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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Único


 Capitulo 33


 Andreza não falava mais nada, apenas ficou nos olhando. Olhei pra Luan e ele a olhava buscando uma explicação. E pelo jeito ainda não encontrou. Minhas pernas tremiam igual vara verde, Deza respirava fundo esperando que Luan falasse algo pra ela. Eu vi lagrimas em seus olhos. Mas do jeito que ela é não ia deixa-las cair, não agora.
- Anda Luan, me diga o que está acontecendo aqui? O que foi isso que eu vi, anda responde!
- Calma Deza. – Duda tentou amenizar, porem Andreza não respondeu. – Vou deixar vocês três conversarem sozinhos. – saiu Duda em direção ao seu quarto.
- Acho que não temos nada pra conversar. Pelo visto eu to sobrando nessa conversa, não é Dani e Luan?
Deza estava áspera, não sabia se queria ou não uma explicação, Luan sentou-se no sofá parecendo não ter aguentado as pernas, que pelo visto também estavam bambas iguais as minhas.
- Deza, deixa eu falar! – Eu finalmente consegui fazer sair algumas palavras de minha mente e boca.
- Não quero ouvir nada de você Dani. Eu quero uma explicação dele. Porque eu ate esperava uma atitude dessas dele e mas não de você. Com você eu não quero falar... Não agora, ou talvez não por um longo tempo.
- Longo tempo? Por favor Deza, isso tudo apenas aconteceu, não tivemos culpa, nem eu e muito menos você.
- Isso tudo? Então não foi só isso, um beijo, teve mais coisas que vocês andaram fazendo? Me conta Luan.
- Me deixa conversar com ela Dani? – Luan pediu.
- Vocês vão ficar bem? – Perguntei mais pra Deza que pra ele.
- Não garanto. – Deza disse seca, aquela não era mais a minha amiga que ria de tudo e pra todos. Nem quando o ex dela fez aquela idiotices com ela, ela agiu desse jeito.

