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domingo, 20 de novembro de 2011

Esqueci de Te Esquecer...

Capitulo 34

O sol batia em meus pés, o vento era gelado, mas agradável. Passei a mão sobre o macio edredom até encontrar algo que se identificasse com Caio. Não encontrei nada. Provavelmente já estava sozinha novamente. O curso de Caio era muito cedo e como acordo muito tarde não o encontrava mais na cama.
            Abri devagar os olhos, a claridade incomodava.

- Bom dia meus pequenos! – Disse com voz rouca, para meus bebês dentro de mim – Bora levantar? – Parei, olhei o relógio, estava cedo 10 horas – Pensando melhor, dá pra tirar mais um cochilo – Brinquei virando pro canto.

            Fiquei enrolando, olhando o teto e decidindo se levantava ou se ficava na cama por mais alguns minutos. Não consegui ficar. Levantei com tanta rapidez que minha pressão caiu, tive que me sentar.

- Aí que droga! – Reclamei.

            Minhas pernas estavam muito fracas, bambas na verdade. Minha cabeça girava como se estivesse com labirintite. Isso não era bom.
            Peguei o telefone do hotel junto com a agenda de números que havia na gaveta. Caio tinha deixado uma caderneta com números de hospitais, de restaurantes, de lanchonetes e vários outros lugares. Foliei a caderneta até encontrar um hospital perto.
            Anotei o endereço.
            Com extrema dificuldade, caminhei até o banheiro, lavei meu rosto. Troquei de roupa, short, sapatilha e batinha branca caída de um lado do ombro. Peguei minha bolsinha e a chave do carro.

 - Ain... – Gemi de dor. Estava fincando algo dentro de mim, parecia arranhar minha espinha ou perfurar meu estomago.

            Caminhei com dificuldade pelo saguão do hotel. Entrei no carro e pisei fundo no acelerador. A dor era muita, estava na hora. Pensei em ligar pra Caio, mas incomodá-lo não tinha necessidade. Pensei em ligar pra Deza e pedir pra ir comigo ao hospital, mais não tinha tempo.
            Em menos de 10 minutos já estava no hospital. Cheguei à recepção com a mão apoiando minha barriga.
            A moça vendo meu estado chamou os enfermeiros que vieram com uma cadeira de rodas.

- Ta doendo. – Reclamei.
- Calma, respira fundo. Vai ficar tudo bem.
- É o que espero. Pelo amor de Deus fazem essa dor passar.

            Levaram-me para um quarto, alguém precisava me examinar. Uma médica chegou, não reparei todos os detalhes, apenas senti quando retiram minhas roupas.

- Não esta entrando em trabalho de parto.
- Mais ta doendo. – Continuei a reclamar.
- Calma, respira. O que você fez? Algum esforço excessivo?
- Não, eu não fiz nada. Apenas levantei da cama, e me senti muito tonta, tenho pressão alta e acho que a minha caiu de uma vez.
- Quando começaram as dores?
- Assim que levantei novamente e fui apanhar as chaves do carro.
- Ok, vamos ver o que você tem. – A médica virou para uma enfermeira – A preparem para uma ultrassonografia, ela não ta entrando em trabalho de parto, pelo visto os bebês estão incomodados com alguma coisa.
- Sim, doutora.

            A dor havia melhorado me concentrei no que faziam comigo dentro do quarto. Vesti novamente minha roupa, pois a Doutora tinha me despido para examinar com mais precisão. Fizeram um monte de perguntas para anotar no prontuário. Quantas semanas eu estava, quantos anos eu tinha, se havia pressão alta, se era casada, se estava acompanhada, se tinha diabetes, se era anêmica, perguntas e mais perguntas. Aferiram minha pressão, verificaram pulso, temperatura e respiração.

            Levaram-me para outra sala. Fui deitada e acomodada de um jeito que pudesse ficar relaxada. Nada mais incomodava, não estava sentindo dor e nem desconforto.
            A doutora entrou com calma.

- A dor passou?
- Sim doutora.
- Então vamos ver o que seus bebês estão fazendo.

            Retirei a blusa. O gel super gelado veio de encontro ao meu ventre. Observei no monitor, estava curiosa de mais pra ver como estavam meus pequenos.

- O menino esta de cabeça para baixo aqui ta vendo? Ele vai ser jogador de futebol não para de mexer as perninhas. A menina ta quietinha. A dor pode ter vindo disso, eles deviam estar “brigando” pelo espaço pequeno.
            A Doutora disse um monte de coisas, me orientou sobre a alimentação, sobre o que fazer quando senti novamente as dores, pra não me locomover muito e ficar de repouso.

- Ta quase no dia deles virem ao mundo e estão ansiosos pra isso. – Disse a Doutora antes de nos despedirmos.

            Sai mais tranqüila do hospital. A dor tinha passado por completo. Entrei no carro, passei minha maquiagem já que tinha saído tão desarrumada do hotel.
            Rímel e delineador apenas. Olhei as horas, estava tarde, 13 horas e não havia comido nada. Hora de almoçar.
            Passei em um restaurante próximo ao hospital. Almocei pouco, bife acebolado com arroz, feijão, abacaxi, e um refrigerante.
            Não estava a fim de ir pro hotel ficar lá sozinha olhando o teto do quarto pensando na morte da bezerra. Decidi ir à casa de Deza. Ela com certeza já tinha acordado.
            Passei pelas ruas, ouvindo The Scientist de Cold Play. Não estava triste todo incidente de ontem já havia sumido, vi meus pequenos e eles estão bem, estão saudáveis e custosos.
            A Deza era minha amiga, e se estive com o Luan não me importava, afinal não sou dona dele, e não temos nada.
            Cheguei ao predim bunitim da Barra. Peguei minha bolsinha e as chaves do carro, deixei o exame de ultrassom no carro. Não queria ficar carregando aquilo pra lá e pra cá.
            Toquei a campainha. Desta vez não demorou nem 3 min pra porta ser aberta. Uma mulher atendeu.

- Oi! A Andreza está? – Perguntei.
- Sim ela está – A mulher se virou pra trás e gritou – Andreza... Minha filha estão te chamando aqui. – Voltou a me olhar – Qual é o seu nome?
- Pamela, sou amiga dela.
- Ah Pami, olá tudo bem, sou a mãe da Deza. Venha entre, fique a vontade. Vou chamá-la
- Ta bom. Obrigada! – Falei entrando e me sentando no sofá.

            A mulher entrou pela casa, imaginei que tinha ido ao quarto de Deza ver o que ela tanto fazia que não a escutou.
            Fiquei observando o sofá onde Luan estava parado quando me viu entrar pela porta. O imaginei parado, olhando atento e sem acreditar no que estava vendo. Nada do que aconteceu estava claro pra mim, não tinha nada explicado.

