Leia também

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Único


         Capitulo 35


         Liguei minha moto super barulhenta, sempre gostei deste estilo meia rockeira, desleixada da vida, sem ligar pra nada, família, amigos, amor, sem nada. Apenas no mundo, eu era assim no mundo.
         Rapidamente cheguei em casa. Vish, minha casa. O que era aquilo?! Tão fria, tão silenciosa, o ar era de velório. Fui ao meu quarto aquilo não era mais meu recanto feliz, não tinha nem vida naquele lugar. Olhei o som, pensei em ligar uma musica algo pra passar o tempo e esquecer tudo. Não consegui, passei a mão sob as caixinhas de som ao redor da estante, cada pedaço do meu corpo se arrumou para jogá-las longe.
         Controlei-me.
         Fui ao banheiro, tomei aquele banho, descarregador de energias ruins. Só que elas não saíram, não queriam me deixar, me senti cada vez mais suja, mais porca, mais nojenta.
         Sai enrolada na toalha, meus pés molhados faziam pegadas pelo quarto. Andava de um lado pra outros, a procura do nada. Ao longe, atrás do guarda roupa, vi uma bolsa, a minha bolsa não muito pequena, minha bolsa de caveirinha que mamãe me dera quando estava no México.
- Aí... Saudades da minha família.
         Sem nem mesmo vestir uma roupa, sem nem se quer pensar direito, peguei aquela mala, de repente minha única vontade era sumir, desaparecer. E desejava nunca ter saído do México.
         Já se passava das 20 horas. Andreza ainda não tinha voltado, provavelmente se acertou com Luan, e eu? Eu iria sobrar nessa historia. Hora de desaparecer.
- Dani? Dani... O que você ta fazendo? – perguntou Duda espantada.
- To indo embora Duda, pra mim essa historia já foi longe demais.
         Ainda parada na porta Eduarda olhou para os lados, como se estivesse procurando alguém, e na verdade estava.
- Cadê Deza? Você falou com ela? – não respondi – Dani – gritou – Fala comigo pelo amor de Deus.
         Parei, sentei na cama, continuando dobrando as roupas meio que por cima.
- Eu a vi, mas ta tudo terminado, tudo resolvido, ela me quer longe, é isso que vou fazer, ficar longe.
- Como assim? Pra onde você vai? – disse se aproximando e começando a tirar as roupas da sacola.
- Não... Para, larga isso Duda – briguei colocando-as de volta. – Eu não sei pra onde eu vou... Na verdade não faço a mínima ideia, só sei que não quero ficar aqui, me deixa...
- Você é muito cabeça dura, Dani... Como pode.
         Acabei de juntar minhas coisas em silencio, de mim só ouvia o coração batendo, respirar? Eu não sabia se estava respirando ou fungando de raiva. Raiva, ódio, nojo, de mim... De mim, por ser fraca, e besta eternamente besta.
         Tudo arrumado, acabado. Minhas coisas que não eram tantas assim couberam numa pequena mala. A mala de mamãe. Eduarda já estava mais que desesperada, sentada na poltrona perto de minha cama, só observando.
- Preciso que você mande os restos das minhas coisas assim que conseguir arrumar um lugar pra ficar. Tipo, não sei quando vai ser, vou ver se fico num hotel até achar sei lá, pensão... Algo assim, não se preocupe amiga – me aproximei de Eduarda – Eu vou ficar bem, mas pro bem de vocês também, é preciso fazer isso... Deixa o fogo aqui abaixar, deixa colocarmos tudo em ordem. Não se preocupe ta? – a abracei, fazendo aquela pititinha sumir no meio dos meus braços – Te vejo na aula segunda.
         Dei um beijo em sua testa. Logo, peguei minha mala e meu capacete. “Ir de moto com essa mala não vai da muito certo”. – pensei.
- Toma Dani... – Duda ao me ver na porta da sala, joga sua chave. – Pelo menos leva meu carro, se você não encontrar onde ficar durma dentro dele né, e segunda vou de moto pra aula, e te devolvo ela.
- Obrigada Duda! – disse enfim. Mal joguei minha chave na estante e logo virei novamente pra porta. Odeio despedidas.
         O carro de Dudinha era bem pequeno, a cara dela rsrsrs... Duvido que consiga dormi por aqui. Liguei o som, Away From The Sun – 3 Doors Down.
- É pra acabar o mundo – disse a mim mesma.
         Rodei a cidade quase tuda, afim de achar um lugarzinho pra dormi, não tinha muito dinheiro no bolso. Hotéis caros, pensões cheias, véspera de fim de ano essa merda sempre é assim.
         Falando em final de ano, meu aniversario já ta quase chegando, é... ô aniversario bom viu, sem família, sem amigos, sem ninguém pra comemorar. É a vida né. Um dia a gente tem muito outro dia, temos nada.
