meu Deus, cadê minha roça? – Eles riram, do meu desespero.
- Ta certo eu não curto muito aquilo, mas tipo é bonito, e tal, mas ainda não trocaria minha roça por um arranha céu daquele tamanho.

            Descemos do taxi. Na portaria, Caio conversava com uma mulher, não prestei muita atenção estava completamente encantada com o saguão do prédio, tantas flores, pessoas andando pra lá e pra cá, crianças brincando com seus pais sentados nos sofás. Caio segurou minha mão, eu devo ter ficado alienada e esquecido onde estava.

- Vamos? – Perguntou-me sorrindo.
- Sim. – Respondi com um sorriso enorme.

            Não sabia de onde vinha tanta felicidade, Caio me tratava tão bem, se eu não tivesse grávida, ficaria com ele.

- Bienvenue Dame. Rodriguez, bon après-midi à vous et à vos amis  – (Seja bem vinda Sra. Rodriguez, boa tarde pra você e seus amigos) cumprimentou-me a moça olhando sorridente pra mim. Não entendi muita coisa do que ela disse, mas Sra. Rodriguez eu entendi muito bem. Caio disse algo aquela garota em relação a nós dois, sua cara disse tudo quando a moça acabou de dizer, ele me olhou com olhos brilhando, um sorriso tão lindo que não me importei com mais nada, eu queria ficar com ele.
            Sorri pra moça, depois chamei meus amigos que estavam espantados com o lugar, tanto quanto eu.

            Entramos no elevador que nos levou direto ao andar do apartamento de Caio.

Ta me espantei de novo, aquele lugar era lindo, e enorme. Tudo tão bem arrumadinho, bem cuidado, com um cheiro de flores, de campo.
            Sentei-me no sofá, estava exausta, Caio sentou ao meu lado.

- Avez-vous aimé l'endroit, mon amour?(Gostou do lugar meu amor?) respondeu sorridente.
- Amei. – Respondi com outro sorriso, estávamos a dois dedos de distância. A Graziiy tossiu.
- Por favor tem criança no ambiente.
- Agente não ta fazendo nada Graziiy – Disse levantando-me do sofá.
- Não, mas quase.

            Sorri envergonhada.

- Ta bom, então vamos que eu irei mostrar a casa pra vocês – Disse Caio se levantando com rapidez do sofá.

            Não falamos mais nada, eu estava envergonhada, realmente tinha rolado um clima entre nos dois, eu queria muito ficar com ele, mas tinha algo dentro de mim que não me deixava fazer tal coisa. 
            Andamos apreciando cada detalhe da casa, sempre de boca aberta, Caio nos fazia rir contando sobre a empregada que trabalhava pra ele. Seu nome é Chickity, ela era uma mulher bem bonita pra sua idade, uns 50 anos, morena, baixinha, cabelos longos e de trancinha, sua voz era grossa, mas doce como o toque de sua mão quando me tocou pela primeira vez. Ela não me conhecia e quando me viu logo se aproximou com delicadeza, pegou em meu rosto e sorriu.

            Caio havia me falado sobre ela. Ele me disse que ela tinha uma doença e que foi sua paciente, quando descobriu que estava gravemente doente quis se matar, não tinha família e nem trabalho, havia fugido dos E.U.A quando muito nova. Ele contou também que ela virou sua mãe na Bélgica, sempre cuidou dele desde quando se conheceram.

            Chickity junto com Caio nos mostrou toda casa. É realmente era bem grande o apartamento. Chickity mostrou todos os cômodos um por um, os quartos foram divididos, em um pra Graziiy que quis ficar com o João Pedro, e um pro Moises que quis ficar num ao lado do da Graziiy. Caio mostrou o meu quarto que ficava ao lado do quarto dele, sim eu também pensei besteira quando ele me disse onde seu quarto ficava.

            Entrei e me espantei novamente, era tão fofo, caraca. Tinha uma cama de casal, um guarda-roupa, uma televisão, um banheiro, abajur em cima dos criados mudos, telefone, uma janela bem grande, com cortinas brancas, todo o quarto era branco, o banheiro era bem pequeno simplesinho, eu amei. Sentei em minha cama, eu e Caio estávamos sozinhos no quarto, ele sorriu e sentou ao meu lado. Chickity e os outros estavam visitando o restante do apartamento.

- É lindo, obrigada, você tem certeza que não vamos incom... – Disse, mas fui parada Caio encostou seu dedo em minha boca, a fim de me parar.
- Ei já disse que não vai me incomodar to adorando ter vocês aqui comigo. – Falou retirando seu dedo de meus lábios.