Deza On

Ver toda aquela cena na minha frente, me fez lembrar  do meu ex namorado, nem aquela traição doeu mais que essa, eu estava mesmo envolvida com Luan, estava gostando de tudo o que  estávamos vivendo, e ele vem e estraga tudo desse jeito? Injusto.
O pior foi ver Dani nos braços dele. E aquele beijo não tinha nem um traço de que pudesse ter sido roubado por ele ou coisa do tipo. Era consentido, correspondido, e isso fazia meu coração doer mais ainda.
Olhei Luan sentado naquele sofá, tentando arranjar uma desculpa pra tudo isso, mas eu sei que não tinha. Eu só não entendia o porquê mentiram pra mim. Poderiam ter me contado. Luan tinha a liberdade de chegar até mim e dizer que não queria mais. Eu entenderia...
- Deza... – ouvi a voz dele e sai de meus devaneios.
Luan fez sinal pra me sentar ao seu lado e eu finalmente me liguei que eu ainda estava de pé na porta. Caminhei lentamente, decidindo ainda se atendia ou não seu pedido. Acabei aceitando, mas me sentei no sofá da frente.
Luan virou de frente pra mim e começou a fala:
- Cara, é muito complicado. Não sei como explicar porque nem eu mesmo consigo entender.  Mas pra resumir a historia: Eu conheci a Dani antes de conhecer você, mas a gente só brigava, ela nunca gostou de mim, eu acho, pelo menos não de cara. Mas ai eu entrei no curso de musica,  conheci você, que foi muito legal comigo, você é linda, eu não resisti e fiquei com você.
- E depois descobriu que Dani e eu somos amigas e quis brincar com nós duas. – deduzi  e Luan riu nervoso.
- Naaaaaaaaao. Eu fiquei mais vezes com você, e esbarrava com Dani pelas ruas da Barra. Mas não sabia que vocês eram amigas. Você lembra que a gente nunca se encontrava né?
- Mas teve um dia que ela nos pegou no flagra aqui, você também se lembra disso né?
- É lembro. Nesse dia eu e a Dani já tínhamos  ficado. – Luan abaixou a cabeça reconhecendo o erro. E minha raiva só fez aumentar
- E mesmo assim você continuou comigo. Você ficou com nós duas, brincou com a gente! Você não merece Luan, o nosso carinho. Como você pôde?
- Eu não sei. Simplesmente aconteceu Deza, eu tava confuso. Eu gosto de estar com você, mas a Dani mexe comigo também.
- Ai Luan! Esse assunto ai não cola comigo não! Você nos enganou. Isso é fato. E não tem desculpas.  E agora o que vai acontecer? Você vai começar a viajar por ai com a sua carreira de cantor e vai simplesmente esquecer a gente, e ainda rir de nós pros amigos contando que pegou duas amigas idiotas que se apaixonaram por você. Somos burras mesmo.
- Calma! Eu não fiquei com as duas, eu fiquei só com você. Quando a Dani nos pegou no fraga, ela não quis mais nada comigo, manteve distancia de mim.
- É por isso que ela te odiava tanto? E você hein, pelo jeito não desistiu dela... Se não desistiu, porque ainda estava comigo? Me diz Luan, porque?
- Eu já disse Deza, eu também gosto de estar com você. – Luan alterou sua voz.
- Mas não fui o suficiente né? Você também quis a Dani. Luan me deixa sozinha... vá embora por favor.
- Você vai ficar bem? – pareceu preocupado.
- Não sei mais o que é ficar bem depois disso.
- Deza... – ameaçou me tocar, mas me esquivei de suas mãos.
- Por favor Luan, sai. – pedi enquanto minhas lagrimas caiam pelo meu rosto.
- Eu tenho que viajar em alguns dias, mas eu volto pra gente continuar a conversa. – Luan limpou uma lagrima de meu rosto com o polegar, logo me acariciando.
- Não sei se quero conversar. – eu tirei sua mão do meu roto, minhas lagrimas caíram com mais força.
- Eu volto. – ele disse quando chegou na porta.
- Não sei se vou estar aqui quando você voltar.
Ele saiu, não falou mais nada, apenas me deixou sozinha como havia pedido.
Meu coração rachou em mil pedaços. Como pôde fazer isso comigo e com minha melhor amiga? Ela pelo menos teve um pouco de senso e tentou se afastar, mas galã como Luan é, nao deixou ela em paz ate conseguir o que queria, e Dani provavelmente deve ter se apaixonado. Ele não merece nosso amor.  Eu não posso ficar aqui, não pelas próximas horas. Preciso respirar, de ar puro. Preciso de praia. 


Continua....

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Único


Capitulo 32

            “Credo, não sei o que é pior ter que aguentar a ressaca, ou os beijos de cócegas da Deza” – pensei.
            As meninas logo saíram, me deixando sozinha. Completamente sozinha! Meio triste isso. Solidão demais me faz pensar demais, fico igual uma noiada.
            Estiquei sob o sofá. Pernas pra cima, a casa estava tão silenciosa que podia ouvir as brigas dos vizinhos há dois apartamentos abaixo. Vanessa e Douglas, um casal meio que complexo, ficaram juntos por causa da filha Yasmim mas como já o ouvir dizer, ela não é a mulher que ele ama. Complicado né! Mas não sei o que seria pior, ele vivendo com isso ou a filha dele vivendo sem ele por perto, uma presença de pai é importante da criação de uma criança.
            Ouço um barulho mais alto, pratos? Não! Copos! A briga de hoje ta feia, tem dia que é mais light. Seu amigo Jorge, primo na verdade, é muito meu amigo ele fica mais perdido que cego no tiroteio nessa historia.