         Parei num estacionamento perto da praia. Gosto muito daquele lugar, pensei em sair do carro. Mas tava frio abaixei o som, quase no mudo. E assim, os olhos pesados pelas lagrimas escondidas, foram se fechando.
         Ao som de Just a Dream meu telefone toca.
- Merda não posso nem dormi em paz – xinguei em silencio. Procurei passando a mão no banco ao lado, a fim de achar o inferno do telefone. Rapidamente o encontrei. Nem identifiquei quem era. Apenas queria acabar com aquilo logo, e voltar a dormir.
- Oi... – disse um pouco seca.
- Dani... Onde você está? Ta tudo bem? – perguntou Luan quase sem voz.
- Você ainda pergunta Luan? Como você acha que eu to? Briguei com minha melhor amiga, sai de casa... Eu to bem obrigada. – o ódio por Luan era grande, mas acho que em mim a raiva, era estendida a uma única pessoa. A mim mesma.
- Você conversou com a Deza? Como assim saiu de casa? Dani, onde você está?
- Luan... Pelo amor de Deus, me deixa em paz por favor. Nós dois juntos, já destruímos vidas de muita gente, deixa... Deixa eu sozinha.
- Mas Dani...
         Desliguei.
Minha mão pegava fogo com vontade de estraçalhar cada pedacinho do meu cérebro, e do coração idiota que carregava. Meus olhos não conseguiram mais segurar as lagrimas, e assim elas caíram.
Em meio a tristeza, e o silencio do estacionamento. O choro e a dor eram o único barulho, até que todo silencio foi abafado pela chamada do meu celular.
- Mas que droga... Eu já disse que não era pra você me ligar novamente – falei sem ouvir, sem até mesmo pensar.
- Ei Dani, que violência é essa? Te fiz nada não! - com um tom assustado, reconheci quem era ao telefone, desta vez não era Luan, era Tony, meu Doutor... Meu anjo da guarda.
- Aí meu Deus... desculpa Tony, pensei que você outra pessoa.
- Uma pessoa que você não quer ver nem pintado de ouro né Dani.
- Se possível, nem ouro nem prata... Quero mais é aquele menino longe de mim.
- Nossa. Pra te deixar com tanto ódio assim, tem que haver um bom motivo né.
- Esse é um bom motivo Tony. – sorri de lado, tentando esconder as lembranças, e as cenas que vinham fortemente na memória.
- Onde você está? Posso passar aí na sua casa, to aqui perto, aí resolvi te ligar...
- Não to em casa Tony.
- Hã? – sua voz mudou completamente, ficou um pouco decepcionado.
- Eu estou num estacionamento – sorri com o fato – Tive que sair de casa, aconteceu probleminhas lá.
- Num estacionamento, Dani? O que você está fazendo num estacionamento? São quase meia noite.
- Minha intenção é fazer este estacionamento minha casinha por hoje.
- Você ficou doida? – se alterou – Ah... Esqueci com quem estou falando, você “é doida” né.
- Ha-Há-Há... – fingi risada, super falsa. Abaixei um pouco mais o banco. Ah, ele não abaixa mais. Que droga!
- Você vai dormi aí?
- Uai, sim... A Duda me emprestou o carro dela, vou dormi nele.
- Dani, você vai acorda toda amassada amanhã, esqueceu que o carro da Duda, é pra formiga?
- kkkkkk... essa vou ter que contar a ela.
- Vem pra cá. Digo, você pode ficar aqui em casa, até achar um lugar, ou voltar pra sua casa, eu fico aqui sozinho mesmo, vai ser bom ter sua companhia aqui Dani.
- Serio? – parei pra pensar, nas possibilidades, será? Será? Aí meu Deus, é muita tentação pra uma pessoa só, não contei a vocês, mas eu tenho uma queda pelo Tony hih shiiiu, não conta pra ele. – Não vai ter problema? Tipo, eu sou sua aluna e tudo né Tony.
- Dani, acima de minha aluna você é minha amiga, você acha que eu morando sozinho deixaria você dormi na rua? Nunca né. Vem pra cá. To indo pra casa, te espero lá, não demore. Beijos – Tony desligou o telefone. Filho da mãe desligou na minha cara.
         Bom, não podia perder essa oportunidade. Aín, eu precisava de um banho e de uma cama bem quentinha. Liguei o carro de Duda, e imediatamente segui em direção a casa de Tony, já fui la varias vezes pra gente ver filme, meu amigo de longos anos né. Ele sempre me ajudou, anem... olha só, ta ali novamente me acolhendo.
         Tony morava sozinho, vivia só pra estudar e trabalhar trabalhava no hospital central, e tinha sua própria clinica de neurologia, alem de tudo aquilo aguentava os alunos chatos da faculdade.
         Meu grande amigo.
         Rapidamente já estava na casa de Tony, parei com medo de me aproximar. Por que estava com medo? Aff, até parece que nunca estive ali, sozinha com ele.
         Mas agora seria diferente, eu não iria ali ver filme, eu iria ali morar. Morar com ele. Ai meu Deus, nós dois sozinhos nessa enorme casa. Isso não vai prestar – pensei ainda dentro do carro.