            Ficamos em silêncio. Sorri, ele também.

- Seigneur a montré l'appartement à des amis, maintenant je vais préparer le dîner, vous voulez quelque chose de spécial (Senhor mostrei o apartamento para seus amigos, agora vou prepara o Jantar você deseja algo especial) – Perguntou Chickity cortando nosso clima.
- Oui, la nourriture ne Chickity brésilienne, je vous ai enseigné qu'un jour, je veux que mes amis de se sentir à la maison (Sim, Chickity faça comida Brasileira, daquela que te ensinei aquele dia, quero que meus amigos sintam-se em casa). – Falou Caio olhando pra mim, nossos olhares estavam conectados.
- Oui, monsieur (Sim, senhor!) – Retirou-se Chickity do quarto, nos deixando sozinhos novamente.
- Eu tenho que aprender a falar Frances, Nossa Senhora Aparecida, eu to ferrada, uma caipira que mal sabe falar português, falando Frances, hahaha é pro mundo acabar mesmo. – Sorri levantando da cama.
- Eu te ensino, mas agora vamos ver se os meninos gostaram do apartamento.
- Ah, é mesmo, vamos lá né. – Falei indo pra porta.

            Caio encostou-me na porta deixando nossos corpos colados, seu hálito fresco fez com que eu viajasse na imaginação, nossas bocas estavam quase coladas.

- Ranran. – Pigarreou Graziiy no corredor, me assustei e sai dos braços de Caio. Ele sorriu.
- Gostaram da casa? – Perguntou Caio colocando uma mão na minha cintura. Eu o olhei sem entender nada, tipo ele tava doido né?
- É linda Caio, tem uma vista linda do meu quarto, o Moises ta lá babando pelo dele.
- Hahaha imagino.

            Eu não consegui dizer nada, o perfume do Caio me deixou drogada, eu quase o beijei, mas era errado eu estava grávida de outro cara, e não podia fazer isso com o Caio, ele merece alguém melhor, alguém que não pense em um homem 24 horas, uma pessoa que não pense no Luan Santana 24 horas por dia.
            Saímos. Eu queria ver como era a cidade à noite. Nossa mais linda do que de dia, muitas luzes, prédios, casas, pessoas, gente bonita, gente feia, hahaha, tinha de tudo. Cantores em praças, músicas em restaurantes. Voltamos pra casa cedo, a Chickity tinha preparado um jantar especial pra gente, e o João queria dormi também.
            Chegando ao apartamento fui direto pro meu quarto tomar um banho, os meninos também se dividiram, a Graziiy foi à cozinha arrumar a mamadeira do João, Caio e Moises foram para seus quartos eu acho.
            Meu banheiro não era grande, mas era bem arrumado e cheiroso, ain tinha cheiro de flor, peguei minha toalha branca na mala que não havia desfeito, liguei o chuveiro no morno, tomei um banho relaxante, estava tão gostoso que demorei um pouco mais.

            Depois de alguns minutos, desligo o chuveiro me enrolo na toalha, penteio o cabelo que estava uma bagunça, e visto uma roupa quentinha. Ao sair do banheiro encontro Caio sentado na minha cama.

- Me esperando? – Perguntei sentando-me ao seu lado.
- Sim, eu não to agüentando mais Pami.
- O que você não ta agüentando?
- Ficar perto de você e não fazer o que eu quero.
- E o que você quer fazer?
- Isso. – Disse ele por fim, segurando minha nuca puxando- me ate que nossas bocas se encontraram, matando assim minha vontade de tê-lo pra mim.

            Sua mão apertava minha cintura, seus lábios eram quentes, o beijo começou a tomar forma, sua língua finalmente invadiu minha boca e pude sentir seu toque macio, o desejo que tinha tornou-se maior dentro de mim e tive certeza que  nesse momento eu o queria...
Ele me deitou em minha cama, que era muito confortável. Colocou-se com cuidado sobre mim, suas mãos alisaram minha barriga e por instantes me lembrei que havia dois seres humanos dentro de mim, uma parte de um alguém que eu queria muito esquecer...

- Tudo bem, Pami?
-Sim, eu estou bem...
- Não faça nada que não queira!
- Eu quero Caio.