- Pam! – Disse Deza assim que me viu.
- Oi amiga! – Falei levantando-me do sofá e indo abraçá-la.
- E aí como você ta?
- To bem, vim me desculpar com você. Ontem não pude ficar pra gente conversar direito, vi que você tinha visita.
- Ah, o Luan? O Luan não é mais visita, ele já é de casa.
- De casa, já ta assim?
- Hahahaha, senta ai vou te explicar – Andreza sentou-se ao meu lado – Então, o Luan agora é meu amigo Pam. Eu pensei em te contar mais não teve como, queria te contar pessoalmente queria ver sua reação.
- Hahaha, olha minha reação – Abri a boca.
- Pami?
- Que é?
- Para, boba. É verdade, eu e o Luan somos amigos, nos conhecemos no hotel que eu trabalho.
- Hum. – Abaixei minha cabeça – Mas enfim – Retornei a olhar Deza – Desculpa ter saído correndo ontem, tinha uma serie de coisas pra fazer com o Caio e não pude ficar – Menti.
- Tudo bem amiga. E ai o que você ta pensando em fazer hoje? Pular de pára-quedas?
- Então, tava pensando a gente pode arrumar umas coisas legais pra fazer, mas to proibida de fazer esforços então pular de pára-quedas não é muito ideal. – Sorri.
- Proibida? Por que?- Deza perguntou com espanto.
- Fui ao medico hoje, acabei de sair do hospital.
- Aí Pam, o que aconteceu?
- Acordei com tontura e muita dor – Falei passando a mão sob minha barriga – Tive que fazer um ultrassom pra ver como esses custosos estão, quando fui ver a dor é porque estão num lugar muito apertado. Não vou demorar a ganhar.
- AAAAAAAAh eu queria te visto eles no ultrassom  – Disse Deza fazendo bico.
- Ah muié, hahaha eu to com o exame de ultrassom lá dentro do carro você quer ver?
- Serio? Ai eu quero! – Gritou pulando de felicidade.
- Ta bom, mas não se empolga muito, você pode ir lá buscar pra mim?
- Claro!

            Peguei minha bolsinha e a chave que estava jogada dentro dela.

- Toma, o exame está na porta do carona.
- Ta bom. Vou dá uma voltinha com seu carro pode?
- Hahaha, boa sorte! – Brinquei.

            Deza se levantou e em questão de minutos já estava de volta com o exame nas mãos. Ela me entregou, o abri com cuidado, havia mais umas coisas lá dentro. Como receitas médicas e bulas de remédio.

- Que bagunça Pamela.
- Eu coloquei tudo junto, tenho que comprar uns remédios pra pressão e esses aqui são vitaminas que acabaram.
- Hum...
- Ta aqui – Falei ao encontrar meu exame – Olha aqui meus pequenos – Mostrei a foto do ultrassom.

            Deza fez cara de quem estava confusa. Mas parecia entender algumas partes. A mostrei quem era quem.

- Que lindos amiga. Será que vão parecer com o pai?
- To rezando que pareçam, por que se puxar a mim, coitados.
- Hahaha, exagerada. Ué Pam, aqui ta mostrando que você ta 32 semanas, isso quer dizer 8 meses né?
- Humrum...
- Mas ontem quando o Luan te perguntou quantos meses você estava, por que tu mentiu e disse a ele que estava com 6 meses?
- A ta – Pensei no que dizer. Mentir? Contar a verdade? – Então... Eu havia me confundido, é que no mesmo dia na praia encontrei uma mulher que também estava grávida, só que de 6 meses e como sou muito besta, acabei confundido as datas. – Menti. Ta virando rotina.

            Odeio fazer isso. Pior coisa no mundo é mentir, mais fazer o quê? Contar a verdade? Falar que não podia dizer que estava de 8 meses pois fiquei com medo de dizer e o Luan fazer as contas e descobri que eu estava grávida dele e não de Caio? Melhor deixar tudo como estava; eu e Caio, Deza e Luan. Os gêmeos, comigo.

- Ahãn sei. – Falou Deza, é ela parecia não engolir muito aquilo. Na verdade nem eu acreditaria.
- Bom... Mas mudando de assunto, deixando meus pequenos e o Luan de lado. O que vamos fazer? Queria ver filme, borá?
- Ué Pam, ta bom... Mas eu não tenho filmes bons aqui. – Deza parou olhos pros lados como se estivesse pensando ou procurando algo – Mãeeeeeeeeeeeeeee...  - Gritou – A senhora viu aquele filme que eu aluguei anteontem?
- Qual? O de romance, ou o de Ketchup?
- Que ketchup mãe ta doida?
- Aquele tanto de sangue, só pode ser de ketchup – Disse ela ao chegar na sala – Né verdade Pamela? – Perguntou sorrindo.
- É verdade. – Confirmei rindo. Agora entendi quem a Deza puxou.
- Ta mãe. Mais você viu eles?
- Sim, ta lá na cômoda do seu quarto, debaixo daqueles livros que você comprou no mesmo dia.
- Ah ta me lembrei – Falou Deza correndo pra pegá-los.

            Passou segundos e ela já estava de volta.

- Então Pam, sangue ou amor?
- Sangue.
- Ain Pam, esse aqui é tão lindo, vamos ver ele?
- Aff. Fazer o quê né, vamos ver esse de romance.
- Tive uma idéia.
- Que idéia? – Tenho medo das idéias dela.
- Vamo fazer brigadeiro?
- Ai chocolate, é bom. Filme de romance com chocolate? É pra me fazer chorar e entrar em depressão?
- Hahaha, não é minha intenção mas...
- Hahaha engraçadinha. Borá fazer esse brigadeiro.
- Meninas, eu vou ter que dá uma saidinha, vou no shopping comprar umas coisinhas e aproveitar ir no salão arrumar minhas unhas.
- Ta bom mãe! – Disse Deza se levantando do sofá – Ô mãe sabe se tem chocolate e leite condensado ali?
- Tem comprei esses dias pra trás, queria fazer uma torta mais a preguiça não deixou.
- Hum... a gente vai fazer brigadeiro vamos gastá-los.
- Cuidado com os doces meninas, vocês vão engordar.
- Não tem como eu engordar mais um pouco não – Brinquei.

            A mãe de Deza despediu de nós e saiu.


- Então... Vamos lá fazer esse brigadeiro que já me deu até água da boca de vontade de comer... – Nem continuei a falar, paramos. Alguém batia na porta.
- Pronto, minha mãe esqueceu alguma coisa quer ver? Aposto que é a carteira. – Reclamou Deza se levantando do sofá pra abrir a porta.