         Respirei fundo. Apanhei minha bolsa que me acompanhava no banco da frente.
- Vamos lá – caminhei sobre a grama. A casa de Tony era tão linda, gramado super aparado e cuidado pelo Jardineiro Sebastião seu grande amigo dizia Tony, por viver sozinho os empregados começaram a ser sua família. A mãe de Tony morreu quando era bem novo, e seu pai sumiu no mundo quando tinha 3 anos, vida difícil né. Ele foi morar com a avó e assim seguiu até agora, faz nem 1 ano que ela morreu. Velhice. Morreu dormindo, contou-me.
         Toquei a campainha, quis dar meia volta e ir embora, queria tanto meu quartinho de volta. Mas já era tarde demais, a porta estava se abrindo e por trás dela, ali estava meu loirinho lindo. Usando uma bermuda super trapo, e uma camiseta cavada.
- Oi... – disse um pouco tímida.
- Oi amor. – cumprimentou Tony se jogando em meu corpo. Seus braços acolhedores apertavam-me.
- Tony... Eu... Eu não sou de ferro. – brinquei.
- Tava com saudades de você.
- Você me viu ontem – lembrei.
- Mas foi muito tempo. – sorriu – Vem entra. – com um solavanco pegou rapidamente minha pequena mala.
- So isso?
- Você acha o quê? Sou estudante de medicina, não sou rica não meu filho. – fui entrando, já estava mais calma.
- Sei como é essa vida, passei por isso por um longo tempo. – Tony foi subindo as escadas – Vem vou te mostrar seu quarto.
         O segui. A casa era enorme, nunca tinha visitado a parte de cima, so a sala e a cozinha, e seu quarto. Quando resolvíamos ver TV lá. – não pensem besteira.
         Nunca fiquei com Tony, oportunidade nunca faltou, mas não sei. Sempre fui fiel ao Danilo, besteira minha né. Acabei levando chifre. Droga de amor!
- Aqui! – disse Tony, parando de uma vez no meio do corredor, fazendo-me tombar nas suas costas. Estava muito distraída em meus pensamentos. – Calma Dani, isso aí é meu. – sorriu.
- Desculpa... Mas você também fica parando de uma vez no meio do caminho né... não tenho culpa.
- Olha... calma aí menina.
         Tony empurrou com facilidade a porta. O quarto era pequeno, pequeno para os que já to acostumada a ver, o quarto dele, por exemplo, daria dois daquele. Mas fiquei feliz, não gosto nada grande, fico perdida e com uma sensação estranha de abandono.
         Uma cama de casal no centro, um guarda roupa do lado direito embutido com a parede, diz ele que havia um banheiro também, não vi.
A casa era antiga, só foi restaurada, mas seu projeto antigo continua ali. Bem que os quartos, os azulejos do banheiro todos estavam bem conservados, nada foi mudado por inteiro, apenas a fachada, Tony é enjoado com a aparência.
         Enfim, entrei calmamente observando cada pedaço do meu novo cantinho feliz. Estava com um cheirinho tão bom de lugar limpo, de casa de família, casa de mamãe tinha esse cheiro. Olhei Tony, ainda parado na porta segurando minha mala. Ele sorriu.
- Eu amei. Obrigada! – agradeci correndo pros seus braços.
- Por nada minha linda, agora vai descansar, se precisar de alguma coisa vou estar no meu quarto estudando.
- Ta bom... – peguei minha mala de sua mão. Tony deu um beijo em minha testa e voltou para o corredor. – Tony – gritei – Você é um bom amigo, obrigada.
- Não tem que agradecer – sorriu. Abaixou a cabeça e continuou seu caminho.
         Respirei fundo. Seu perfume continuava no ar. Aí Deus, me ajuda. – pedi em silencio.
         Fechei a porta. Coloquei a mala numa pequena poltrona perto do guarda roupa. Olhei pela janela, a casa era bem alta estávamos no segundo andar e mesmo assim parecia que tinha uns 2 abaixo de nós.
         Peguei um pijama na mala bagunçada. Agora era achar um banheiro. Havia um neste quarto, Tony disse, mas cadê?
         Olhei, por entre os cantos, perto da janela. Parei. O guarda roupa, lembrei que nas velhas casas em minha cidade, o povo dos casarões tinham em seus quartos banheiros embutidos nos guarda roupas. Estranho né? Mas é. E foi tiro e queda. Achei. Na porta do meio, dava entrada ao banheiro. Pequeno e confortável. Azulejos azuis celeste, havia banheira ali. Tony era muito conservador deixou tudo como se estivesse na época que a casa foi construída.
         Liguei a torneira, dourada. Uma água tão quentinha. Aí é hoje que durmo nesta banheira.
         Joguei minha toalha por cima do ferro de apoio. E assim me joguei na banheira. Estava tão gostoso que devo ter cochilado. Enxuguei e fui pro quarto. Enfiei debaixo do edredom macio. Precisava sumir por alguns anos.