            Fico tentado imaginar meu futuro. Será que daqui a alguns anos eu serei assim? Digo, ficarei com alguém que é apaixonado por outra?!  
            Mas deixa vida de vizinho, é a vida deles né.
            Revirei no sofá. Enfiei minha cabeça na almofada pra abafar os xingos do casal. – Ah merda! – briguei com meus pensamentos.
            Após algum tempo tocam a campainha. O barulho foi como trovões queimando meus neurônios. Castigo!
            Arrastei ate a porta. Nem olhei o olho mágico. E mais uma vez fui surpreendida.
- O que você quer aqui? – perguntei com um tom um pouco nervoso. Isso já estava me cansando – Te disse pra vir só quando a Deza estiver aqui e eu não.
- Posso esperar a Deza aí? Preciso conversar com ela. – pediu baixinho.
            Pensei, pensei, pensei... Refletir nunca foi meu forte, sempre resolvi as coisas no tapa. Bateu, levou. Mas vendo o Luan ali, de cabeça baixa, pedindo pra entrar, fiquei completamente perdida.
            Deixo ou não?
            O que Deza pensaria se o visse aqui sozinho comigo? Nada né, a gente não tem nada. Será que o deixo mofando ali de fora? Não, isso seria falta de educação. Ah merda!
- Entra! – falei entre os dentes, lutando com todas as partes de meu corpo.
            Me afastei, distancia segura pra ficar entre Luan.
            Ele se sentou, mesmo sem ter sido chamado. Sentei na poltrona da vovó, como dizia Eduarda, era a poltrona dela, o trem cabia 4 de mim e sobrava ainda. Era longe do sofá principal. – Bom! Acho que to segura aqui. – pensei.
- Dani! – chamou.
- Que foi? – perguntei grossa, mexendo nas pontas do meu cabelo.
- Não fui importante pra você?
            Gelei. Essa pergunta meio que deixou meus nervos a flor da pele, sinceramente? Não sei. Queria responder, sim... você é e sempre será importante pra mim Luan. Mas, a resposta saiu completamente diferente que meu coração implorava pra dizer.
- Não! – disse seca.
            Ele se calou. O olhei querendo ver o que fazia.
            Seus olhos fixados no chão, sua boca rígida, as mãos entrelaçadas, seu corpo como se fosse estatua, cabisbaixo.
- Eu não acredito! – falou por fim.
- Aff! Não começa com essa historia Luan. – levantei, minha intenção? Deixa-lo sozinho naquela sala, mofando, esperando sua namorada.
            Me assustei. De repente, com milésimos de segundos, as mãos de Luan já estavam segurando meu braço, parei automaticamente, com o susto.
- Olha pra mim! – pediu. Forçando-me a olha-lo.
            Minhas mãos tremiam, minhas pernas não saiam do lugar, queria correr, queria sumir, sua mão pegou minha cintura, forçando a ficarmos cara a cara.
- Diga, olha pra mim Dani... Você gosta de mim? – não consegui tirar os olhos dos dele, meu mundo estava por segundos ali. Minha vida, minha existência não tinha mais graça sem aquele brilho do olhar de Luan.
            Engoli seco. Não sabia mais como pronunciar palavras. Respirar? Respirar era muito difícil. Foquei sua boca, aí...aquela boca, saudades daqueles lábios gelados e macios de Luan.
            Ele desviou o olhar pra minha. Ficamos assim por milésimos até que nos aproximamos mais, e mais... automaticamente fechei os olhos, era inevitável.
            Eu podia sentir o hálito fresco de Luan entrando pelas minhas narinas, podia sentir o gosto de seu beijo. Mas, por ironia do destino fomos interrompidos. Interrompidos por uma voz, bem conhecida, uma voz inesperada, uma voz triste, assustada, a voz da minha melhor amiga, da minha amiga que já foi traída, e que estava sendo traída novamente, traída por alguém que ela confiava mais que tudo.

- Luan? – disse Andreza espantada.
            Luan se assuntou, e nos distanciamos.
- Luan? Dani? O... o que .... o que ta acontecendo aqui.... – gaguejou se enrolando nas palavras.
            Eu vi ódio nos olhos de Andreza. Eduarda que estava logo atrás com as sacolas de remédios ficou espantada, paralisada. Não deu tempo. Não deu tempo de reagir, eu não sabia o que dizer. – não é o que você esta pensando? – que coisa mais idiota de se dizer agora, tava mais que na cara tudo isso. Era tarde de mais!