            Não era a mãe de Deza que batia, preferia que fosse ela.
- Luan? – Falou Deza espantada.


Continua...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Esqueci de Te Esquecer...


Capitulo 33

            Luan não se moveu, mas eu sim.

- Amiga... – Disse ao me aproximar de Deza – Eu tenho que ir, Caio acabou de me ligar, disse que já chegou no hotel e que precisa de mim. Tenho que explicar uma coisa pra ele sobre um procedimento de cirurgia.
- Ain amiga, mais você acabou de chegar. Fica mais um pouco?
- Queria ficar mais um pouquinho só que não dá, desculpa.
- Mas Pam, você viu quem ta na sala? Você viu quem ta aqui só pra gente?
- Sei, sei, sei.
- Num era o seu sonho muié? Não to te entendendo o besta.
- Meu sonho? –Virei pra Luan, ele estava de cabeça baixa, abaixei a minha também – Já foi o meu sonho Deza, mais hoje meu pensamento esta em outro – Menti.
- Aín amiga, você tem certeza que não quer ficar mais um pouquinho?
- Querer, eu quero – Menti – Mas não posso desculpa, amanhã eu venho aqui e agente sai ou faz algum programa legal, tipo ver filme, ir a praia, sei lá agente decidi – Disse sorrindo e a abraçando.
- A você que sabe né. – Falou Deza tristonha – Mas amanhã você vem mesmo?
- Sim, certeza!
- Se você não vier, vou te buscar.
- Kkkkkkk, eu venho muié acalma.
- To calma.
- Deixa eu ir por que ta tarde, beijos até amanha – Abracei Deza novamente dando-lhe um beijo no rosto – Deixa eu ir pegar as ruas movimentadas do Rio ainda bem que meu hotel não é tão longe.
- Hahaha verdade.

            Deza me levou até a porta. Pensei em me despedir de Luan, sei lá dar um abraço nele, ou um simples tchau, só que não consegui, abaixei minha cabeça como a dele e segui o caminho junto a Deza até a porta. Dei xau e sai pelo corredor.

Andreza on

Não ainda tinha acreditado muito naquela historia, de que a Pam tinha mordido o Luan no aeroporto. Não era a cara dela fazer isso. E o que era o Luan congelado na minha sala? Pálido feito um fantasma? Pra que tanto espanto? Era só a minha amiga. E as mãos deles se encostando enquanto Luan acariciava a barriga da Pamela? Ai! Aí tem coisa. Mas fingi que estava tudo bem.

Andreza of.


- Pronto Luan pode me contar o que aconteceu aqui?perguntei pro Luan assim que meus pensamentos se foram.
- O que aconteceu aqui Andreza?
- Esse clima todo, sua cara de espantado! O que foi isso? Eu não sou cega e nem burra Luan!

Luan levantou andou nervoso pela sala e se sentou novamente no sofá. Com a cabeça baixa respirou fundo e pareceu que ia me contar o que houve, me sentei ao seu lado.

- Vai Luan, conta. Vai te fazer bem e eu vou poder te entender.

Luan começou a me contar tudo. Desde quando eles se viram no aeroporto ate o momento que ela desligou o telefone, e assim sumindo da vida dele. Minha ficha caiu, eu fiz as contas e não seria possível seria? Pam sumiu dois meses depois daquele show e aparece grávida de oito meses. E mesmo que fosse de seis meses. Esses gêmeos podia sim ser do Luan.

Meu Deus! A Pam pode ta grávida do Luan. Mas porque não me contou antes? Eu não me envolveria com Luan se soubesse que ele é pai dos filhos da minha melhor amiga. E eu a aconselharia a procurar por ele. Minha mente começou a pensar em muitas coisas. Muitas mesmo. Meus olhos se encheram de lagrimas, eu fiquei com raiva de Pam. Como poderia manter algo com Luan, se minha amiga ainda o ama e carrega dois filhos dele na barriga?

Eu comecei a ficar confusa. Acho que pálida também porque Luan chamou minha atenção.

- Deza? Ce ta bem? Você ouviu o que eu disse a você?
- Hãn... Sim ouvi você dizia que ficou sem ação ao vê-lá aqui na minha porta.
- É fiquei. Não imaginei que eram amigas.
- E eu não sabia que haviam ficado.
- E ela com essa historia de filho? Que ta casada? Como eu fico nessa historia? Fui só uma transa pra ela. Uma vangloria de “já peguei o Luan”?
- Mas é o que costuma acontecer Luan, ou vai dizer que sempre se envolve com quem você transa?
- Não! Mas ela foi diferente.  – Luan mexeu nos cabelos. - To confuso.
- Eu também Luan. Muito! Mas fica calmo, vai tudo se resolver.


            Não estava acreditando no que tinha acabado de ver, no que tinha acabado de acontecer. Luan Rafael Domingos Santana a ultima pessoa no mundo que pensei em ver no Rio de Janeiro, e se visse não seria na casa da Andreza né.
            Caminhei feito tonta até chegar ao carro. Minhas pernas bambas não conseguiam apertar o acelerador. Respirei fundo, passei minhas mãos em meus cabelos a fim de prendê-los, de uma hora pra outra o calor aumentou.

Liguei o carro e arranquei com ele da casa de Deza.

O silêncio me perturbava, as lembranças acabavam com minha mente. Liguei o som, Don’t – Shania Twain. Lágrimas jorravam em meu rosto, o vento batia pelos meus cabelos que já haviam se desmanchado do coque mal feito pela pressa. O frio consumia minha espinha.
Tudo que tentei fugir estava me pressionando na parede de um beco escuro. Era pra ser apenas uma visita a minha amiga, e não um encontro com meu passado.

O celular toca. Vejo o número no identificador. Era Caio. Atendo com rapidez.

- Caio? – Choraminguei. Parando o carro no estacionamento perto da praia que havia ido a poucos minutos atrás.
- Oi meu amor, que voz triste é essa?
- Eu preciso de você amor.
- Own eu acabei de chegar no hotel, onde você ta?
- Na praia.
- Ainda?
- Não.
- Você foi na Deza?
- Fui sim – Relembrei do que havia visto lá, mais dor, mais lágrimas, mais tristeza veio em mim.
- Que isso Pami? Você não ta bem meu amor, espera ai to indo te buscar.