Continua...

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Único


Capitulo 34
 

Dani on

Eu não sabia se ia pro meu quarto chorar por tudo o que havia acabado de acontecer, ou se ficava escondida ouvindo os dois conversarem. Mas como eu sou burra meu Deus! Como pude deixar isso acontecer? Eu pedi, implorei pro Luan me deixar em paz, mas não, ele revolve vir me procurar. Isso ia acabar acontecendo...
E agora? Será que Deza vai me perdoar? Seria ruim demais perder uma amiga e perder o... Amor da minha vida? Não resisti e fui ouvir um pouco a conversa dos dois... Andreza parecia calma, mas eu a conheço. Estava sendo fria. Ou tentando, sua voz transparecia toda a raiva que estava sentindo dele e de mim com certeza. Ela já estava pedindo pra ele a deixar sozinha. Ele disse que iria viajar a trabalho, é a carreira dele ta indo muito bem, logo ficará famoso.
Ai, logo ela vem conversar comigo, o que eu faço? Corri pro meu quarto e me deitei a espera dela pra conversarmos.  Não mereço o perdão dela. Eu a trai. Certo eu não sabia que ela e Luan estavam juntos quando ficamos, mas hoje... Eu sabia e mesmo assim não resisti àqueles lábios macios, aqueles olhos me implorando por um beijo. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA ele é um safado mesmo!
Ouvi a porta da sala bater e fiquei sem saber o que pensar, será que era Duda saindo? Ou o Luan? Fui ao quarto da Duda e a encontrei lendo um livro.
- Duda posso entrar?
- Claro Dani, como que você esta? E a Deza ainda ta conversando com o Luan? Não ouvi gritos.. – ela disse séria.
- Acho que ele já foi, ouvi a porta batendo. Ain Duda, não sei o que fazer. Logo ela deve vir conversar comigo e não to com cabeça pra isso.
- Amiga, uma hora ou outra vocês vão ter que conversar, se acertar.
- Ela tá com muita raiva Duda, eu vi nos olhos dela, e quando ela disse que nem sabe se vai falar comigo, eu gelei. Eu posso ter perdido a amizade dela. E tudo isso por causa de uma noite que cai na lábia desse Luan ai.
- Agora não adianta chorar a burrada feita, e você não sabia que eles estavam juntos. Errado ta ele de fazer isso com vocês. Ele se aproveitou de vocês, e tá aproveitando agora a “carreira de cantor” dele pra deixar vocês nessa situação. – ouvimos a porta bater outra vez.
- É a Deza! Eu preciso falar com ela, Duda!
- Vá ate ela então Dani, mas acho que você deve esperar o tempo dela.
- Não consigo, vou dar uma volta e se eu não a achar eu venho pra casa ok?
- Ok. Você quem sabe.
Dei um beijo na Duda e voltei em meu quarto pegando minha bolsa e saindo logo em seguida. Moramos perto da praia e aposto que Andreza estaria por lá. Eu estaria se fosse ela, o barulho do mar me acalma, o cheiro da brisa me faz bem, e acredito que nela também há esse efeito. Quando fomos alugar o apartamento, isso foi um dos fatores pra escolher “nossa casa” tinha que ser  próximo a praia. Nossa dizer nossa casa, nem sei mais se será. Não posso mais morar com ela, não agora depois de tudo.
O vento batia em meu rosto fazendo meus cabelos voarem e o vento que batia em meu pescoço me arrepiava, mas não sabia se era o vento ou nervosismo. Eu a vi sentada na areia, com os cabelos da mesma forma que os meus, voando a favor do vento.
Caminhei até ela, e quando ela percebeu minha presença, seus olhos encheram de lagrimas e um sorriso atravessado se formou em seu rosto. Não consegui decifrá-lo, mas resolvi continuar caminhando ate ela.
- Oi. – disse me sentando ao seu lado e olhando o horizonte.
- Oi. – foi seca.
Continuei ali ao seu lado olhando o mar, sentindo o vento me arrepiar por completo. Então decidi falar alguma coisa.
- Eu não sabia Deza. Me deixei envolver. A culpa é minha. – Deza nada disse, apenas suas lagrimas caíram de seus olhos. Apertando-me o coração
- Ninguém sabia de nada pelo visto. – disse com raiva, limpando as lagrimas que caiam em silencio em seu rosto.
- Quando eu descobri, que foi no dia que vi vocês se pegando no sofá, eu logo dei um basta em tudo, não quis mais saber. Eu mantive distancia. Não queria nem o ver.
- É por isso que você o odiava? Pra eu não desconfiar de nada? De que vocês dois estavam me fazendo de boba.
- Eu queria te contar, Deza, juro!
- E devia mesmo ter me contado, eu também não ia continuar com ele, terminaria tudo e não ia dar tempo de... – parou para respirar fundo, mas eu já sabia qual a palavra que ia ser dita. – me apaixonar por ele. Bom eu acho. Agora já não sei o que sentir.
- Eu também fiquei confusa, eu pedi pra ele te contar, se não eu contaria.
- Mas não contou. Dani – Disse me olhando finalmente – Eu não quero perder sua amizade, e pra isso não acontecer, eu preciso de um tempo pra mim, eu vou sair de casa.
- Você o que?
- Isso, vou sair por ai, meu curso entra em recesso essa semana e eu posso trancar minha matricula. Eu vou viajar ficar longe de você e do Luan. Eu me envolvi muito com ele enquanto você viajava.
- Pra esquecer ele. – a interrompi.
- Mas não deu certo, ou então não estariam se beijando tempos atrás.
- Foi ele quem me agarrou Deza, eu não queria, juro que não queria.
- Não quero falar disso. Eu vou sair e pronto.
- Não! Quem tem que sair sou eu.
- Já esta decido. Só preciso decidir pra onde vou e eu saio. E depois quando me sentir melhor eu volto ao Rio e ai sim podemos ter outra conversa. Agora por favor, me deixa sozinha?
- É o que você quer? Ficar sozinha agora?
- É. – e voltou a olhar o mar, me ignorando por completo.
- Tudo bem, eu vou dar uma volta então... Me perdoa Deza?
Ela continuou a me ignorar, me levantei  com lagrimas nos olhos, eu estava perdendo minha amiga. Fiz meu caminho de volta pra casa e acabei tomando uma decisão.