Caio sorriu e voltou a me beijar, o beijo se aprofunda, suas mãos acariciam meu corpo, e o aperto a nuca. Puxo seus cabelos. A temperatura dos nossos corpos aumentam, o calor humano me faz suar um pouco, caio então me deixa sem a roupa que eu acabara de vestir, ele sorriu pra mim e o mundo parou de girar, ele também retirou sua roupa e em poucos segundos estávamos nus. Sentir seu membro me pressionar o corpo era uma ótima sensação e eu o queria dentro de mim...
O clima entre nós era bem intenso, como havia dito, parecia que nos conhecíamos há tempos, e isso ajudou muito nesse momento de intimidade, não foi preciso muito esforço pra ele estar em mim. Senti uma onda de prazer invadir meu corpo conforme ele ia se movendo dentro de mim. Ali eu tive certeza que  fiz a escolha certa e ficar com ele.
Em pouquíssimo tempo estávamos no ápice do prazer, sendo inundado por ondas e sensações maravilhosas, meu corpo tremia, e o caio apenas desacelerava seus movimentos. Não demorou muito também pra que eu e ele pegássemos no sono. Eu porque eu estava muito cansada da viajem e ele, por que... Ah, sabe como são os homens né? Não mudam nem na Bélgica! Kkkkk


Continua...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Esqueci de Te Esquecer...

Capitulo 7


Pronto, agora estávamos sozinhos, a caminho de Belo Horizonte, pra pegar o primeiro voou pra Bélgica. Um novo começo, uma nova vida, sem Luan Santana por perto, só eu, meus amigos e meus bebês.
            A viajem foi cansativa, tivemos que parar em alguns postos antes de chegar em Belo Horizonte. A cidade grande, a capital mineira, bonita, bom eu acho BH muito bonita, ela é realmente muito movimentada, os prédios altos, nossa incríveis, quando pisei lá pela primeira vez, quase cai de costas, tipo uma garota que viveu na roça, morou a vida toda em cidade pequena, do interior, vê aqueles arranhas céus fica espantada.

            Pegamos um taxi na rodoviária mesmo. Andamos um pouco pela cidade até chegar ao aeroporto. Nosso voou seria a tarde. Chegamos cedo de mais, também estávamos “fugindo” né.
            Deitei-me no ombro do Moises a fim de tirar um cochilo, estava exausta, cada segundo que passava parecia uma vida, meus pés estavam inchados, minha cabeça doía. Dormi um bom sono no ombro de meu amigo, ele me fazia cafuné até que deitei em seu colo.

- A Pami, dormiu? – Ouvi Graziiy perguntar baixinho.
- To acordada. – Reclamei mais baixo ainda – To com fome. Vamos à lanchonete comigo? – Perguntei sentando-me no banco.
- Uai, vamos eu também to com fome. Moises você quer alguma coisa?
- Trás umas batatinhas e uma coca-cola pra mim. – Disse retirando uma nota do bolso.
- Ta bom, agente já volta. – Despediu Graziiy segurando na mão do João Pedro que estava brincando com o chaveiro de minha bolsa.

            Andamos pelo aeroporto, a lanchonete não ficava muito longe, chegando lá, fiquei perdida, não sabia o que comer, tinha muita fritura, peguei um pacote de batata pra mim e por Moises, e procurei um refri achei uma Fanta Uva que eu amo, fiz as duas coisas ao mesmo tempo, peguei minhas coisas e do Moises, a Graziiy estava enrolada comprando algo pro João comer.

            Ficamos alguns minutos a mais na lanchonete. Quando minha prima decidia o que levar, eu andava de um lado pro outro olhando as prateleiras de CD e DVD. Achei uns filmes legais, comprei dois pra mim, um de terror e um de comédia, vi um de romance lindo, mas não peguei com certeza se eu o visse lembraria do Luan, e não queria nem se quer ouvir o nome dele.