Caio não esperou dizer mais nada, apenas desligou o celular, deixando-me sozinha, apenas com os barulhos das ondas passando pelos meus ouvidos.
Não demorou nem 15 minutos, e logo o avistei. Vestindo uma bermuda e camiseta, usando chinela havaiana descendo do Taxi. Mal o esperei se aproximar. Levantei do banco que estava sentada e corri em direção para o anjo que de alguma forma me dava a segurança e a paz que tanto precisava.

- Caio! – Falei ao ser envolvida pelos seus braços acolhedores.
- O que foi meu amor? Por que você ta chorando coisa?
- Eu... – Comecei a soluçar – Eu vi ele Caio – Respirei fundo, a fim de ganhar forças pra explicar o que havia ocorrido.
- Ele quem? Espera aí. Você não esta me dizendo que viu o... – Caio parou de falar olhou para os lados e virou-se a mim novamente.
- Sim, eu vi o Luan Santana, Caio! – Confirmei ao perceber que não tinha mais como negar estava tudo perdido, tudo acabado, não havia mais como fugir de meu destino, eu teria que suportar e viver com aquilo para sempre impregnado na minha mente, impregnado em meu coração.
- Onde? Como? Pam, você foi onde? Tu disse que ia à cada da  ANDREZA e não no LUAN.
- Eu fui na Andreza. – Contei caminhando de volta ao banco que estava sentada – Esse é o problema Caio, eu fui na Deza e tive a pior das surpresas possíveis.
- Mais Pam, o que o Luan estava fazendo na casa da Deza? Ela não é só uma fã como... – Caio parou e olhou minha barriga – Como você era?
- Era isso que eu pensava né, mas vi que estava errada, como a Deza não me contou que estava ficando com o Luan? – Disse indignada.
- Ela fez exatamente como você Pam, escondeu. Ou por acaso você contou a ela?
- Não eu não contei.
- Então Pam, você não pode ficar exigindo algo de uma pessoa sendo que nem mesmo você faz assim.
- É verdade – Falei de cabeça baixa.
- Amor, presta atenção. A Deza deve ter uma boa explicação para isso, ela pode ter se tornado amiga dele ué, que lei não permite que fã se torne amiga de ídolo?
- Nenhuma – Resmunguei baixinho.
- Então meu amor, ela deve ser amiga dele, a final você mesmo me disse que ela é louca pelo Luan Santana e sempre corre atrás dele quando dá.
- É verdade, sempre torci pra isso acontecer, sei lá eles se tornarem amigos ou ficarem juntos.
- Se os dois estiverem juntos, você não pode fazer nada. Certo, tu esta grávida dele mais, que eu saiba...
- Eu não quero ficar com o Luan. – Terminei a frase de Caio.
- Pelo menos é isso que escuto de você desde o momento que fiquei sabendo da verdadeira história.
- É né! – Sorri.

Caio só tinha dito a verdade, eu não mando no Luan. Ele pode fazer o que quiser da vida. Claro, estava chateada, a Deza pelo menos tinha que ter me avisado antes, assim eu nem ia a casa dela. Mas a doida não disse nada. Absolutamente nada.

- Bom... – Respirei fundo, passando as costas de minha mão sobre os olhos, a fim de limpar as lágrimas – Amanhã vou na Deza, preciso conversar com ela. E quero também curti um pouco do Rio com minha amiga, chega de Luan Santana, eu não o quero mais... – Aproximei-me de Caio, ele olhava fixamente minha boca – ... Eu não quero Luan Santana eu quero você. – Disse antes de grudar minha boca na de Caio com tanta intensidade, com tanta vontade que o céu poderia cair em cima de nossas cabeças que não me importava com nada.

            Estava com raiva do Luan, confesso estava com raiva de Andreza também. Não ódio, mais raiva por não terem me contado antes sobre tudo
            Caio fazia carinho quando me beijava. Parti o beijo e deitei em seu ombro. Ele envolveu-me em seus braços e passou uma de suas mãos em meu ventre.
            Quase cochilei naquele silêncio ouvindo o vento bater nos coqueiros, o barulho do mar, o som do coração de Caio, contraindo e relaxando, contraindo e relaxando.
            Ficamos ali “namorando” na praia deitados no banco até que escureceu. Voltamos pro hotel e logo fui tomar meu banho, precisava deitar na cama e dormi um belo de um sono. Esquecer tudo que aconteceu hoje e ter forças pra superar o ocorrido.


Continua... 

Esqueci de Te Esquecer...

Capitulo 32


Do lado de fora...




- Chegamos! – Disse a minha barriga assim que conferi o endereço com o “predinho bunitim” na Barra – Deve ser aqui a casa da Deza né bebês? Ai... a mamãe ta tão nervosa – Falei mordendo o canto no lábio. Será que ela vai me reconhecer? Acho que não né kkkkkkk...

            Respirei fundo, é agora. Peguei minha bolsinha, sai do carro.
Caminhei lentamente, estava nervosa de mais, tinha que me acalmar.

- Vamos lá, filhotes. Pra que esse nervoso todo? É só a Deza que vamos ver né? É só minha amiga. – Eu não sei se era de nervoso, mais senti um chute tão forte – Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai caramba – Xinguei.

Quando eles nascerem vou querer saber quem foi o bendito que me deu um chute tão forte assim, nossa Senhora doeu. Todo o dia é a mesma coisa, sempre tem um que me mata de tanto chutar.
            Coloquei a mão por baixo da barriga, caminhei mais um pouquinho. Com dificuldade e nervoso, toquei a campainha. Estava demorando, e como sou meia descabeçada, bati na porta, não demorou muito e ela logo foi aberta.

Dei de cara com uma morena, baixinha, quero dizer, um pouco mais baixa que eu.
 Cabelos cacheados, estilo carioca mesmo.

- Deza? AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAmiga! – A abracei sem saber se era ela mesma
- Paaaaaami? Mais meu Deus do céu! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH nem acredito – Disse Deza em meio ao abraço.
- Pami? – Ouvi outra voz chamar por mim. Não precisava abrir os olhos pra saber quem era. Aquela voz eu reconheceria em qualquer lugar. Reconheceria e reagiria a ela quer estivesse acordada ou dormindo... Ou até morta posso apostar.
Abri meus olhos mesmo assim, queria ter certeza que não estava sonhando. Queria ter certeza que não estava delirando ou imaginando coisas. Por cima do ombro de Deza pude ver nossa companhia. Estremeci, soltei-me do abraço.

Andreza me olhava sem entender, fiquei mais espantada ainda. Olhei novamente a pessoa que estava em pé perto do sofá, nos olhando com a mesma cara de espanto que eu estava.

- L-U-A-N... – Gaguejei.
- É você mesmo Pam? - Perguntou Luan se aproximando.
- Ei você conhece ela Luan? – Deza perguntou, o olhando com surpresa.
- Ai meu Deus do céu... – Coloquei uma mão na boca e outra por cima de minha barriga.