Continua... 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Único


 Capitulo 33


 Andreza não falava mais nada, apenas ficou nos olhando. Olhei pra Luan e ele a olhava buscando uma explicação. E pelo jeito ainda não encontrou. Minhas pernas tremiam igual vara verde, Deza respirava fundo esperando que Luan falasse algo pra ela. Eu vi lagrimas em seus olhos. Mas do jeito que ela é não ia deixa-las cair, não agora.
- Anda Luan, me diga o que está acontecendo aqui? O que foi isso que eu vi, anda responde!
- Calma Deza. – Duda tentou amenizar, porem Andreza não respondeu. – Vou deixar vocês três conversarem sozinhos. – saiu Duda em direção ao seu quarto.
- Acho que não temos nada pra conversar. Pelo visto eu to sobrando nessa conversa, não é Dani e Luan?
Deza estava áspera, não sabia se queria ou não uma explicação, Luan sentou-se no sofá parecendo não ter aguentado as pernas, que pelo visto também estavam bambas iguais as minhas.
- Deza, deixa eu falar! – Eu finalmente consegui fazer sair algumas palavras de minha mente e boca.
- Não quero ouvir nada de você Dani. Eu quero uma explicação dele. Porque eu ate esperava uma atitude dessas dele e mas não de você. Com você eu não quero falar... Não agora, ou talvez não por um longo tempo.
- Longo tempo? Por favor Deza, isso tudo apenas aconteceu, não tivemos culpa, nem eu e muito menos você.
- Isso tudo? Então não foi só isso, um beijo, teve mais coisas que vocês andaram fazendo? Me conta Luan.
- Me deixa conversar com ela Dani? – Luan pediu.
- Vocês vão ficar bem? – Perguntei mais pra Deza que pra ele.
- Não garanto. – Deza disse seca, aquela não era mais a minha amiga que ria de tudo e pra todos. Nem quando o ex dela fez aquela idiotices com ela, ela agiu desse jeito.