- Você gosta de filme de terror? – Perguntou-me um moço alto branquinho, cabelos negros arrebitados, braços musculosos, caraca ele era lindo.
- Gosto, e você? – Perguntei observando os filmes que estavam em sua mão.
- Mais ou menos, eu curto ver de vez em quando, esse que você esta pegando é muito bom.
- Serio? Você já o viu? Tem muito sangue? Eu gosto de filme com muito sangue. – Rimos.
- Tem esse é cheio de sangue. – Ele fez cara de nojo, mas abriu um sorriso perfeito, dentes branquinhos. – Eu to acostumado a ver coisas desse tipo.
- Hum. Serio?
- Serio. – Fizemos silêncio, eu olhei pro lado afim de ver se minha prima ainda estava por perto, ela não poderia ir e me deixar ali, a vi ao longe no balcão mexendo nos chocolates, o moço tossiu chamando minha atenção, eu virei correndo pra ele
– Então garota dos filmes de terror, você ta indo pra onde?
- Pra Bélgica. – Respondi com um sorriso.
- Serio? Nossa que coincidência estamos no mesmo voou então, porque eu também estou indo pra lá. Na verdade, estou voltando pra lá, vim passar umas férias com minha família.
- Nossa, que legal, bota coincidência nisso – Rimos.
 - Então, tipo eu nunca fui pra lá, acho um lugar muito lindo pelas fotos que já vi, e tal sabe, mas ir mesmo eu nunca fui.
- Lá é completamente diferente do Brasil, sei lá tipo as pessoas são muito diferentes das daqui, e assim – Ele levou uma de suas mãos na nuca, o observei atenta, ele me lembrava alguém que eu conheço, sorri.
-  Lá você trabalha muito sabe, eu vivo no serviço praticamente.
- Hum, foda né, e você trabalha de que lá?
- Eu sou médico. – Fiquei pasma, cara ele parecia muito novo pra ser medico.
- Caraca, mas tipo você é tão novinho, não pode ser médico.
- Me formei já a um tempinho, nem sou tão novo assim. Bom, fui pra Bélgica assim que fiz minha residência, lá eu tenho minha clinica, minha casa, minha vida ta tudo lá.
- E sua família?
- Bom meus pais moram aqui, minha irmã também.
- E você moça, ta indo sozinha?
- Não estou indo com meus amigos.
- Viajem a passeio?
- Na verdade estou indo pra morar por lá, Brasil pra mim não ta dando muito certo.
- Hum, e você ta pretendendo trabalhar de que lá?
- Uai, eu sou Técnica em Enfermagem, e já fui professora de computação, bom são as únicas coisas que eu sei fazer.
- Você é Técnica em Enfermagem? Nossa que legal...
- Pami... – Graziiy chega com o João no colo
– Segura essas sacolas... – Disse ela parando de falar ao ver o moço que me acompanhava – Meu Deus do céu, eu morri e to no céu?
- Graziiy!! – Chamei sua atenção
 – Muié acorda, você vai derrubar o João cuidado.
- Pami, você não me apresenta seus amigos não?
- Hã... – Respirei fundo e cocei minha nuca – Tipo esse aí é o... – Parei ao me lembrar que não tínhamos nos apresentado antes – Você não me disse teu nome?
- Bom, me chamou Caio. E você é a?
- Pamela,  mas pode me chamar de Pami, e essa doida aqui é a Grazielle ou Graziiy, e esse pequenino aqui é o João Pedro.
- Oi mocinho – Brincou Caio dando uma bala pro João – É seu filho? – Perguntou ele olhando pra mim.
- Não – Sorri.
- Os dela ainda não nasceram. – Disse Graziiy entregando-me as sacolas. O moço ficou sem fala, ajudou-me com as sacolas.

            A Graziiy fez algumas perguntas pra ele, quanto isso eu passava as compras no caixa. Foi muito rápido logo estávamos fora da lanchonete.

- Então, você ta viajando sozinho? – Perguntou Graziiy quando estávamos andando pelo aeroporto a fim de chegarmos até o Moises que devia estar preocupado por que demoramos de mais.
- Sim estou.
- Então por que você não vem com agente, estamos só nós quarto.
- Vocês quatro?
- Sim, tem mais um amigo nosso.
- Hã amigo sei. Seu namorado, Pami?
- Não – Rimos, eu e Graziiy – O Moises é só meu amigo.
- E cadê o pai de teus filhos? – Parei, já havia me esquecido do Luan antes dessa pergunta, as lembranças voltaram rasgando tudo doía tanto que esqueci como se respirava, o mundo parou em minha volta, tudo ficou gelado, ao longe escutei algo bem conhecido, um som que eu levaria pra vida toda, o som da voz de Luan Santana, estava passando o DVD dele em uma das televisões do Aeroporto.
- Você esta bem Pami? – Perguntou Caio preocupado se aproximando de mim. Uma lagrima escorreu pelo meu rosto, olhei pro chão, tampando meus ouvidos. Vi a Graziiy se aproximar de Caio, segurando uma de suas mãos.
- Não toque no assunto dos pais dos bebes, isso é delicado pra ela.

            Fez silêncio entre nós. Minutos depois voltei ao normal, Caio não tocou no nome do pai de meus filhos. O levamos pra conhecer Moises, e logo ficaram amigos, passamos o restante da tarde conversando nos bancos do aeroporto, até que nosso voou foi chamado.

            Minha cabine era a mesma de Caio, mas uma coincidência uniu nossos destinos, rimos já sentados em nossas poltronas. Graziiy, Moises e João Pedro ficaram atrás de nós.

 Continua...