Continua...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Único


Capitulo 31
            Fui à cozinha. Na geladeira achei um litro de Big Apple e Schweppes
- Se for pra espantar a tristeza, vou espantar com estilo. -  Peguei os dois litros e fui pro quarto, coloquei aquela música mais triste que é pra acabar tudo de uma vez, Nickelback – Never Gonna Be Alone.
            Minutos depois a campainha toca. Ao longe pude escutar. Levantei com pressa já estava no grau. O negocio subiu que foi uma beleza. Um pouco tonteando, fui ate a porta carregando comigo um copo de dose, e a merda do schweppes, pra disfarçar caso fosse Eduarda.
            Ela vivia esquecendo as coisas, provavelmente foi o telefone novamente.
- Você devia larga de ser... – parei, congelei. Não era Duda, não era Deza. Era ele, era ele de novo ali. – L...u...an... – gaguejei.
 - Oi Dani – falou com a mão na porta, como se estivesse com medo de que eu a fechasse.
- Luan a Deza ainda não chegou. – tentei fechar a porta e ele colocou o pé impedindo seu fechamento. – Luan, por favor....
Não queria que Luan entrasse, não queria ele perto de mim, eu ainda estava fraca e pra piorar eu estava embriagada. Ele ainda mexia comigo, e ele é o namorado da minha melhor amiga.
- Luan, me deixa! Você agora é namorado da Deza, e eu não quero mais falar com você.
- Namorado? Eu não sou namor... – pareceu se lembrar de algo. Ele ainda estava do lado de fora do apartamento, e com o pé no mesmo lugar. – Duda. – ele terminou de falar. – Aquilo saiu sem querer, eu não sei direito o que eu tenho com a Deza, Dani. Eu ainda to muito confuso, você viajou e eu e ela ficamos mais tempo juntos, acabou saindo. Mas não a pedi em namoro.
- Luan você ta muito enrolado. Eu to bêbada, ta me deixando mais enrolada, confusa e eu não to afim disso não. Volta outro dia, eu não quero falar com você, entende. Eu não tenho mais nada haver com sua vida, o que aconteceu entre a gente é coisa do passado, entende isso. Vai pra casa e só volta quando a Deza tiver aqui e eu não ok?
 Forcei a porta contra o pé dele, ele soltou um gemido de dor e logo tirou o pé e a porta se fechou, ouvi Luan dizer que ainda queria falar comigo, mas não dei ouvido, tranquei a porta e corri pro meu querido e cômodo que eu mais queria no momento, meu quarto. Esvaziei minha dose de bebida e me servi com outra. Hoje era de dia de ficar bêbada mesmo...
***
Acordei com uma puta ressaca, era noite já e as meninas já estavam em casa, alias era por causa delas que eu acordei, as risadas vindo da sala, já estavam me incomodando, levantei na pressa sentindo minha cabeça girar e parecer que ia explodir.
- Porra de ressaca. – reclamei e me arrastei ate a sala. – Bom dia pessoas que falam gritando quando tem alguém dormindo.
- Boa noite ne Dani. Já é noite. – disse Duda.
- Af que seja, ain to com muita dor de cabeça.
- Quem mandou, enquanto eu trabalho, você passar o dia bebendo? Dá nisso...
- Cala boca, Deza. Ah, teu namoradinho veio ai falar com você. – disse assim mesmo, namoradinho e cheia de má vontade, eu estava mal humorada e lembrar de Luan só piorou as coisas.
- Eita mal humor... não quer um remédio pra dor de cabeça não? – resmungou Deza.
- Ai não to boa agora não, minha cabeça vai explodir e to sem analgésico.
- Puts que espécie de aspirante de medica é essa que não tem nem um analgésico?
- Cala a boca Duda, ain nem ressaca vocês me deixam curtir sozinha. – joguei uma almofada nas duas que riam parecendo não ligar pro meu mal humor.
- Ô Duda, vamos na farmácia comprar uns remédios, a gente ta sem estoque de medicamento, ai aproveitamos e compramos o analgésico da dona ressaca ali e trás também sorvete. – sugeriu Deza.
- Ah vamos sim, eu quero sorvete de chocolate. Deixa só eu pegar o dinheiro – Duda levantou do sofá animada e quando passou por mim bagunçou meu cabelo. Ela quer ne irritar né?
- Pega minha booooooooooolsa! – Gritou Deza. E eu quase morri minha cabeça explodiu e eu me joguei no sofá sofrendo. Uma bebida por favor?
Deza se jogou por cima de mim como se pedisse desculpas pelo grito, me encheu de beijo, eca. Acabei sorrindo, o primeiro da noite.