Deza On

Ver toda aquela cena na minha frente, me fez lembrar  do meu ex namorado, nem aquela traição doeu mais que essa, eu estava mesmo envolvida com Luan, estava gostando de tudo o que  estávamos vivendo, e ele vem e estraga tudo desse jeito? Injusto.
O pior foi ver Dani nos braços dele. E aquele beijo não tinha nem um traço de que pudesse ter sido roubado por ele ou coisa do tipo. Era consentido, correspondido, e isso fazia meu coração doer mais ainda.
Olhei Luan sentado naquele sofá, tentando arranjar uma desculpa pra tudo isso, mas eu sei que não tinha. Eu só não entendia o porquê mentiram pra mim. Poderiam ter me contado. Luan tinha a liberdade de chegar até mim e dizer que não queria mais. Eu entenderia...
- Deza... – ouvi a voz dele e sai de meus devaneios.
Luan fez sinal pra me sentar ao seu lado e eu finalmente me liguei que eu ainda estava de pé na porta. Caminhei lentamente, decidindo ainda se atendia ou não seu pedido. Acabei aceitando, mas me sentei no sofá da frente.
Luan virou de frente pra mim e começou a fala:
- Cara, é muito complicado. Não sei como explicar porque nem eu mesmo consigo entender.  Mas pra resumir a historia: Eu conheci a Dani antes de conhecer você, mas a gente só brigava, ela nunca gostou de mim, eu acho, pelo menos não de cara. Mas ai eu entrei no curso de musica,  conheci você, que foi muito legal comigo, você é linda, eu não resisti e fiquei com você.
- E depois descobriu que Dani e eu somos amigas e quis brincar com nós duas. – deduzi  e Luan riu nervoso.
- Naaaaaaaaao. Eu fiquei mais vezes com você, e esbarrava com Dani pelas ruas da Barra. Mas não sabia que vocês eram amigas. Você lembra que a gente nunca se encontrava né?
- Mas teve um dia que ela nos pegou no flagra aqui, você também se lembra disso né?
- É lembro. Nesse dia eu e a Dani já tínhamos  ficado. – Luan abaixou a cabeça reconhecendo o erro. E minha raiva só fez aumentar
- E mesmo assim você continuou comigo. Você ficou com nós duas, brincou com a gente! Você não merece Luan, o nosso carinho. Como você pôde?
- Eu não sei. Simplesmente aconteceu Deza, eu tava confuso. Eu gosto de estar com você, mas a Dani mexe comigo também.
- Ai Luan! Esse assunto ai não cola comigo não! Você nos enganou. Isso é fato. E não tem desculpas.  E agora o que vai acontecer? Você vai começar a viajar por ai com a sua carreira de cantor e vai simplesmente esquecer a gente, e ainda rir de nós pros amigos contando que pegou duas amigas idiotas que se apaixonaram por você. Somos burras mesmo.
- Calma! Eu não fiquei com as duas, eu fiquei só com você. Quando a Dani nos pegou no fraga, ela não quis mais nada comigo, manteve distancia de mim.
- É por isso que ela te odiava tanto? E você hein, pelo jeito não desistiu dela... Se não desistiu, porque ainda estava comigo? Me diz Luan, porque?
- Eu já disse Deza, eu também gosto de estar com você. – Luan alterou sua voz.
- Mas não fui o suficiente né? Você também quis a Dani. Luan me deixa sozinha... vá embora por favor.
- Você vai ficar bem? – pareceu preocupado.
- Não sei mais o que é ficar bem depois disso.
- Deza... – ameaçou me tocar, mas me esquivei de suas mãos.
- Por favor Luan, sai. – pedi enquanto minhas lagrimas caiam pelo meu rosto.
- Eu tenho que viajar em alguns dias, mas eu volto pra gente continuar a conversa. – Luan limpou uma lagrima de meu rosto com o polegar, logo me acariciando.
- Não sei se quero conversar. – eu tirei sua mão do meu roto, minhas lagrimas caíram com mais força.
- Eu volto. – ele disse quando chegou na porta.
- Não sei se vou estar aqui quando você voltar.
Ele saiu, não falou mais nada, apenas me deixou sozinha como havia pedido.
Meu coração rachou em mil pedaços. Como pôde fazer isso comigo e com minha melhor amiga? Ela pelo menos teve um pouco de senso e tentou se afastar, mas galã como Luan é, nao deixou ela em paz ate conseguir o que queria, e Dani provavelmente deve ter se apaixonado. Ele não merece nosso amor.  Eu não posso ficar aqui, não pelas próximas horas. Preciso respirar, de ar puro. Preciso de praia. 


Continua....

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Único


Capitulo 32

            “Credo, não sei o que é pior ter que aguentar a ressaca, ou os beijos de cócegas da Deza” – pensei.
            As meninas logo saíram, me deixando sozinha. Completamente sozinha! Meio triste isso. Solidão demais me faz pensar demais, fico igual uma noiada.
            Estiquei sob o sofá. Pernas pra cima, a casa estava tão silenciosa que podia ouvir as brigas dos vizinhos há dois apartamentos abaixo. Vanessa e Douglas, um casal meio que complexo, ficaram juntos por causa da filha Yasmim mas como já o ouvir dizer, ela não é a mulher que ele ama. Complicado né! Mas não sei o que seria pior, ele vivendo com isso ou a filha dele vivendo sem ele por perto, uma presença de pai é importante da criação de uma criança.
            Ouço um barulho mais alto, pratos? Não! Copos! A briga de hoje ta feia, tem dia que é mais light. Seu amigo Jorge, primo na verdade, é muito meu amigo ele fica mais perdido que cego no tiroteio nessa historia.


