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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

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Capitulo 32

            “Credo, não sei o que é pior ter que aguentar a ressaca, ou os beijos de cócegas da Deza” – pensei.
            As meninas logo saíram, me deixando sozinha. Completamente sozinha! Meio triste isso. Solidão demais me faz pensar demais, fico igual uma noiada.
            Estiquei sob o sofá. Pernas pra cima, a casa estava tão silenciosa que podia ouvir as brigas dos vizinhos há dois apartamentos abaixo. Vanessa e Douglas, um casal meio que complexo, ficaram juntos por causa da filha Yasmim mas como já o ouvir dizer, ela não é a mulher que ele ama. Complicado né! Mas não sei o que seria pior, ele vivendo com isso ou a filha dele vivendo sem ele por perto, uma presença de pai é importante da criação de uma criança.
            Ouço um barulho mais alto, pratos? Não! Copos! A briga de hoje ta feia, tem dia que é mais light. Seu amigo Jorge, primo na verdade, é muito meu amigo ele fica mais perdido que cego no tiroteio nessa historia.


            Fico tentado imaginar meu futuro. Será que daqui a alguns anos eu serei assim? Digo, ficarei com alguém que é apaixonado por outra?!  
            Mas deixa vida de vizinho, é a vida deles né.
            Revirei no sofá. Enfiei minha cabeça na almofada pra abafar os xingos do casal. – Ah merda! – briguei com meus pensamentos.
            Após algum tempo tocam a campainha. O barulho foi como trovões queimando meus neurônios. Castigo!
            Arrastei ate a porta. Nem olhei o olho mágico. E mais uma vez fui surpreendida.
- O que você quer aqui? – perguntei com um tom um pouco nervoso. Isso já estava me cansando – Te disse pra vir só quando a Deza estiver aqui e eu não.
- Posso esperar a Deza aí? Preciso conversar com ela. – pediu baixinho.
            Pensei, pensei, pensei... Refletir nunca foi meu forte, sempre resolvi as coisas no tapa. Bateu, levou. Mas vendo o Luan ali, de cabeça baixa, pedindo pra entrar, fiquei completamente perdida.
            Deixo ou não?
            O que Deza pensaria se o visse aqui sozinho comigo? Nada né, a gente não tem nada. Será que o deixo mofando ali de fora? Não, isso seria falta de educação. Ah merda!
- Entra! – falei entre os dentes, lutando com todas as partes de meu corpo.
            Me afastei, distancia segura pra ficar entre Luan.
            Ele se sentou, mesmo sem ter sido chamado. Sentei na poltrona da vovó, como dizia Eduarda, era a poltrona dela, o trem cabia 4 de mim e sobrava ainda. Era longe do sofá principal. – Bom! Acho que to segura aqui. – pensei.
- Dani! – chamou.
- Que foi? – perguntei grossa, mexendo nas pontas do meu cabelo.
- Não fui importante pra você?
            Gelei. Essa pergunta meio que deixou meus nervos a flor da pele, sinceramente? Não sei. Queria responder, sim... você é e sempre será importante pra mim Luan. Mas, a resposta saiu completamente diferente que meu coração implorava pra dizer.
- Não! – disse seca.
            Ele se calou. O olhei querendo ver o que fazia.
            Seus olhos fixados no chão, sua boca rígida, as mãos entrelaçadas, seu corpo como se fosse estatua, cabisbaixo.
- Eu não acredito! – falou por fim.
- Aff! Não começa com essa historia Luan. – levantei, minha intenção? Deixa-lo sozinho naquela sala, mofando, esperando sua namorada.
            Me assustei. De repente, com milésimos de segundos, as mãos de Luan já estavam segurando meu braço, parei automaticamente, com o susto.
- Olha pra mim! – pediu. Forçando-me a olha-lo.
            Minhas mãos tremiam, minhas pernas não saiam do lugar, queria correr, queria sumir, sua mão pegou minha cintura, forçando a ficarmos cara a cara.
- Diga, olha pra mim Dani... Você gosta de mim? – não consegui tirar os olhos dos dele, meu mundo estava por segundos ali. Minha vida, minha existência não tinha mais graça sem aquele brilho do olhar de Luan.
            Engoli seco. Não sabia mais como pronunciar palavras. Respirar? Respirar era muito difícil. Foquei sua boca, aí...aquela boca, saudades daqueles lábios gelados e macios de Luan.
            Ele desviou o olhar pra minha. Ficamos assim por milésimos até que nos aproximamos mais, e mais... automaticamente fechei os olhos, era inevitável.
            Eu podia sentir o hálito fresco de Luan entrando pelas minhas narinas, podia sentir o gosto de seu beijo. Mas, por ironia do destino fomos interrompidos. Interrompidos por uma voz, bem conhecida, uma voz inesperada, uma voz triste, assustada, a voz da minha melhor amiga, da minha amiga que já foi traída, e que estava sendo traída novamente, traída por alguém que ela confiava mais que tudo.

- Luan? – disse Andreza espantada.
            Luan se assuntou, e nos distanciamos.
- Luan? Dani? O... o que .... o que ta acontecendo aqui.... – gaguejou se enrolando nas palavras.
            Eu vi ódio nos olhos de Andreza. Eduarda que estava logo atrás com as sacolas de remédios ficou espantada, paralisada. Não deu tempo. Não deu tempo de reagir, eu não sabia o que dizer. – não é o que você esta pensando? – que coisa mais idiota de se dizer agora, tava mais que na cara tudo isso. Era tarde de mais!

Continua...

2 comentários:

  1. Acho que agora não dá mais pra eles fugirem. Acho que chegou a hora deles contarem a verdade, que eles ficarem.

    Yana

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  2. Eu acho que já estava mais do que na hora desses dois assumirem que se amam, espero que agora o Luan e a Dani não escondam isso de mais ninguém né

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