Continua...

terça-feira, 24 de julho de 2012

Único


Capitulo 30


Dani on:
            E para minha tristeza, eis que minhas férias tiveram um fim. Meu feriado acabou se prologando para um pouco mais de um mês, e confesso que eu queria bem mais. Ricardo deve querer me matar, isso se ainda me quiser como funcionaria. Mas agora é hora de voltar pra realidade que temi; realidade que fugi. Mas infelizmente não adiantou fugir não. Tony ligava, mandava noticias do Rio, fingi gostar, não queria magoá-lo afinal ele só queria me contar as coisas. “Manter-me informada”
Tentei por varias vezes mudar de assunto quando Andreza ligava, e contava sobre Luan, contava o que tinha acontecido enquanto estava fora. Ain...  Me sinto tão mal por esconder as coisas dela, me sinto mal por estar mentindo. Enganando minha amiga de uma forma tão suja, tão grossa. Não sou assim.
No México pensei em contar a verdade, contar que fiquei com Luan, que fiquei com ele quando eles estavam juntos.
- Porran... – xinguei um pouco alto, esquecendo que estava dentro do avião. As pessoas me olharam assustadas. Que vergonha! – Desculpa – pedi.
            Abaixei-me no banco, queria que eles esquecessem minha presença ali. Alguns ignoraram outros mantinham os olhos fixos em mim. Coloquei os fones, tentando ignorá-los também. E assim fiz, em instante adormeci. 
Nos sonhos temos a vida que queremos, esquecemo-nos do mundo que nós rodeia. Fingimos ser pedras que a única coisa que precisam fazer é ficar paradas.
            O vôo acabou, era umas 10 horas quando pousamos, liguei pra Duda, alguém precisava ir me buscar. E assim ela fez, em questão de 30 minutos lá estava ela se esbanjando num vestidinho rodado de florzinha azul.
- Oi amiga! – a abracei.
- Oi Dani... Que saudade de você flor, pensei que ficaria no México – disse em meio ao abraço.
- Resolvi ficar uns dias a mais, estava difícil larga minha família – contei no caminho. Entrei no carro jogando aquelas series de sacolas e malas no porta-malas. Minha mãe me fez carregar tanta coisa, pensei que mandaria o México inteiro na minha mala.
            Contei a Duda como foi a viagem, contei a ela como estavam todos na pequena Durango. Ela foi o caminho todo me contando como andava Minas, como foi ficar sem ver Marcelo por algum tempo e blá blá blá...
            Perguntei sobre Deza, e logo Eduarda veio com o papo sobre Luan. Disse que os dois andam juntos, que Luan recebeu uma proposta de um empresario, que não sei quem postou um vídeo dele no Youtube. Disse que as coisas andam mudadas, que eles estão juntos, mas que agora Luan ta focado na carreira e eles mal se vêem.
- Coitada da Deza... – disse um pouco mal pela minha amiga, Andreza já sofreu muito com o caso Douglas e Katherine. Ela sofreu muito mais que eu quando peguei Kat com Danilo, o Douglas era namorado da Deza a muito mais tempo, bem dizer quase noivos, e o filho da puta teve que fazer isso com minha amiga.