            Fico tentado imaginar meu futuro. Será que daqui a alguns anos eu serei assim? Digo, ficarei com alguém que é apaixonado por outra?!  
            Mas deixa vida de vizinho, é a vida deles né.
            Revirei no sofá. Enfiei minha cabeça na almofada pra abafar os xingos do casal. – Ah merda! – briguei com meus pensamentos.
            Após algum tempo tocam a campainha. O barulho foi como trovões queimando meus neurônios. Castigo!
            Arrastei ate a porta. Nem olhei o olho mágico. E mais uma vez fui surpreendida.
- O que você quer aqui? – perguntei com um tom um pouco nervoso. Isso já estava me cansando – Te disse pra vir só quando a Deza estiver aqui e eu não.
- Posso esperar a Deza aí? Preciso conversar com ela. – pediu baixinho.
            Pensei, pensei, pensei... Refletir nunca foi meu forte, sempre resolvi as coisas no tapa. Bateu, levou. Mas vendo o Luan ali, de cabeça baixa, pedindo pra entrar, fiquei completamente perdida.
            Deixo ou não?
            O que Deza pensaria se o visse aqui sozinho comigo? Nada né, a gente não tem nada. Será que o deixo mofando ali de fora? Não, isso seria falta de educação. Ah merda!
- Entra! – falei entre os dentes, lutando com todas as partes de meu corpo.
            Me afastei, distancia segura pra ficar entre Luan.
            Ele se sentou, mesmo sem ter sido chamado. Sentei na poltrona da vovó, como dizia Eduarda, era a poltrona dela, o trem cabia 4 de mim e sobrava ainda. Era longe do sofá principal. – Bom! Acho que to segura aqui. – pensei.
- Dani! – chamou.
- Que foi? – perguntei grossa, mexendo nas pontas do meu cabelo.
- Não fui importante pra você?
            Gelei. Essa pergunta meio que deixou meus nervos a flor da pele, sinceramente? Não sei. Queria responder, sim... você é e sempre será importante pra mim Luan. Mas, a resposta saiu completamente diferente que meu coração implorava pra dizer.
- Não! – disse seca.
            Ele se calou. O olhei querendo ver o que fazia.
            Seus olhos fixados no chão, sua boca rígida, as mãos entrelaçadas, seu corpo como se fosse estatua, cabisbaixo.
- Eu não acredito! – falou por fim.
- Aff! Não começa com essa historia Luan. – levantei, minha intenção? Deixa-lo sozinho naquela sala, mofando, esperando sua namorada.
            Me assustei. De repente, com milésimos de segundos, as mãos de Luan já estavam segurando meu braço, parei automaticamente, com o susto.
- Olha pra mim! – pediu. Forçando-me a olha-lo.
            Minhas mãos tremiam, minhas pernas não saiam do lugar, queria correr, queria sumir, sua mão pegou minha cintura, forçando a ficarmos cara a cara.
- Diga, olha pra mim Dani... Você gosta de mim? – não consegui tirar os olhos dos dele, meu mundo estava por segundos ali. Minha vida, minha existência não tinha mais graça sem aquele brilho do olhar de Luan.
            Engoli seco. Não sabia mais como pronunciar palavras. Respirar? Respirar era muito difícil. Foquei sua boca, aí...aquela boca, saudades daqueles lábios gelados e macios de Luan.
            Ele desviou o olhar pra minha. Ficamos assim por milésimos até que nos aproximamos mais, e mais... automaticamente fechei os olhos, era inevitável.
            Eu podia sentir o hálito fresco de Luan entrando pelas minhas narinas, podia sentir o gosto de seu beijo. Mas, por ironia do destino fomos interrompidos. Interrompidos por uma voz, bem conhecida, uma voz inesperada, uma voz triste, assustada, a voz da minha melhor amiga, da minha amiga que já foi traída, e que estava sendo traída novamente, traída por alguém que ela confiava mais que tudo.

- Luan? – disse Andreza espantada.
            Luan se assuntou, e nos distanciamos.
- Luan? Dani? O... o que .... o que ta acontecendo aqui.... – gaguejou se enrolando nas palavras.
            Eu vi ódio nos olhos de Andreza. Eduarda que estava logo atrás com as sacolas de remédios ficou espantada, paralisada. Não deu tempo. Não deu tempo de reagir, eu não sabia o que dizer. – não é o que você esta pensando? – que coisa mais idiota de se dizer agora, tava mais que na cara tudo isso. Era tarde de mais!