            Parei no tempo. Olhei Deza, que não olhava pra mim, ela encarava Luan como se estivesse querendo uma resposta, e eu a olhava querendo uma solução. Tudo estava perdido, pensei que nunca mais iria ver Luan na minha frente. Pensei que nossos destinos nunca mais se cruzariam. Que viveria o resto de minha vida pacata só com as lembranças daquela nossa noite, e não com a lembrança de seu rosto reconhecendo-me na porta da casa da Deza. Espera aí. Como ele me reconheceu tão rápido? Cara tem mais de meses que transamos. Só nos vimos uma vez, e nunca mais.
            Será que ele é tão bom de memória assim?

- Meu Deus eu não acredito, que você se lembra de mim? – Perguntei tentando disfarça. Deza ainda parecia confusa.  – Caramba quanto tempo meu Deus do céu – Falei esperando uma reação de Luan. Fingi estar feliz com aquilo, tentei não cair no chão, tentei não me mover muito pra isso não acontecer.
- Ei alguém me explica o que ta acontecendo aqui? – Pediu Deza olhando nos dois sem entender nada.
- Bom... – Comecei a explicar – Lembra do show que fui e conheci o Luan? Aquele Deza, no qual eu o vi no aeroporto, depois te contei e tal, se lembra?
- Sim me lembro – Disse Andreza tentando se lembrar do fato.

            Caminhei devagar na sala, estava com medo de cair, minhas pernas custaram reagir. Aproximei do amor de minha vida. Aproximei e abracei Luan. Após meses sendo perseguida pelo cheiro gostoso de seu perfume, estava novamente sendo envolvida por ele. Foram tanto tempo longe, e tudo estava como sempre foi. Meu Luan, não mudou nada, não mudou o cheiro, o calor, o jeito, absolutamente nada.

- Nossa cara, nem acredito que você ta se lembrando de mim, acho que te marquei muito né? Desculpa.
- Marcou? – Perguntou Luan quase sem fala.

            Na verdade nem eu sei o que estava acontecendo naquela sala. 1° o que Luan fazia na casa de Deza? 2° como ele me reconheceu tão rápido, 3° que diacho de história era aquela que eu estava tentando contar?

- A mordida que te dei lembra? – Ta boom, mordida? Que merda foi essa que disse? Mordida? Cara não tinha nada melhor pra dizer não? Ai como eu me odeio cara.
- Você mordeu ele Pam? – Perguntou Deza curiosa e confusa.
- Poxa Deza, eu te contei isso cara – Menti – Não acredito que você esqueceu, nossa nem faz tanto tempo assim.
- Ah é mesmo nossa, aquela sua mordida doeu pra caramba, fiquei com o roxo umas duas semanas inteiras – Continuou Luan a nossa mentira. Eu não gosto de mentir, sei que Luan também não, mais contar a verdade pra Andreza não tinha necessidade, tudo que vivemos entre mim e Luan, estava enterrado.
- Vocês são muito bestas mesmo viu, credo. – Riu Deza se aproximando.

            Quando vi que Andreza havia caído na nossa história, soltei-me de Luan. Corri ao encontro de minha amiga, a abracei forte.

- Caraca nem acredito que você ta aqui mesmo.
- Hahaha eu disse que vinha.
- É mais eu nem acreditei, quase que fui ao hotel.
- É demorei um pouquinho, passei na praia, precisava beber um pouco d’água de coco, sei lá esfriar a cabeça, meus pequenos estão me deixando doida já.
- Cara, mais sua barriga ta enorme – Disse Deza, olhando a imensa bola que se formava em meu ventre – Posso passa a mão?
- Ah... Claro, fica a vontade...

            Andreza me fez sentar no sofá, Luan ainda estava congelado sem mexer um músculo desde o momento que me viu. Sentei-me no sofá, Deza sentou-se ao meu lado, colocou a cabeça em cima de minha barriga.

- O menino é o que mais chuta, ele deu um bicudo em mim ali de fora, achei que iria ganhá-los de tanta dor – Exagerei.
- Ah que coisa mais linda Pam. É realmente parece ter alguém querendo ser jogador de futebol aqui dentro.
- Kkkkkkkk um futuro Neymar? – Brinquei.
- Quem sabe né. Olha só, ele ta chutando. – Deza ficou rindo ao sentir meu pequeno jogador. – Quer sentir também Luan? – Perguntou ela, olhando Luan.

Fiquei sem reação, gelei completamente. Olhei Andreza que ainda sorria. Luan ficou mais branco do que já é. Não consegui dizer nada, não consegui nem respirar direito.

- Posso? – Enfim Luan pediu.

            Eu não sabia se deixava, não sabia o que fazia. Queria chorar, queria correr, queria sumir e ir atrás do Caio. O Luan estava ali, ele estava ali perto de mim novamente, como na primeira vez que o vi, como a 8 meses atrás quando estávamos naquele quarto de hotel, eu sendo envolvida pelos seus braços, e recebendo a coisa mais valiosa que alguém já me deu, meus filhos.

- Hãn... – Com dificuldade de respirar tentei falar – Bom... – Voltei a olhar Deza, ela não me olhava, apenas Luan, apenas Luan não tirava os olhos de minha barriga, não tirava os olhos de mim – Claro Luan, fica a vontade – Enfim falei.

            Posso morrer agora? Sim? Ou claro?
            Luan se abaixou, ficou na altura de meus joelhos. Sua mão tocou minha barriga, eu o olhava, e o vi sorrir. Por que ele estava sorrindo? Por que ele estava tão feliz? O que tinha de diferente nele?
            Luan tocou de leve seus lábios em minha barriga. As lágrimas não conseguiram mais ficar em meus olhos, as derramei pelo rosto. Uma felicidade misturada com tristeza me tomou.
            As limpei, não queria que me vissem chorando. Luan acariciava minha barriga, com movimentos tranqüilos.
Involuntariamente passei minha mão por cima da dele. Não nos mexemos mais, pude ouvir apenas nossos corações que pulsavam forte.

Algo se moveu dentro de mim. Nossos filhos se mexeram.