            Paramos! Levei um susto, Eduarda era mais calma no volante de repente a menina enlouqueceu, parou com tudo.
- Ei... Eu pretendia não morrer hoje – zoei sorrindo.
- Ai Dani, eu pisei no freio com força desculpa, hoje to toda pelo avesso. Acho que são os estágios, nervosa. Amanhã começamos a vida de Doutoras.
- Aff! Nem me fale, vou ter que acordar cedo.
- Este é o menor problema né.
- Estagio de manhã, aulas a noite. Pior vai ser meu serviço né?! To no cano agora Duda.
- Ta nada. Vai dá tudo certo.
            Pra Duda que trabalhava só de vez em quando, tipo três vezes na semana, era fácil dizer né. Ela faria os estágios nos dias de folga, agora eu... Euzinha que trampo todos os dias que nem condenada, escrava do capitalismo. Fudeu tudo né. Ricardo vai me matar, ainda não falei com ele sobre isso, isso se ainda eu tiver um emprego. Se ainda o tiver pode ser que eu saia do trampo ou, se brincar vou ter que trocar com Andreza, mas isso é uma coisa que não esta em questão, ela estuda também, não pode ficar o tempo todo na loja.
            Merda!
- Dani... – cutucou Eduarda no elevador. – Vamos? Ou você quer dormi ai?
- Aí nem percebi – boiei.
Saímos.
Em casa não vi Andreza, essa devia estar no serviço. Não vi bagunça, não vi nada. Só minha cama que insistia em me chamar. Veeeeeem ni mim...
E assim fiz. Tomei um banho e caí morta. Desmaiei literalmente na cama. Não vi mais nada, não queria saber de mais nada, só queria minha caminha linda, cheiroso e quentinha.
O tempo passou, passou lento... o silêncio foi abafado por vozes, vozes ao longe, mas vozes. Ouvi meu nome, achei estranho. Não queria mas tinha que fazer, tive que abrir os olhos. No meu quarto, não havia ninguém, ninguém a 90° de minha cama. Estiquei mais um pouco, vi a porta encostada do mesmo jeito que a deixei.
Com preguiça sobrando pros lados, levantei-me da cama.
Aproximando-me ouvi Eduarda, essa voz eu reconheci a outra não tanto. Estava diferente, uma voz cansada, uma voz preocupada. Aproximei-me mais da sala. Assim pude diferenciar e descobrir de quem se tratava.
- Ela ta na loja Luan – disse Duda um pouco com pressa – Desculpa pela falta de educação Luan, é que to um pouco atrasada, em cima da hora tenho que trabalhar, vim aqui só buscar Dani no aeroporto como te falei, e já to voltando pra Biblioteca.
- A Dani ta aí?
- Ta dormindo. E sua namorada ta trabalhando.
- Tudo bem, - sua voz diminuiu o tom.
            Logo depois não ouvi mais nada apenas a porta se trancando, eles foram embora. Ouvir a voz do Luan depois de todo este tempo, foi estranho. Meus olhos quiseram colocar pra fora a saudade, a tristeza e a dor. Ele ainda estava recente. “Mas que caralho, agente só ficou uma vez que diacho.” – xinguei.  E como assim namorada? Duda me disse que estavam juntos, mas não imaginava que fosse namoro. E as coisas que Luan me disse? Caralho! Fiz bem em não acreditar nelas, ele é mesmo um canalha... Mas agora, como falar sobre isso com a Deza?