Continua...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Único


Capitulo 31
            Fui à cozinha. Na geladeira achei um litro de Big Apple e Schweppes
- Se for pra espantar a tristeza, vou espantar com estilo. -  Peguei os dois litros e fui pro quarto, coloquei aquela música mais triste que é pra acabar tudo de uma vez, Nickelback – Never Gonna Be Alone.
            Minutos depois a campainha toca. Ao longe pude escutar. Levantei com pressa já estava no grau. O negocio subiu que foi uma beleza. Um pouco tonteando, fui ate a porta carregando comigo um copo de dose, e a merda do schweppes, pra disfarçar caso fosse Eduarda.
            Ela vivia esquecendo as coisas, provavelmente foi o telefone novamente.
- Você devia larga de ser... – parei, congelei. Não era Duda, não era Deza. Era ele, era ele de novo ali. – L...u...an... – gaguejei.
 - Oi Dani – falou com a mão na porta, como se estivesse com medo de que eu a fechasse.
- Luan a Deza ainda não chegou. – tentei fechar a porta e ele colocou o pé impedindo seu fechamento. – Luan, por favor....
Não queria que Luan entrasse, não queria ele perto de mim, eu ainda estava fraca e pra piorar eu estava embriagada. Ele ainda mexia comigo, e ele é o namorado da minha melhor amiga.
- Luan, me deixa! Você agora é namorado da Deza, e eu não quero mais falar com você.
- Namorado? Eu não sou namor... – pareceu se lembrar de algo. Ele ainda estava do lado de fora do apartamento, e com o pé no mesmo lugar. – Duda. – ele terminou de falar. – Aquilo saiu sem querer, eu não sei direito o que eu tenho com a Deza, Dani. Eu ainda to muito confuso, você viajou e eu e ela ficamos mais tempo juntos, acabou saindo. Mas não a pedi em namoro.
- Luan você ta muito enrolado. Eu to bêbada, ta me deixando mais enrolada, confusa e eu não to afim disso não. Volta outro dia, eu não quero falar com você, entende. Eu não tenho mais nada haver com sua vida, o que aconteceu entre a gente é coisa do passado, entende isso. Vai pra casa e só volta quando a Deza tiver aqui e eu não ok?
 Forcei a porta contra o pé dele, ele soltou um gemido de dor e logo tirou o pé e a porta se fechou, ouvi Luan dizer que ainda queria falar comigo, mas não dei ouvido, tranquei a porta e corri pro meu querido e cômodo que eu mais queria no momento, meu quarto. Esvaziei minha dose de bebida e me servi com outra. Hoje era de dia de ficar bêbada mesmo...
***
Acordei com uma puta ressaca, era noite já e as meninas já estavam em casa, alias era por causa delas que eu acordei, as risadas vindo da sala, já estavam me incomodando, levantei na pressa sentindo minha cabeça girar e parecer que ia explodir.
- Porra de ressaca. – reclamei e me arrastei ate a sala. – Bom dia pessoas que falam gritando quando tem alguém dormindo.
- Boa noite ne Dani. Já é noite. – disse Duda.
- Af que seja, ain to com muita dor de cabeça.
- Quem mandou, enquanto eu trabalho, você passar o dia bebendo? Dá nisso...
- Cala boca, Deza. Ah, teu namoradinho veio ai falar com você. – disse assim mesmo, namoradinho e cheia de má vontade, eu estava mal humorada e lembrar de Luan só piorou as coisas.
- Eita mal humor... não quer um remédio pra dor de cabeça não? – resmungou Deza.
- Ai não to boa agora não, minha cabeça vai explodir e to sem analgésico.
- Puts que espécie de aspirante de medica é essa que não tem nem um analgésico?
- Cala a boca Duda, ain nem ressaca vocês me deixam curtir sozinha. – joguei uma almofada nas duas que riam parecendo não ligar pro meu mal humor.
- Ô Duda, vamos na farmácia comprar uns remédios, a gente ta sem estoque de medicamento, ai aproveitamos e compramos o analgésico da dona ressaca ali e trás também sorvete. – sugeriu Deza.
- Ah vamos sim, eu quero sorvete de chocolate. Deixa só eu pegar o dinheiro – Duda levantou do sofá animada e quando passou por mim bagunçou meu cabelo. Ela quer ne irritar né?
- Pega minha booooooooooolsa! – Gritou Deza. E eu quase morri minha cabeça explodiu e eu me joguei no sofá sofrendo. Uma bebida por favor?
Deza se jogou por cima de mim como se pedisse desculpas pelo grito, me encheu de beijo, eca. Acabei sorrindo, o primeiro da noite.


Continua...