- Mexeu! – Disse Luan com uma felicidade impossível de se escrever, impossível de ser explicada. E o som da gargalhada de Luan acabou comigo. Aquele sorriso espontâneo. Que saudade.
- Mexeram! – Falei corrigindo Luan, e retirando minha mão por cima da dele.
- Mexeram? – Perguntou Luan sem entender o meu “mexeram”.
- São gêmeos Luan – esclareceu Deza.
- Gêmeos?
- Sim, Luan Santana eu estou grávida de gêmeos. – Falei olhando pro meu ventre. Não queria olhar Luan se fizesse isso iria chorar. E chorar é a ultima coisa que queria fazer naquele momento. Correr seria a primeira.
- Quantos meses? – Continuou Luan a perguntar.
- 6 meses – Menti.
- Mais você deve ter uns 19 anos apenas Dani. – Reparou Luan incrédulo.
- Sim... Tenho 19 anos e já to grávida e casada.
- Casada? – Perguntou mais incrédulo ainda, ele se levantou do chão.

            Deza me olhou com cara de espanto, viu que eu estava mentindo, eu não estava casada com Caio, e não estava grávida de 6 meses e sim de 8.

- Sim eu me casei. – Continuei mentindo. Segurei pra não chorar. Fui firme e olhei Luan nos olhos.
- Pam? – Chamou Deza – Você se casou?
- Bom, eu e Caio estamos vivendo como se estivéssemos casados Deza, estamos só esperando nossos filhos nascerem e depois iremos casar tudo certinho. – Falei olhando pra Deza, não queria olhar Luan, não queria mentir olhando nos olhos dele, eu sou fraca não conseguiria.
- Que gracinha, eu quero ser madrinha! – Disse Deza pulando no sofá e me abraçando.
- Ta calma muié, fechado então, você vai ser minha madrinha quando me casar, só que você vai ter que ir ao meu país.
- Ai Pam, Bélgica? É muito longe! – Disse Deza se sentando direito no sofá – Mas eu quero ir hahaha.
- Ta certo, agente dá um jeito.
- Você esta morando na Bélgica Pam? – Perguntou Luan, sem acreditar no que ouvia.

            Dava razão, poxa joguei uma história tão pesada em cima dele. Certo, era a maioria mentira, mais precisava mentir, Luan me reconheceu, lembrou de mim, tinha que mentir, ele não podia saber que estava grávida dele.
            Luan se sentou no sofá a minha frente. Ele não devia estar acreditando muito na história que inventei. A única coisa que sabia era que estava ferrada. Não gosto de mentir, ainda mais mentir pra Luan e pra Deza, meu amor e minha amiga. Isso era errado, mais era necessário.

            Ouvi ao longe algo tocar, pensei ser meu telefone, olhei depressa na minha bolsa, mais nada havia tocado nela.

- Aí meu telefone. Vocês esperam só um minuto que vou lá dentro atender. – Disse Deza saindo correndo pelo corredor.
            Meu estomago gelou, minha mão começou a suar, estava nervosa. Sozinha na sala com Luan. Ele não me olhava, observava o chão.
            Engoli em seco.
            Luan se levantou do sofá, veio em minha direção ainda de cabeça baixa. Sentou-se ao meu lado.

- Porque você fugiu? – Perguntou sem olhar pra mim.

            Meu mundo caiu, eu queria sumir de vez da terra, queria desaparecer. Como ele se lembrava de mim? Agente transou só uma vez. Meu Deus do céu, por que logo comigo? Por que tudo acontece comigo?

- Luan... Eu... – Não consegui dizer nada, as lágrimas caíram.
- Você me deixou sozinho naquele hotel, Pamela...
- Desculpa Luan, mas... – Respirei fundo, limpei as lágrimas que escorriam sem piedade – Pra mim, como pra você aquilo foi só uma... – Não continuei Andreza estava voltando à sala.


Continua...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Esqueci de Te Esquecer...


Capitulo 31


Um vento gelado entrava pela janela do quarto, abri devagar meus olhos procurando por Caio que não estava mais ao meu lado. Fiquei curiosa, estiquei meus braços despreguiçando-os, passei a mão sobre um pedaço de papel. Era um bilhete.

Sentei-me na cama a fim de acordar por completo e ler o tal bilhete que encontrei no criado mudo.

- Bom dia dorminhoca! Pam, você dormiu muito amor, olha a hora. É ta vendo? Já são mais de 07:00hrs eu acho. Hahaha, vou te bater se você continuar dormindo tanto assim. Ò te cuida, to indo pro curso não vou demorar, chego mais ou menos 17:00hrs não sei exatamente, vou ver aqui, qualquer coisa te ligo, ta amor. Divirta-se com a Deza, e pelo amor de Deus juízo.

Hà só mais uma coisa. Gostou do bilhete? Coisa brega né? Devia ter mandado um sms mas gosto deste jeito, acho original hahahaha.
Bjux te Amo muito.
Caio

            Esse garoto é muito doido. Que gracinha, bilhete!

            Levantei da cama com um pouco de dificuldade, minha coluna estava doendo, a barriga enorme, não consegui nem me equilibrar direito.

            Fui ao banheiro, estava que nem zumbi, toda descabelada.
Deu fome.

Voltei ao quarto, liguei pro restaurante do hotel. Pedi meu café da manhã. Frutas, suco e pão. Ta vendo? Nada de gorduroso, nada de doce. Depois Caio fica brigando comigo, dizendo que eu não como nada saudável. Que eu saiba não tem nada que me faça mal neste café da manhã né?!
            Após pedir meu café entrei no banheiro, lavei meu rosto, prendi o cabelo na forma de coque, escovei meus dentes, hahaha, estavam branquinhos, momento careta. LKJ.
- Aoooooooo... Mais é anta mesmo. – Falei mal.

Ouço baterem na porta.

- Entra! – Gritei sem ver quem era.

Nem precisava ver, sabia de quem se tratava, era o moço do café da manhã. Aí meu suco de açaí, aí meu suquinho, como eu amo você kkkkkk.

- Obrigada moço!
- Por nada! – Falou o rapaz. Ele era novinho tinha na facha de uns 17 anos mais ou menos. Bom, pelo menos era isso que aparentava.

Fiquei tão entretida com minhas frutas que nem vi quando o menino saiu do quarto.
Tomei meu café vendo TV, não tinha nada de interessante passando. Nossa acordei muito cedo, pior é Caio falando que estava tarde, aquele menino só pode ter batido a cabeça quando pequeno. Aooooo trem doido viu!

Canal chato. Mudei, coloquei na Globo. Ana Maria Braga no Mais Você. Deixei né depois tinha TV Globinho e eu queria ver, AAAAAAAAAAAAAAAA iria passar Bob Esponja. Me deixa ser feliz? Eu não tive infância.

Coloquei o copo de suco de açaí que estava bebendo, na bandeja. Não quero mais café da manhã, acho que meus pequenos estão satisfeitos.

Comercial.

Olhei atenta minha enorme barriga, eles estavam tão quietos esta manhã, tão paradinhos e concentrados em alguma coisa. Resolvi cutucá-los.