Continua...

domingo, 22 de julho de 2012

Único


Capitulo 29
Acordei assustada, olhei o relógio e já era mais de uma da tarde. Me levantei rápido da cama e senti minha cabeça doer...
- Ai! Acho que dormi demais. – falei alto acordando Luan.
- Vem cá, deita aqui, eu ainda to com sono.
- Af, Luan! Como consegue dormir tanto?
- Eu tenho uma vida noturna, não lembra? Então, de dia eu durmo.
- Huum. E daqui pra frente vai so piorar ne?
- Não me lembra Deza, já me da frio na barriga. Vai vir muito trabalho por ai... Ele já disse que eu vou cantar em um show de um rodeio no interior da cidade no próximo mês.
- Mas já?
- É, por isso que vou ter que ensaiar bastante, enquanto isso a gente vai começar a procurar uma banda, por enquanto o empresário vai  pegar emprestado com uns cantores, mas logo vou ter que ter uma banda.
- To empolgada sabia?
- Eu também.
- É senhor Luan Santana – me joguei em seus braços – mas vamos levantar dessa cama porque temos muito o que fazer, Dani e Duda chegam hoje a noite, e eu quero fazer uma recepção pra elas.
- Já é hoje? Cinco dias passam tão rápido... Não queria que elas chegassem não...
- Porque não?
- Por que ai eu não posso ficar sozinho com você.
- Deixa de ser tarado Luan!
- Não é ser tarado, mas é que eu gosto de ficar com você, mas esquece. Vamos levantar. O que você quer fazer agora?
- Comer! Eu to morreeeendo de fome.
***
Já era tarde da noite e nada da Dani ou Duda chegar, eu já tava preocupada, nenhuma noticia das duas, Luan já havia ido em casa, voltado e já não tava com tanta paciência assim de esperar. Eu pedi pra que ele as esperasse comigo, não queria ficar sozinha...
Eu preparei uma mesa com salgadinhos, encomendados na melhor confeitaria da  Barra da Tijuca. Uma torta deliciosa de chocolate. Eu já tava louca de fome, e Luan ainda me atentava pra comer aqueles salgadinhos..
- Posso comer um Deza?
- Não! Só quando elas chegarem.
- Mas eu to com fome, só um dezinha...
- Dezinha? Ashuahsuahsu você deve ta mesmo com fome... tá só um ok?
Quando Luan ia pegar um salgado, ouvi alguém mexer na porta e dei um tapa na mão dele, mas ele foi mais rápido e logo colocou uma coxinha na boca, quando olhei a porta, era Duda chegando.
- DUDDDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA – gritei e fui correndo abraçar minha amiga, Luan levantou no susto e sorriu e logo foi abraçar minha amiga.
- Oi Luan! 
- Oi Duda! Com foi a viajem?
- Foi ótima, mas tava louca pra voltar pra casa.
- Eu também tava doida de saudade, Duda. – olhei pra trás e não vi mais nada e mais ninguém. – Cade a Dani?
- Ela não volta hoje Deza, vai ficar mais uma semana no México eu acho.
- Mas porque não me avisou?
- Nem eu sabia, ela me avisou ontem, antes de eu vir pra ca. Mas disse que ta tudo bem e com saudade de você. Te mandou um beijo. – Duda olhou toda aquela guloseima na mesa de centro da sala e sorriu. – Tudo isso pra mim? – perguntou.
- Era pra você e pra Dani, mas agora pode ser uma comemoração. Olhei pra Luan.
- Comemoração? – Duda disse sem entender nada. – olhei de novo pra Luan que me olhou estranho.
- Conta pra ela Luan!  - Luan limpou a garganta e começou a falar.
- É que o namorado dela aqui – apontou pra ele – se apresentou ontem a um empresário aqui do Rio, que gostou do trabalho dele e agora ele tem um empresário pra ajudar a levantar a carreira de cantor dele. – Luan riu todo bobo, e eu fiquei sem entender ate agora a palavra “namorado” que ele disse.
Assim, não que eu não goste da ideia, mas acho que ele deveria ter me perguntado ne? Não to reclamando, pelo contrario, mas me pegou de surpresa.
- Namorado? Nossa como essa relação evoluiu em cinco dias... – analisou Duda.
- Nem eu sabia que sou namorada dele Duda. – disse sem graça.
- Mas é. A partir de hoje ué! Você não quer?  - Luan me olhou me segurando pela cintura e me roubou um beijo, pedindo passagem com a língua, pra aprofundar o beijo.
- Ei, cantor! Me ajuda com as malas? Vocês podes se beijar depois e dentro de um quarto ne? – Duda provou e Luan riu ainda me beijando, eu apoiei minhas  mãos em seu peito o afastando rindo do que Duda falou.
- É verdade Luan, vamos ter tempo pra isso depois, ajuda ela a levar a mala, e você Duda, não demore muito porque eu to morrendo de fome e se você demorar muito naquele quarto eu devoro essa torta de chocolate sozinha...
- Nem morta querida, eu nem vou no quarto, Luan que vai. – falou rindo.
- Sabia que ia sobrar pra mim. – disse Luan levando a mala de Duda pro quarto dela.

Continua...