Passei a mão sobre minha barriga, acariciando-a.

- Bom dia meus amores, por que vocês estão tão quietinhos? A mamãe ta preocupada. – Senti algo cutucando minha mão. Um deles se mexeu. – Ta ficando muito apertado ai pra vocês né meus filhos, daqui uns dias vocês vão ver o mundão aqui de fora, a mamãe ta louca pra ver o rostinho de vocês. Louca pra ter vocês aqui com ela. – Mais uma cutucada, eles pareciam conversar comigo. As lágrimas começaram a cair, era a coisa mais linda do mundo, minhas criaturinhas, meus anjinhos, parte do amor de minha vida, daqui umas semanas estarão aqui ao meu lado.

Limpei as lágrimas voltei à atenção pra TV.

- Amores, ta vendo? Ta passando Bob Esponja – Disse ao ver que Mais Você havia acabado e TV Globinho tinha começado – Vocês vão ser igual mamãe e papai – Ri ao lembrar que Luan também gostava de Bob Esponja. – Ai meu amor, onde você ta hein? – Perguntei em voz alta, afim de encontrar uma resposta que não chegou em meus ouvidos. Não sabia onde Luan estava, provavelmente, em algum lugar bem longe do Rio, quem sabe em Minas? Será que perto de minha antiga cidade? Talvez sim, talvez não.
Fiquei tão curiosa pra olhar a agenda de Luan na Internet, mais não olhei. Continuei do mesmo jeito que estava. Sentada na cama, vendo TV.

O resto da tarde foi tranqüilo, pedi meu almoço no quarto, não queria sair, estava com muita dor na coluna e só sairia quando chegasse a hora de ver minha amiga.
Deza vai levar um susto quando me ver em sua casa com essa imensa barriga. Tudo bem que ela sabe que to grávida e tal, mas não sabe que a barriga ta tão grande assim. Queria tanto poder contar a ela quem é o pai, queria, mais não posso. Pelo menos não agora.

Tomei um banho logo depois do meu almoço. Comi cedo, nem 12:00hrs não era. Pretendia chegar um pouco mais cedo pra pegar Andreza de surpresa.
Sai do chuveiro, meu cabelo encharcado. Enrolei-me na toalha. Sequei meu cabelo com rapidez, em questão de minutos ele estava liso novamente. Fiquei com raiva os cachos que fazia nunca paravam só meu santo cabeleireiro conseguia.

- Ta bom! Agora que roupa eu visto? – Perguntei pro nada, quando olhei minha mala. – Ai que confusão. – Reclamei.

Depois de muito pensar, peguei um all star vermelho, uma bata preta e uma camisa xadrez vermelha com preto de manga cumprida, a dobrei. Peguei também um short preto não muito curto, um palmo e meio acima do joelho.
Prendi um pedaço da minha franja do lado com uma presilha de borboleta pequena.
- Gostaram filhotes? – Perguntei olhando no espelho. – Ah ta bom né? Quando mamãe for encontrar um gatinho ela capricha um pouco mais, pois nesse momento só irei encontrar a Deza, pode ser que encontro um gatinho na praia ou no shopping, sei lá aonde iremos. Mais duvido muito que algum irá se interessar por mim olha pra isso? Meus filhos do céu, não sei se mamãe consegue agüentar mais um mês.

Passei um make mais ou menos, peguei minha bolsinha e meu telefone. Procurei o endereço que havia anotado na minha agenda.

Encontrei.

Sai do quarto, entrei no elevador sozinha, nossa estava até meio chato ficar tão sozinha naquele lugar gelado. Peguei meu celular e meu fone de ouvido. Here Without You foi o que começou a tocar.
Retirei o fone pra perguntar a recepcionista se sabia onde era o endereço que havia lhe mostrado. Com alguns sinais e um mini mapa que desenhei quando ela falava pude entender mais ou menos o local da casa de Deza.
- Obrigada! – Agradeci saindo da recepção.
- Por nada, tenha uma boa tarde Sra. Rodriguez! – Disse a recepcionista, me vendo partir. Cara eu odeio quando me chamam de Sra. Rodriguez mais fazer o que né? Caio cismava em colocar assim em todos os lugares que íamos.
Sai do hotel, peguei o carro. Desliguei meu celular, ele ainda estava tocando música. Liguei o som do carro, na rádio. As Lembranças vão na mala.

- Que ótimo, uma música do Luan pra começar minha tarde. – Disse irônica. – Olha bebês estão ouvindo a voz do papai? – Brinquei passando a mão na barriga.

            Continuei meu caminho, desci parar na praia, precisava tomar uma água de coco. Sei lá esfriar minha cabeça, estava cedo pra ir à casa da Deza, ela poderia estar dormindo ainda.

            Estacionei perto da barraca de coco. Comprei um pra mim. Coloquei meus óculos escuros que havia levado. Caminhei devagarzinho pela areia macia da praia, tinha um monte de crianças com seus pais, um monte de casais. E eu sozinha com aquela imensa barriga, andando descalça sob a areia, com os tênis na mão.

            Meu telefone tocava a música Wish You Were Here – Avril Lavigne. Respirei fundo.

- É Pamela, ele ta por aí... Novamente ele esta no mesmo país que você. Como podemos está tão perto e tão longe ao mesmo tempo? – Disse baixinho, acariciando minha barriga. – No dia que a poeira abaixar, quando eu não amar tanto seu pai assim meus filhos, a mamãe vai tentar levar vocês pra conhecerem ele, como um ídolo conhecendo novos fãs, pois vai ser assim, ídolos e fãs.

Sentei no banco de um quiosque pra esconder-me do sol.

O vento tocava em meu cabelo, um perfume gostoso veio com o ar, não era só na Bélgica que podia sentir o perfume de Luan, o podia sentir em qualquer lugar que eu fosse. Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bélgica...

O telefone tocou.

- Alô?
- Gostou do bilhete? – Perguntou Caio após ouvir minha voz.
- Ah amor, que coisa brega – Brinquei.
- Hahaha, não tava brega – Resmungou.
- Eu sei seu chato, to brincando contigo. – Sorri – E ai onde você ta? – Perguntei levantando meus óculos escuros, ele estava incomodando.
- To no curso né amor, é hora de descanso.
- Ta gostando?
- Sim, é bom... Só não vi muita coisa ainda, acho que vamos começar estudar mesmo só amanhã, hoje é mais introdução mesmo.
- E você onde ta?
- To na praia.
- Na praia? Mais você não ia na Deza?
- Ia não. Vou! Hahaha, daqui a pouco to indo lá, só vou deixar a Deza acordar primeiro.
- Ta certo – Fez silêncio, ouvi um barulho bem distante – Amor, vou desligar, parece que tem gente precisando de mim aqui.
- Ta bom, vai lá. Beijos mais tarde conversamos.
- Ok! Ate mais tarde, juízo.
- Isso eu tenho de sobra. – Disse ao desligar o telefone.

Coloquei os óculos novamente, e meu fone de ouvido. Perdi-me na imensidão de meus pensamentos. Nas minhas lembranças, no meu passado. Perdi-me pensando no passado, presente e futuro, perdi-me pensando no Luan Rafael Domingos Santana.


Enquanto isso na casa da Deza...




A campainha toca. E eu acabado de acordar, estava toda descabelada. Olhei pelo olho mágico quem era? Era o Luan. A essa hora na minha casa e sem avisar? Algo aconteceu. Ele não é disso.
Atendi com a mão na boca, não tive tempo de ir ao banheiro escovar os dentes.

- Desculpa, entra e me espera, vou ao banheiro ficar apresentável.
- Que isso Deza. Não precisa. – Disse Luan entrando e indo me beijar.
- Me espera aqui Luan. – Disse me esquivando e sai correndo pro banheiro.

Mais apresentável voltei ate a sala e me sentei do lado de Luan.

- Pronto agora você já pode falar comigo. – Sorri.
- Hum que hálito gostoso. Merece um beijo – Disse Luan se aproximando pra poder me beijar.
- Não começa! O que te trouxe aqui Luan?
- Nossa que violência! Kkkkkk então eu to carente. Sei lá, precisando de carinho, abraço, cafuné. E isso só você sabe me dar Andreza.
- Mas e se você não tivesse aqui no rio?  O que você ia fazer Luan? – disse tentando me afastar de Luan que me segurava pela cintura, e estava me olhando nos olhos. Difícil... muito difícil resistir...
- Eu ia te ligar muie. Mas já que eu to aqui, consegui dar uma fugidinha. – Deu um cheiro no meu pescoço. Arrepiei-me.
- Ah tendi. Vem cá deita aqui no meu colo vai... – Falei puxando Luan pro sofá. Era bom ficar assim com ele também…

Mas Luan não perde uma oportunidade. Mal comecei a lhe fazer os cafunés que ele logo me beijou. Foi difícil resistir a ele. Sempre é.
Suas mãos acariciavam meu corpo com saudade, uma delas foi subindo por minha coxa, indo por baixo do meu short de dormir. Luan corta o beijo.

- Sem calcinha Andreza? – Luan me pergunta surpreso, porem com uma cara de safado.
- Sabe que eu durmo assim né Luan?
- Melhor ainda! Menos uma peça pra eu tirar. – Luan sorriu e arrancou meu short me dando um susto.

Beijou minha barriga, safado não foi onde eu queria. Apalpou minha bunda, me arrancando um suspiro. Foi subindo pra me beijar outra vez, retirando minha blusa.

- Fala serio!  Você tava me esperando! – Disse-me enquanto beijando meu corpo.
- Não Luan eu estava dormindo mesmo! – Falei rindo da cara dele, porem logo me sobreveio uma sensação maravilhosa. Luan me mordeu.
- É difícil te ver e não desejar você. – E me beijou outra vez.

Luan estava excitado, pude perceber. Isso me deixou excitada também. Em segundos deixei Luan nu também.

 Senti certa necessidade da parte de Luan. Ele realmente não estava bem. Procurava no sexo algo que ele ainda não havia achado resposta. Dessa vez foi diferente...
 Foi ótimo como sempre. Mas não era só isso sabe? Parecia querer me dizer algo, parecia que queria se livrar de algo, mas não sabia como. Foi intenso.
Li num livro uma vez que quando homens estavam muito tensos, estressados ou coisa assim costumavam se acalmar com o sexo. E parecia ser isso que Luan queria.  Se acalmar de algo que nem ele sabia direito o que era.

Enfim, sentados no sofá. Eu encostada ao encosto do sofá e ele deitado entre minhas pernas. Já estávamos vestidos. Havia o risco de minha mãe chegar. Não queríamos bronca.

- Eu precisava disso sabia? – Disse quando se deitou em meu colo.
- Sabia Luan! Você não ia vir aqui a toa.
- Ei! Calma, mas eu também to triste uai, carente de carinho. Mas é que você é gostosa. Não deu pra resistir.
- Mas eu não fiz nada homi. Você que veio me agarrando.
- É desculpa. Mas foi bom não foi? Então fica quieta ai... – calou-se me dando um beijo.
- Aii que violência. Não precisa ser grosso também, Viu. – Disse o fazendo sair do meu colo. E me sentei direito no sofá.
- Ei, desculpa.  Não foi isso o que eu quis dizer. É que eu to confuso. Eu tive um sonho essa noite!
- Que sonho?
- Sonhei com aquela menina.
- Que menina? A que você ficou e que fugiu de você?
- Ela mesma. Sonhei com ela correndo de mim, e quanto mais eu corria atrás dela, mais ela ficava longe de mim. Mas de repente eu estava muito perto, eu a quase beijei, mas ela sumia como um fantasma. Acordei assustado.

Foi estranho ver Luan assim, ele parecia estar realmente assustado. Aquela menina ainda mexia com ele. Dava pra ver.

- Nossa Luan! Vem cá fica aqui comigo. – O coloquei no meu colo outra vez. Ele se afagou em meu colo e eu o fazia cafuné.
- Desculpa? Eu não sei o que sinto por ela, e esse sonho mexeu comigo. Nem te contei, mas num show de Minas acho que uma fã me falou dela. As descrições eram muito parecidas... Nome e tudo. Isso deve ter ficado na minha mente.
- É deve ter sido isso mesmo meu amor, mas não fica assim não ta?
- Obrigado Andreza, por tudo. Você é minha amiga, por mim te levava comigo pra onde eu fosse.
- Ah, ta, e eu ia ficar empatando seus pegas por ai? Aham me conta outra. – Sorri. – O clima parecia já ter mudado.
- Não! Você ia ser a minha muie uai.
- Eu? Me engana Luan, tu não para com ninguém... E quem disse que eu quero ser sua muie?
- Ai! Essa partiu meu coração!
- To brincando seu Bobo. – Falei o dando um beijo. Nossa relação era estranha eu sei.
- Mas fala serio você bem que gosta quando a gente transa... Porque eu gosto! –  Disse Luan me fazendo cócegas pra me forçar a uma resposta!
- Gosto Luan, mas para! Tão tocando a campainha. Fica ai comportadinho...

Continua...